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Somos o Timbre. Um espaço de opinião sobre música vibrando em novas frequências.

Os 50 Melhores Álbuns de 2017

Os 50 Melhores Álbuns de 2017

A gangorra em que o mundo se transformou em 2017 puxa e repuxa todos pela cabeça, e foi nesse não tão doce balanço que os artistas que figuram essa lista aceitaram a difícil, mas fértil missão de criar em meio ao caos. E do caos, a criação: obras que são espelhos virados contra essa sociedade que caminha descompassada. Há uma violência em quase todos eles. Mesmo os que buscaram construir um mundo todo novo e distante no tempo refletem a crise humana que não podemos ignorar. A do mundo e a da mente.

Mas estamos falando de artistas. E como os artistas que são, viram beleza nisso tudo. Viram piada, viram poesia e, lá no fundo, viram esperança. Esses são os 50 melhores álbuns de 2017.

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50. Soft Sounds from Another Planet

 

Japanese Breakfast

Soft Sounds é uma mistura de indie pop, lo-fi e experimentalismo, a partir da criação de uma atmosfera meditativa mas dançante, cruzando referências do indie rock e shoegaze. Para facilitar a visualização, a artista Michelle Zauner, que não é nem japonesa, e sim coreana, (gosta mesmo de confundir a gente, ela), já decidiu deixar o álbum explicado em seu próprio nome: Sons Suaves de Outro Planeta. De fato, as viagens desprendidas de Michelle, guiadas por sua voz (uma constante no cosmos expansivo de Soft Sounds), levam o ouvinte a outros planetas, em um embalo suave e charmoso pelas experiências da artista como moradora (visitante?) da Terra.
- Denyse Mathiesen

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49. Music for People In Trouble

Susanne Sundfør

A mais nova obra da norueguesa Susanne Sundfør é uma meditação sobre o mundo em caos. O disco parece partir de fora pra dentro, então para fora de novo. A beleza clássica de faixas como “The Sound of War”, com pianos e violões dedilhados, desembocam em drones e metais mais perturbadores que refletem um estado de espírito confuso referenciado no título de Music for People in Trouble. Uma bela obra de uma delicadeza triste e violência silenciosa.
- Victor Coelho

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48. Recomeçar

Tim Bernardes

Tim Bernardes, paulista de 26 anos, é vocalista da banda O Terno, que se destaca na sinceridade das suas letras e na pegada que é retrô, renovada, refrescante e meticulosamente construída (nós aqui do Timbre amamos). Melhor do Que Parece, terceiro álbum da banda, foi lançado em 2016 e foi um dos destaques inegáveis do ano. Em Recomeçar, lançado tão pouco tempo depois, Tim revela canções que parecem ter sido escondidas d'O Terno, ou que se esconderam, por pura timidez, como a pessoa mais introvertida da festa. Navegando em momentos de simplicidade com um violão, acompanhado de forma leve por ocasionais visitas de cordas, pianos e metais, e com uma pessoalidade profunda e serena, Recomeçar é uma bela exploração do lado mais vulnerável e íntimo de Tim.
- Denyse Mathiesen

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47. Crack- Up

Fleet Foxes

A volta de Fleet Foxes em Crack-Up após um hiato de 6 anos mantém muito do que a banda mostrava em seus dois primeiros discos: a harmonia de sua instrumentação, o vocal condutor de Robin Pecknold e vestígios do folk romântico através do qual a banda vê e conta suas histórias. No entanto, o mundo em que Fleet Foxes faz seu esperado retorno não é aquele em que a banda tinha dado seu “até logo”. É mais complicado e de difícil incursão, o que explica, mas não decifra, a obscuridade soturna cheia de camadas na qual Crack-Up parece mergulhar o romantismo que banda preservou através de seus trabalhos.
- Victor Coelho

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46. After Laughter

Paramore

Em After Laughter, quinto álbum do Paramore, somos surpreendidos pela pegada pop apresentada. Muitas foram as críticas, mas é incontestável o amadurecimento da banda, que resolveu trilhar um caminho ainda não explorado e que deu muito certo. Com uma sonoridade mais honesta e vulnerável, o grupo liderado pela voz poderosa de Hayley Williams mostra sua versatilidade em um álbum delicioso.
- Marlon Pierre

