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1997: Introspecção e calças largas em 7 discos

1997: Introspecção e calças largas em 7 discos

Ainda é difícil de acreditar que 1997 foi há duas décadas. Alguém precisa rever esse cálculo aí. Enquanto isso, homenagearemos nesta lista os 7 álbuns do ano que o marcaram e cuja influência a gente ainda consegue sentir pulsando em tudo o que é novidade na música. Não se assustem com a ausência de Ok Computer e Homogenic. É claro que esses estão entre os melhores discos de 97, e qualquer lista vai falar isso para vocês. No entanto, com o objetivo de homenagear e rememorar outros álbuns importantíssimos e maravilhosos, decidi não adicionar o óbvio e criar espaço para uma lista mais interessante e diferente.

 

Dig me Out

Sleater-Kinney

O que acontece quando você mistura instrumentais impecáveis, vocais marcantes, letras inspiradas e muita energia? Você cria o álbum de rock ideal. Existem muitos deles, mas Dig Me Out se destaca pela atitude riot grrrl marcante que só as rainhas do Sleater-Kinney poderiam trazer. Carrie Brownstein grita as aflições pra fora em cada faixa, certificando-se de que você não esqueça sua voz, como na poderosa "One More Hour", uma das faixas que desenvolvem os temas de término e superação de relacionamentos problemáticos. É uma porrada colorida, brilhante e certeira, e é por isso que se mantém relevante 20 anos depois de seu lançamento.

 

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Come on Over

Shania Twain

Let’s go, girls! Ganhando quatro prêmios Grammy e carregando o título de álbum feminino mais vendido da história, além de vários outros, Come on Over é aquele disco que nunca vai parar de ser referenciado. Todo mundo nesse planeta já se emocionou com "From this Moment" ou "You’re Still The One", sejam eles seus guilty pleasures ou não. Quem já não se sentiu meio assanhado ao ouvir "Man! I Feel Like a Woman!", mesmo há 17 anos atrás acompanhando Cíntia na novela Laços de Família? Shania conseguiu quebrar todas as barreiras da música country canadense ao articular seu estilo super magnético de composição, seus belos vocais e a produção divertida de seu 3º álbum. Diga o que quiser, mas se há 20 anos atrás Come on Over não tivesse sido lançado, algumas artistas dessa geração que iniciaram a carreira dentro do country talvez não fossem tão populares (estou falando com você, Taylor Swift). É desse tamanho o impacto desse disco, que é um dos mais marcantes de 1997.

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Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára

Planet Hemp

Depois de causar muito alvoroço na sociedade brasileira com seu disco de estreia Usuário, os doidões do Planet Hemp retornaram em 1997 para dar mais uma boa sacudida no país. Marcelo D2 e Black Alien, com a ajuda de BNegão (que havia saído da banda na época) e uma banda de respeito, criam um épico de hip hop, rock e samba que se expande para além de suas influências musicais. Já na abertura inesquecível com "Zerovinteum", o susto que levamos com Marcelo gritanto “Riooooooooo” anuncia uma obra que não separa, pois não quer separar, a arte da realidade. E a consciência social do Planet Hemp também se tranfere para o campo da própria música em “metacanções” como "Hip Hop Rio" e "Rapers Reais". Definitivamente, esse é um disco que resistiu ao teste do tempo, com canções que representam muito bem o seu tempo e, até hoje, a cidade do Rio de Janeiro. A caravana ainda não parou e nós continuamos queimando tudo até a última ponta.

 

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Either/Or

Elliot Smith

Há muito mais no terceiro disco de Elliot Smith do que sugerem suas melodias suaves e produção simples. 20 anos depois de seu lançamento, Either/Or continua oferecendo ao ouvinte uma experiência impactante em notar como os elementos das composições de Smith conseguem esculpir minuciosamente um retrato de sua aflição e confusão mental. Dos acordes que sobem e descem na abertura em "Speed Trials" ao aparente romantismo de "Say Yes", temos nesse disco a representação da beleza que reside nos sentimentos mais tristes e obscuros de um ser humano. Se parece paradoxal, é porque é mesmo.  O lado de lá e o lado de cá são extremos em que Smith é condenado a desconfortavelmente frequentar. O rock vulnerável de Either/Or é o trabalho de um compositor em seu estado de arte e que se mantém intocado e relevante mesmo após tantos anos, nos lembrando da catástrofe estonteante que pode vir a ser a consciência humana.

