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Cícero e Albatroz - Cícero e Albatroz

Cícero e Albatroz - Cícero e Albatroz

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Cícero e Albatroz

Cícero e Albatroz
Sony Music
Dezembro/2017
MPB, Indie Rock
O que achamos: Ruim

Em 2011, Cícero despontou no cenário da MPB com seu aclamado álbum Canções de Apartamento. Seu estilo leve, despojado, com letras por vezes bem literárias, foi um sucesso entre a crítica especializada e o levou ao topo da pirâmide da música nacional. Desde então, foram lançados mais três registros, e no final de 2017, nos foi entregue o quarto álbum, homônimo do músico e da banda que sempre o acompanhou nos shows, que agora tem seu próprio nome.

Vamos começar com o que é bom, que tem muito a ver com a banda. A parte instrumental do álbum é a grande conquista do trabalho. Ouvir as melodias singelas e delicadas criadas pelo grupo é muito gostoso, e eu acredito que todos os instrumentos estão no ponto certo, e criam uma atmosfera gostosa de fim de tarde e início de noite em um lugar urbano, mas com uma certa proximidade do litoral. Os momentos em que o saxofone aparece são particularmente contagiantes.

O problema é quando avaliamos as outras partes do álbum. A voz do Cícero nunca foi marcante, mas nesse trabalho em especial ele parece ainda menos inspirado vocalmente. A voz do músico não inspira nem excita muitas reações ao ouvido, e o trabalho vocal arrastado dá um certo ar de preguiça nas canções que não funciona muito bem com o contexto que quer ser passado.

Em relação ao referido contexto, outro problema do trabalho do Cícero é que as letras chegam a ser pretensiosas. Não são letras de fácil assimilação, mas também não propõem nenhum sentido artístico notável para que o ouvinte siga com as canções. Em músicas como “A Ilha” por exemplo, não conseguimos nos encantar com o jogo de palavras, nem entender exatamente do que se trata. Segue o primeiro verso como exemplo: “Por onde vou/ Não vai o caos que me cerca/ Cabeça adentro, um lar/ Por onde vou/ Não vai o mal que me alerta/Cabeça-alento, olá”.

Logo, as letras e voz não ajudam o ouvinte a se envolver na narrativa urbana de amores em cidade grande, na solidão que isso causa, e da degradação dos corpos e das construções urbanas, com iminentes desastres naturais ajudando nessa decomposição. Pois apesar dessa iniciativa de narração que poderia ser um sucesso, saímos da experiência nos perguntando se um álbum instrumental apenas pela banda Albatroz não seria melhor.

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