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45. The OOZ

King Krule

O hype estava forte perto do lançamento de The OOZ, após longos 4 anos do belíssimo 6 Feet Beneath The Moon, um dos melhores álbuns de 2013. Não há ninguém exatamente como King Krule no mundo da música atual, e The OOZ não poderia ser diferente, sendo um lançamento totalmente único em 2017. The OOZ é um álbum com camadas incontáveis, sutilezas e misturas de timbres e referências que se emaranham em um caos meticulosamente organizado e sofisticado de R&B, jazz e punk rock. É um alívio encontrar um álbum, na época de singles desenfreados e playlists automáticas, em que as músicas foram criadas para serem ouvidas em unidade, personagens em uma nave espacial em queda livre da lua.
- Denyse Mathiesen

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44. Fin

Syd

Depois do sucesso do The Internet em 2015 com o aclamado terceiro álbum do grupo, seu integrante mais singular resolveu trabalhar em um registro solo, que há quem diga ser ainda melhor que o Ego Death. Um mundo sensual é construído com batidas minimalistas e com a voz aveludada da Syd comandando a narrativa de sedução, luxúria e amor entre mulheres. Um álbum refrescante, de uma mulher, para mulheres.
- Guilherme Montassier

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43. Party

Aldous Harding

Em seu segundo álbum, a neozelandesa Aldous Harding encantou nossos ouvidos com o seu folk gótico, uma mistura delicada de arranjos de cordas simples, melancólicos e elegantes com a voz ecleticamente delicada e feminina da artista. Ouvir Party é adentrar um ambiente único, parte medieval, parte cabaré e cheio de romance inocente e campestre, como se fossem os pensamentos de uma dama de uma sociedade antiga e há muito desaparecida. Uma das revelações mais encantadoras do ano.
- Guilherme Montassier

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42. Saturation II

Brockhampton

Saturation II é o segundo capítulo da trilogia Saturation do coletivo de hip-hop que faz questão de ser chamado de boy band. Nascido da internet,  o Brockhampton pega o espírito millennial de inclusão e diversidade sobre DYI-de-sobrevivência que os define, e desenvolve até chegar num fim sólido, cheio de identidade. Eles navegam livremente o underground de uma outra vertente de rap, a da minoria queer, com uma ambição de quem fabrica um pop chiclete para as massas. O seu mantra é auto aceitação e auto confiança, seja com baladas dignas de um quarteto de jovens com cara de bebê (“Summer”, “Jesus”, “Gamba”),  produções experimentais e intensas (“Chick”) ou questões raciais ("Fight") e de sexualidade ("Junky").
- Mariana Benevides

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41. Big Fish Theory

Vince Staples

A teoria do grande peixe é o segundo álbum de Vince Staples e entrou nessa lista por ser uma mistura inovadora de club-rap dançante com as críticas trevosas sem dó de Vince. Pescando a maior parte das suas influências do lago da eletrônica em uma rave distópica, Vince aparenta estar fora do senso comum do rap, abandonando todas as suas referências anteriores e abraçando novas texturas, batidas e desafios. Vince chegou a zoar em entrevistas que estaria muito a frente do seu tempo, em um "Afrofuturismo", mas não está muito longe da verdade. Verdadeiramente não convencional e envolvente em toda a escuridão da sua rave, Big Fish é peixe grande mesmo.
- Denyse Mathiesen

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40. I Used to Spend So Much Time Alone

Chastity Belt

Ao longo das faixas de I Used to Spend so much Time Alone, Chastity Belt usa seu indie rock lo-fi para expressar a angústia que sente ao tentar ser completo e nunca conseguir num álbum que é muito coerente e de sonoridade estável, mas cujas faixas acabam sendo bem distintas entre si. É um disco que condensa o sentimento “millennial” de conflito entre seguir seus sonhos x pagar as contas. Ele é emocionalmente potente, mas suas explosões são contidas e os vislumbres de esperança em seus riffs de guitarra são pequenos, como que tocados por alguém não aguentaria mais uma decepção.
- Victor Coelho

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39. Rest

Charlotte Gainsburg

Quinto álbum da cantora-atriz francesa depois de 7 álbum e de longe o mais pessoal, Rest (de descanso), já indica o tema principal das suas 11 faixas: a mortalidade. É dedicado àqueles mais próximos que já se foram, especificamente à irmã (“Kate”) e ao pai (“Lying With You”), e inclui uma homenagem à escritora Sylvia Plath (“Sylvia Says”, uma melodia disco se o disco nascesse do new-wave oitentista). A produção minimalista de SebastiAn e Guy-Manuel Homem de Cristo, ½ do Daft Punk constrói um pop singelo, repleto de sintetizadores hipnóticos que pertencem ao final de uma festa, ao filme de terror ou um dia nublado passado num lugar isolado do resto da humanidade.  O passado assombra, a dor da perda perdura e naquela voz de quem não quer muita coisa, que mal um sussurro de quem acabou de acordar, Charlotte nos traz uma meditação a respeito da vida.
- Mariana Benevides