 

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The Velvet Rope

Janet Jackson

Um álbum que coleciona momentos de intensa beleza e sentimento. A Janet Jackson da arte da capa, olhando para dentro de si, representa muito bem as intenções de The Velvet Rope, cujo título faz referência à corda de veludo que separa a área pública e a restrita. Portanto, nesse disco, a talentosíssima Janet Jackson nos pega pela mão através dessa fronteira para nos mostrar o mundo que existe por trás do que nós vemos. E que mundo! A vulnerabilidade que é exposta era algo muito incomum entre as grandes artistas pop dos anos 80/90, e Janet consegue falar sobre seus conflitos de uma forma muito palatável e comovente. É uma experiência linda e importantíssima a nível também social. Eu, particularmente, fico muito feliz sabendo que em 1997 já tínhamos uma mulher negra mega talentosa e linda falando com o seu público sobre questões como violência contra a mulher, feminismo, depressão, sexualidade e comunidade LGBT. Sim, há todos esses temas em The Velvet Rope (como eu disse, é o mundo particular de Janet Jackson), e eles são desenvolvido sempre de forma a manter a coerência da obra. Além disso, houve espaço para que o disco fosse um exemplo de produção musical pro hip-hop e pop, sempre muito surpreendente: nesse disco, encontramos até um sample muito bem usado de Joni Mitchell! Por esses motivos e muitos outros é que The Velvet Rope merece ser lembrado como um dos grandes discos dos 1997 e toda a década de 1990 e toda a história :)

 

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A Sétima Efervescência

Júpiter Maçã

A Sétima Efervescência é um álbum mucho loko. Se um alienígena viesse à Terra após a extinção da humanidade, achasse um CD do primeiro álbum de Júpiter Maçã e tentasse situá-lo em seu correspondente momento histórico, é provável que o pobre E.T. demorasse bastante tempo até descobrir que se trata de um disco de 1997. A psicodelia de sua produção é absurdamente magnética e, a princípio, lembra algo que ouviríamos em um disco d’Os Mutantes, mas logo o álbum traz suas muito bem articuladas influências de surf music e rock clássico. As letras do disco compõem um fluxo de consciência provocado por situações corriqueiras, mas que, de forma muito peculiar, desenvolvem temas como relacionamento, drogas e dimensões alternativas. É por isso que no mesmo disco temos faixas como "Eu e Minha Ex", "Walter Victore "Um Lugar do Caralho", essa última descrevendo o lugar para onde os fãs de Flávio Basso juram que ele foi após sua morte precoce em 2015. Sua autenticidade divertida e imprevisível tornam A Sétima Efervescência uma obra que evidencia a força do rock gaúcho e brasileiro, capaz de confundir os mais curiosos dos alienígenas.

 

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Baduizm

Erykah Badu

Esse foi o começo da carreira genial de Erykah Badu, a cantora de R&B que parece ter inventado sua própria espécie de introspecção. Baduizm traz uma Badu estreante, mas totalmente em controle da situação. É possível, ao escutar as batidas lentas e graves presentes em faixas como "No Love", imaginar Badu sentada num canto da sala deixando sua voz aveludada se propagar numa explosão de profundas emoções. Um dos elementos que mais chamam atenção nesse disco é a capacidade de composição de Badu, através da qual ela articula os temas de espiritualidade, romance e identidade, sempre mantendo uma elegância elevadíssima. Em Baduizm temos uma das grandes conquistas da carreira da artista em termos de canções, a inesquecível "On & On", que consegue se destacar num álbum repleto de faixas maravilhosamente poderosas. O introspectivo de Erykah Badu, desde a arte da capa, é tão alto e poderoso nesse disco que o torna uma das obras mais importantes de 1997.

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