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38. Freudian

Daniel Caesar

Freudian é o álbum de estreia do canadense Daniel Caesar. Com apenas 22 anos, o cantor mostra um trabalho incrível e muito bem produzido. Com um R&B forte, Freudian conta com letras bem escritas e participações de Syd, H.E.R, Kali Uchis e Charlotte Day Wilson que potencializam o trabalho de Daniel, fazendo do seu debut um marco importante para sua carreira.
- Marlon Pierre

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37. Hug of Thunder

Broken Social Scene

Depois de 7 anos do último registro, foi uma delícia poder receber esse novo álbum do coletivo musical canadense. O que mais marca ao se ouvir o trabalho é a qualidade. Desde o álbum homônimo de 2005 que eu não escutava tanta coesão no escopo musical do Broken Social Scene. E o nome Hug Of Thunder é extremamente bem colocado para um som tão estrondoso, mas envelopado com a calma de um abraço caloroso. Uma jornada por amor, por se encontrar e para entender o caminho a percorrer para chegar lá.
- Guilherme Montassier

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36.Turn Out The Lights 

Julien Baker

É necessário ouvir Turn Out The Lights sem ninguém por perto para poder chorar direito, com paixão, como se não houvesse amanhã. É uma confissão de vício, religião, saúde mental, sexualidade, corações partidos e relacionamentos acabados, a sobrevivência que vem a partir disso tudo e a resiliência em continuar vivendo. Julien Baker é poderosa ao produzir melodias à base de violão, piano e a própria voz que podem ser levadas para a vida toda, mostrando a parte mais sombria e dolorida de si própria. De certa forma, ela consegue achar uma delicadeza e luz nisso tudo. É quase como ouvir os anos de 2016 e 2017 cantando de volta como um pedido de desculpa. É a coisa mais lindamente depressiva desde Elliott Smith.
- Mariana Benevides

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35. Wake in Fright

Uniform

Peso. Essa é a palavra que define o som da banda nova iorquina Uniform. Em seu terceiro álbum, a banda atraiu mais atenção pela evolução do seu som, que se apresenta no disco Wake In Fright ainda mais nervoso, carrancudo e desesperado. A base de bateria feita eletronicamente é uma porrada, e o que dita o espaço sufocante junto com a guitarra nebulosa são os vocais guturais do Michael Berdan. Esse contexto musical intenso e nefasto é o grande destaque da cena heavy metal em 2017.
- Guilherme Montassier

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34. Dedicated to Bobby Jameson

Ariel Pink

O novo trabalho de Ariel Pink é facilmente uma das maiores (e melhores) surpresas do ano, não por ninguém esperar um álbum ótimo do cantor e produtor, mas pela sua estranheza belíssima. É um disco que sai totalmente da caixinha, sendo acessível e simples, mas se dando toda a liberdade de despirocar. Dedicated to Bobby Jameson tem sua excêntricidade pop refletida em sua faixa principal, “Another Weekend”, uma grande obra que traz uma certa elegância chanson française com rupturas dramáticas que tornam inevitável o sorriso do ouvinte. É tão futurista e vulnerável quanto é retrô e blasé.
- Victor Coelho

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33. Drunk

Thundercat

Drunk é uma viagem louca e deliciosa pelo mundo criado pelo baixista e produtor Stephen Bruner, a.k.a Thundercat.  O álbum brinca com o soul, o jazz, hip hop, synth funk, new wave, aumentando as chances de uma tragédia sonora, mas para nosso alívio, Thundercat faz um trabalho incrível. Drunk é um álbum inovador, divertido e pode até ser meio confuso a primeiro momento, mas depois de alguns repeats é fácil perceber sua genialidade. 
- Marlon Pierre

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32. Not Even Happiness

Julie Byrne

Julie Byrne consegue nos transportar para seu mundinho particular apenas com sua linda voz e seu violão. Not Even Happiness é um álbum refinado e delicado, caminhando pelo folk e criando uma atmosfera acolhedora e poética. Completamente intimista, o álbum tem foco uma viagem ao autoconhecimento, colocando em pauta reflexões pessoais que sempre enfrentamos ao buscar nossos sonhos.
- Marlon Pierre

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31. Galanga Livre

Rincon Sapiência

Danilo Albert Ambrosio, ou Rincon Sapiência, brilhou esse ano em Galanga Livre, uma ode à cultura do rap e dos MCs, carregado de crítica social por meio da adaptação da saga do escravo Galanga aos dias atuais. O rapper de São Paulo ganhou notoriedade em 2016, com o lançamento de "Ponta de Lança", um funk empoderado com uma camada de eletrônico e uma mensagem clara: "Faço questão de botar no meu texto que pretas e pretos estão se amando". Em um misto de autoafirmação do jovem negro da periferia com declamações políticas e batidas dançantes e sensuais muito bem produzidas, Rincon não deixa dúvida em "A Coisa ta Preta", reapropriando o sentido da expressão. "É vitamina pra alma, melanina tem e todos querem degustar desse bom sabor".
- Denyse Mathiesen

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30. I See You

The XX

O The XX foi mais uma banda que se arriscou por caminhos ainda não explorados no seu novo álbum I See You. Diferente dos seus trabalhos anteriores, o terceiro álbum do grupo britânico vem mais agitado e dançante. As expectativas eram altas para o disco, e há quem afirme que não foram alcançadas, mas a verdade é que I See You é um álbum bem produzido e que mostra a versatilidade do The XX.
- Marlon Pierre

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29. Nothing Feels Natural

Priests

"É gostoso comprar algo que você não pode pagar!" berra Katie Alice Greer em "Appropriate", a incrível faixa de abertura do trabalho de estreia de Priests. O verso é entregue com o deboche impiedoso que atravessa todo o Nothing Feels Natural, um álbum repleto da angústia jovem que o punk sabe muito bem expressar, mas que aqui acaba olhando tanto para si próprio quanto para a sociedade desregulada causadora dessa raiva. Aplausos especiais para a bateria de Daniele Daniele que torna esse um dos discos punk mais porretas dos últimos tempos.
- Victor Coelho

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28. Antisocialites

Alvvays

A banda de indie pop Alvvays retorna com uma obra repleta de guitarras doces e lamentações resignadas de amor em Antisocialites. Com foco na voz suave de Molly Rankin, no reverb ao máximo e em uma sequência impressionante e quase perfeita de composições de altíssima qualidade, pescando referências do melhor do pop rock anos 60, é impossível não se deixar entrar no mundo da doçura melancólica de Antisocialites. A música de abertura, "In Undertow", definitivamente é um dos grandes destaques do álbum (e do ano também), resumindo o sentimento do disco. Em uma conversa pós coração partido, Molly questiona, sabendo que é inútil, se há alguma forma de resgatar aquela relação, aceitando em refrão explosivo e colorido que não há nada a se fazer.
- Denyse Mathiesen

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27. Painted Ruins

Grizzly Bear

Muita gente por aí tenta definir o som do Grizzly Bear em subgêneros como chamber pop, pop barroco, neo-psicodelia etc. E mesmo que você saiba ao que cada um desses rótulos se refere, continua sendo mega redutivo encaixar essa grande banda em qualquer um deles. Painted Ruins veio pra complicar ainda mais a situação. O pop até está lá, em faixas como "Mourning Sound" (entre as melhores do ano!), mas e momentos como "Neighbours", com sua percussão soturna e letra pesadíssima? Os álbuns do Grizzly Bear sempre foram quebra-cabeças lindos que não pedem para ser solucionados e Painted Ruins dá continuidade a essa tradição de forma majestosa.
- Victor Coelho

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26. Masseduction

St. Vincent

É sobre liberdade sexual, sexualidade feminina, sexo como moeda de troca numa cultura de massa, um flerte rápido com a fama, ansiedade e depressão, fetiches, gêneros, o processo de atual para ex-, a distância entre você e quem você mais ama, autodestruição, uma crítica a tudo, ou uma grande ficção. Não interessa. Ninguém precisa saber. Essa é a parte mais fascinante do MASSEDUCTION: o lado mais aberto e direto de Annie Clark ainda é um enigma. A sua complexidade é grandiosa – é o fruto que explora novas maneiras de fazer música, algo entre o rock vanguardista e o pop mais acessível já feito pela cantora até então (sim, são menos guitarras, cortesias do produtor Jack Antonoff). Seus vocais estão mais vulneráveis, sua guitarra um pouco mais distorcida e arriscada, e suas letras (“How can anybody have you and lose you, and not lose your mind too?”, em Los Ageless; “You’re the only motherfucker in this city who could handle me”, em New York; e por aí vai), simplesmente inesquecíveis.
- Mariana Benevides

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25. Cigarettes After Sex

Cigarettes After Sex

Em seu primeiro álbum, a banda texana Cigarettes After Sex conseguiu conquistar tanto o público mais focado em música, quanto um público mais mainstream. Seu disco foca em uma sonoridade ambient pop com uma pitada de shoegaze, com arranjos intimistas, utilização do espaço negativo para engrandecer as melodias suaves e letras que contam histórias de amores impossíveis e mulheres perdidas nessas situações. Uma temática universal em um invólucro convidativo e destinado aos fones de ouvido de mentes angustiadas.
- Guilherme Montassier

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24. This Old Dog

Mac DeMarco

Nunca vimos Mac Demarco tão emocionalmente despido quanto em This Old Dog, álbum afastado das leveza dos temas de amor e do cotidiano que costumavam dominar as obras do artista. Em This Old Dog, Mac para e reflete sobre a perda do seu pai, que o teria abandonado junto à sua mãe com apenas 4 anos de idade, e encara os sentimentos complexos da perda de alguém que você não gostava, mas que era inevitavelmente importante para a sua vida. A delicadeza tranquila das ideias melódicas de Mac e a simples franqueza com a qual ele consegue abordar esses temas sérios torna This Old Dog uma ouvida especial.
- Denyse Mathiesen

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23. Letrux em Noite de Climão

Letrux

“Existe amor depois do horror; até o amor ser bom ele é tão ruim”, Letícia Novaes canta e repete em “Amoruim”, o que faz com que Letrux Em Noite de Climão possa ser entendido como um álbum conceitual. O climão do título se refere ao todo o âmbito do amor: o romance, erotismo, a separação, a dor. A noite é literalmente o que os jovens chamam de night, luzes e lasers iluminando um lugar fechado, uma pista e um synth pop maravilhado com os anos 80 que consegue soar atual. 11 canções de amor como 11 personagens distintos na mesma festa, repletos de sarcasmo e amargura. Letrux Em Noite de Climão é você se afogando na bebida alcóolica de sua escolha pensando no @ enquanto se acaba de se divertir.
Mariana Benevides

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22. Pure Comedy

Father John Misty

Father John Misty, como bom ser cheio de crítica movido à sátira, largou o retrato marital de I Love You, Honeybear (2015), e decidiu falar sobre como esse planeta está lentamente virando uma bola de fogo ou um grande buraco negro – e que somos culpados por essa merda toda. Gente como a gente, utiliza do humor negro para lidar com o caos e ansiedade de viver em um estado perpétuo de desesperança ou ansiedade ou um pouco dos dois ou algo pior. A melodia é propícia a acompanhar a gravidade e seriedade das letras como uma orquestra na base da faixa título (“Their idea of being free is a prison of beliefs”), mas também há espaços para momentos mais intimistas (“Sometimes, I miss the top of the food chain, but what a perfect afternoon”, de "Things It Would Have Been Helpful to Know Before the Revolution") e uma ambição que beira à pretensão de uma faixa de 13 minutos (típico.) Josh Tillman, no seu terceiro álbum, se firma como um showman com um prazer em incitar debates sobre a sociedade e se ele realmente está falando sério (geralmente não, mas nesse caso sim).
Mariana Benevides

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21. Relatives in Descent

Protomartyr

2017 definitivamente foi um ano em que se destacaram lançamentos de bandas que estavam um tanto sumidas, e poucos comebacks foram tão impactantes quanto Relatives em Descent, 4o álbum do Protomartyr, banda americana de pós punk de Detroit. Relatives in Descent é um álbum que passa tensão desde as primeiras notas de "A Private Understanding", e exala incertezas e frustrações, tomando rumos sinuosos a passo pesado. Escrito em 2016, no contexto das eleições americanas (ahh agora tudo faz sentido, não é mesmo), em meio a uma perspectiva de futuro obscura e incerta, em vez de se recolher e silenciar, Relatives in Descent se exalta, se infla em um pleno confronto, fazendo um som de proporções tão gigantes que até Trump se assustaria.
- Denyse Mathiesen

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20. Utopia

Björk

Existe alguém tão único quanto Björk na música? Seu nono álbum é apenas mais uma demonstração de seu brilhantismo. Ela não consegue se repetir, e sua nova reinvenção contou mais uma vez com a produção ímpar do produtor venezuelano Arca. O eletrônico descompassado, cheio de sons orgânicos de uma flora extraterrestre dá base a voz singular da Björk, que vem com músicas sobre estar apaixonado, e as sensações que isso pode causar, além de uma divertida sequência de diss tracks para o seu ex-marido.
- Guilherme Montassier

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19. Process

Sampha

Sampha, que já trabalhou com grandes nomes da música (Solange, FKA Twigs), lança um álbum de estreia íntimo e profundo. Process é lindamente bem produzido, passeando pelo R&B e elementos eletrônicos, somados a instrumentos mais inusitados, criando uma sonoridade única para o álbum. As letras escritas por Sampha também são um grande destaque do álbum, cheio de emoções, sentimentos e dor.
- Marlon Pierre

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18. Flower Boy

Tyler, The Creator

Tyler, The Creator apresenta em Flower Boy uma pegada de soul e R&B pouco explorada pelo rapper em trabalhos anteriores. Depois de passar por algumas tretas envolvendo declarações homofóbicas e misóginas, Tyler trás como tema do seu álbum a sexualidade. Flower Boy é sem dúvidas um álbum de auto-descoberta, que mostra o lado frágil e solitário do cantor que ainda não conhecíamos.
- Marlon Pierre

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17. Heresia

Djonga

O álbum de estreia do rapper mineiro Djonga, Heresia, é um esculacho. O hip-hop nacional não cansa de produzir novos excelentes frutos, e o rapaz de 22 anos foi o mais suculento de 2017. Desde a capa fazendo alusão ao clube da esquina, o trabalho já cheira a clássico e como não devemos julgar um livro pela capa, ao ouvir o disco é uma porrada, tendo como destaque o flow único do artista, que destila versos e rimas de forma rápida e de forma extremamente direta, sobre as dificuldades de ser negro e pobre no nossa país. Um massacre sonoro.
- Guilherme Montassier

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16. American Dream

LCD Soundsystem

James Murphy, o letrista mais cínico dos rolês indies anos 2000, retorna ainda mais afiado 7 anos depois do lançamento do último álbum do LCD Soundsystem. Para quem duvidava que ele ainda teria algo a dizer após o encerramento espetacular das atividades do LCD, ou pior, que alguém ainda acharia relevância nos seus comentários (que sempre foram muito ligados ao sentimento iconoclasta anos 2000) não poderia ser mais surpreendido pelo produtor. Ao som das batidas praticamente já clássicas de LCD, James reconhece que está mais velho em "Tonite", enfrenta o sentimento incrédulo dos fãs que cercou o retorno de LCD em "Change yr Mind", e esculhamba o ex-parceiro musical Tim Goldsworthy em "How do You Sleep?", deixando o ouvinte com a sua reflexão sobre o que seria o sonho americano para alguém como ele em "American Dream". No final das contas queríamos o tempo todo que LCD voltasse, e apenas não sabíamos.
- Denyse Mathiesen

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15. Take Me Apart

Kelela

Você já ouviu música que, ao mesmo tempo, possui contornos alienígenas e batidões de hip-hop, com melodias e vocais de R&B e letras finíssimas? Se a resposta for não, você claramente ainda não ouviu o muito aguardado disco de estreia de Kelela. Take me Apart, em grandes faixas como "Frontline" e "LMK", traz a simplicidade magnética do R&B dos anos 90 envolvida por drones e  sintetizadores na sua produção intimista, mas ousada, com os vocais da cantora alternando entre a fragilidade dolorosa e a sensualidade intimidadora.
- Victor Coelho

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14. Lá Vem a Morte

Boogarins

São poucos aqueles que conseguem criar um som próprio e único em tão pouco tempo, fazendo-o de uma forma magistral, quase poética. A cada projeto que passa, o Boogarins subverte expectativas e refaz regras. O seu rock psicodélico parece brincar com sentidos e impressões – meio colorido, meio opaco, alerta e quase dormente ao mesmo tempo. As texturas crescem e se desdobram, refeitas e destruídas de uma maneira imprevisível. O terceiro álbum da banda de fato é o mais experimental, o mais doido, o mais eletrônico e o mais sensível. Não existe nada ou ninguém parecido com a banda de Goiânia.
Mariana Benevides

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13. Peasant

Richard Dawson

Mesmo tendo um estilo musical muito difícil de ser abraçado, o músico Richard Dawson conseguiu chamar a atenção com seu majestoso Peasant pela maestria e o cuidado de criar um folk ao estilo medieval com instrumentação impecável para dar suporte a narrativa brilhante do registro. São 11 faixas, e cada uma é uma cena de um pequeno musical, pela visão de alguém em uma posição na sociedade camponesa feudal, seja um ogro perseguido, um soldado, uma prostituta, um pedinte ou um massagista de casas de banho. Inovador, mesmo se inspirando em séculos passados.
- Guilherme Montassier

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12. I’m Not Your Man

Marika Hackman

Trazendo o grunge para 2017, Marika Hackman criou um álbum completíssimo com I'm Not Your Man. Nele, a cantora britânica de 25 anos ri da cara da heterossexualidade (literalmente, em "Boyfriend") e mostra toda sua personalidade forte que reside mesmo na introspecção característica de seus trabalhos, criando momentos de tensão apenas com os acordes de sua guitarra. São canções muito bem escritas num álbum de produção excelente, ocasionalmente acenando para o folk em que Marika tradicionalmente trabalha.
- Victor Coelho

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11. Pajubá

Linn da Quebrada

Esse álbum é motivo de muito orgulho. Para a comunidade LGBT, principalmente para as transexuais. Com sua visão de arte e de conceito impecáveis, a paulistana Linn da Quebrada nos agraciou com seu Pajubá em 2017. As batidas regionais, principalmente do funk, mas passando pelo hip-hop, eletrônico e por ritmos mais folclóricos são de um nível absurdo, botando qualquer derrière para rebolar. A artista comenta a vida da comunidade LGBT pobre e moradora de periferias e comunidades de um jeito debochado, com muito humor sexual e palavrões. É um som de resistência, de afronte, de cara a tapa e de afirmação. Agradecemos.
- Guilherme Montassier

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10. Brutalism

Idles

Brutalism é o único título possível para o álbum de estreia do quinteto inglês uma vez que tudo nele é colossal e selvagem. O punk do IDLES é uma proeza de fúria, de resistência, suado e com sangue nos olhos. É uma crítica à sociedade capitalista e a divisão de classes, cega ao próprio privilegio feito por quatro homens brancos que, sim, fazem o mínimo: reconhecem a sua posição “especial” no mundo apenas por serem quatro homens brancos. Nem por isso o poder da sua mensagem se perde. De certa forma, e talvez seja a energia da bateria e do baixo junto às letras honestas, ela engata numa intensidade própria. Brutalism é uma viagem rápida e de punhos fechados, pronto para o confronto com todos os pilhares de poder sem nunca olhar pra trás.
Mariana Benevides

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9. Run The Jewels 3

Run The Jewels

Run the Jewels é um duo composto pelo rappers El-P e Killer Mike. O terceiro trabalho do duo, intitulado Run The Jewels 3 (ou RTJ3, se for mais fácil) é forte e eletrizante. Com letras intensas, batidas agitadas e impactantes, o álbum conta o cotidiano americano e temas como racismo e violência. É impossível não ser impactado com o trabalho realizado pelo duo nesse terceiro álbum, especialmente nos momentos em que um joga um verso para o outro, como numa batalha de rap frenética.
- Marlon Pierre

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8. Todas as Bandeiras

Maglore

A banda baiana Maglore é uma das mais completas do rock brasileiro na atualidade. O grupo que já explorou diversas sonoridades durante sua carreira, mostra com maestria em Todas as Bandeiras que são capazes de um trabalho coeso e interessante. Maglore traz temas como a solidão, desilusões amorosas, e outros temas complicados de serem enfrentados, mas de uma forma leve e, por vezes, divertida. Todas as Bandeiras é um álbum sensacional e bem brazuca.
- Marlon Pierre

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7. Sleep Well Beast

The National

Seria o The National a melhor banda do universo? Pra mim, sim. Seria o The National incapaz de fazer um álbum lindo, que transcreve as ansiedades e Bad Vibes™ mais corriqueiras da vida da forma mais poética possível? Aparentemente sim. O universo no qual a banda vive é de uma turbulência mental e emocional interna que raramente se transpassa em público. Ou para ninguém. É intimista e introvertido, mas com um coração enorme apesar de despedaçado. A voz de Matt Berninger é mais melancólica, suas letras finalmente atingem um nível meio preocupante (vulgo a existência inteira de “Day I Die”) mas não menos característico ou relevante. A banda toma alguns riscos visto nos flertes eletrônicos de algumas músicas e nas guitarras carregadas de “Turtleneck”, principalmente o solo (!) de “The System Only Dreams in Total Darkness” sem nunca se perderem. Sleep Well Beast é o oitavo registro do quinteto e sim, eles ainda estão meio perdidos na vida.  Mas quem é que se achou?
Mariana Benevides

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6. No Shape

Perfume Genius

Mike Hadreas, também conhecido como Perfume Genius, chegou em 2017 para tornar sua impecável discografia ainda mais única e irreverente. Em seu quarto disco, o cantor e compositor apresenta cada faixa com muita certeza de que merece a felicidade. Assim, ele se desfaz de pretensões de controle e hesitação, entregando, em No Shape, uma obra explosiva e belíssima, com um pop de lavar a alma dos mais pesados sentimentos. Na cadência de grandes momentos como o da faixa "Slip Away", caminhamos junto a Hadreas rumo a lugares incríveis.
- Victor Coelho

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5. Capacity

Big Thief

There’s a woman inside of me, there’s a woman inside of you too”. Esse verso da faixa de abertura do segundo álbum dos americanos do Big Thief é muito simbólico do que o registro quer passar. Capacity é de uma beleza sutil, é um conjunto de canções que soam como um álbum de família sendo dividido entre as mulheres da família. A textura sonora do disco é calma, íntima, dedicada à minúcia e aos detalhes de relações próximas, vividas por anos. Todo esse tempo causa atrito e mágoas mas também o tipo de afeto que é um porto seguro, um alívio para os problemas da vida. As faixas dessa obra-prima retratam isso com músicas certeiras, melodias cativantes, que ficam na memória. É uma delícia fazer parte desse universo feminino, ao mesmo tempo acolhedor e cheio de cicatrizes. Uma das grandes experiências auditivas de 2017.
- Guilherme Montassier

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4. Melodrama

Lorde

O novo álbum de Lorde foi um dos mais esperados desse ano. A cantora neozelandesa que bombou em 2013 com seu álbum de estreia Pure Heroine, apresentou ao mundo um trabalho impecável. Melodrama conta todas as reflexões da vida da cantora durante uma festa. Com faixas que exploram a voz grave de Lorde apoiada na produção de Jack Antonof, Melodrama é um álbum que trilha novos caminhos, mas que mantém uma sonoridade rica e singular que só Lorde sabe fazer. 
- Marlon Pierre

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3. Slowdive

Slowdive

22 anos após o lançamento de seu último trabalho, Slowdive retornou. Se diferenciando dos seus mais aclamados trabalhos da década de 1990, o álbum homônimo da banda traz uma bela leveza que sustenta a carga emocional do trabalho, preservando características do shoegaze que eles ajudaram a consolidar. Cada faixa cria um ambiente onírico de instrumentos que se sobrepõem de forma muito orgânica, onde habitam belas composições sobre dor e amor. É como visitar um lugar que não existe ou resgatar uma memória nunca vivida. E assim podemos ter certeza de que estamos diante de uma obra especial.
- Victor Coelho

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2. DAMN.

Kendrick Lamar

O antecipadíssimo lançamento pós To Pimp a Butterfly mostrou mais uma vez a capacidade de Kendrick Lamar de surpreender todos nós. Uma despedida completa de TPAB em termos de estilo e influências, DAMN. se diferencia muito de TPAB também por ser uma obra mais acessível, direta e bruta. No entanto, Kendrick permanece no papel de contador de histórias, sempre enigmático e exímio, abusando dos simbolismos e utilizando-se da melodia e ritmo como ferramenta para representar e reforçar o espírito do seu conto. Em uma odisséia de antíteses (PRIDE. x HUMBLE, LOVE x LUST), Kendrick discorre sobre o que lhe aflige em nível existencial, questionando seu papel no mundo e as contradições presentes na sua vida, sem desistir do seu apelo pop. Embora o rapper muitas vezes se sinta deslocado em seu caminho pela Terra, DAMN. é mais uma evidência de que o artista tem lugar garantido na realeza do hip hop, dominando a arte de fazer um álbum com conceito, começo, meio e fim.
- Denyse Mathiesen

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1. Ctrl

SZA

Valeu a pena esperar o álbum de estreia da cantora SZA (see-za). CTRL é um ensaio sobre ser jovem nos tempos atuais: meio fodido mas tentando mesmo assim, apesar de tudo. Acima de qualquer coisa, é feito de uma mulher negra para outra, e outras; que lutam contra os próprios demônios sejam, sejam internos ou não. E principalmente, o auto controle. Feita por uma mulher negra sobre como é lidar com a própria auto estima, a rejeição e o amor próprio enfraquecido com relacionamentos com aqueles denominados embustes que por fim levam ao amor próprio. Vulnerabilidade pura, pintando quadros que não são tão bonitos assim de se ver e muito menos de confessar (“My man is your man”, canta em “The Weekend”), mas que existem por um motivo. A potência e a emoção dos vocais sobre samples e uma instrumentação simplista que rege e guia todos os sons e batidas ao seu redor cria um R&B que precisávamos em 2017: sobre como é bom ser uma mulher livre.
Mariana Benevides

 

Abaixo, você confere a playlist que preparamos com nossas seleções dos álbuns presentes na lista. Dá o play e mete o loko!

As 100 Melhores Músicas de 2017

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O Clubinho de Álbuns do Timbre

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