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Highway 61 Revisited - Bob Dylan

Highway 61 Revisited - Bob Dylan

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Highway 61 Revisited

Bob Dylan
Columbia
Agosto/1965
Folk, Rock, Electric Blues
O que achamos: Obra-Prima

Bem, por onde começar? O sexto álbum do Bob Dylan, Highway 61 Revisited é um marco histórico da música em escala global. Depois de anos compondo músicas apenas com sua gaita e violão, a entrada de uma banda com instrumentos elétricos no seu álbum anterior, o também de ’65 Bringing It All Back Home, foi um baque para os fãs ardorosos do músico e para a crítica que beijava os pés de Dylan. A revolta durou pouco porém, e essa nova adição passou a ser marca das faixas do artista.

O álbum é considerado um dos seus melhores, e um dos melhores de todos os tempos. E é difícil discordar dessa posição ao ouvir algo tão grandioso. Utilizando a mesma base melódica do seu folk já estabelecido, de repetição de sons em estrofes e refrãos memoráveis, Dylan nos leva em um passeio pelo cenário caótico de um EUA no meio da Guerra do Vietnã e de mudança nos direitos civis. Esse contexto nos trouxe uma das melhores cartilhas de letras do vencedor do Nobel de Literatura de 2016.

Ninguém escreve uma letra de música como Bob Dylan, pelo menos até Janeiro de 2018 esse artista ainda não apareceu. O Highway 61 Revisited começa apenas com “Like A Rolling Stone”, que é considerada por muitos a melhor música de todos os tempos. No meio de todo esse período revolucionário dos anos 60, Bob descreve uma pessoa que era afortunada em riquezas monetárias e sociais e sua posterior decadência a pobreza. “How does it feel?/To be on your own/With no direction home/Like a rolling stone”.

Após essa porrada na cara da burguesia sessentista, o álbum passeia de várias outras formas pelo sentimento de mudança, mas de uma forma árida e desesperançosa. “Because something is happening here/ but ya don’t know what it is/do you, Mr. Jones?”, Dylan canta em “Ballad of A Thin Man”, evidenciando de forma desértica na minha música favorita do álbum a paranóia desse período da história.

Ao final do registro, “Desolation Row”, a única música acústica da tracklist, é um épico de 11 minutos, citando vários personagens da história e como eles interagiriam em um mundo alternativo ligado a uma fileira de desolação, como no título. Uma ode à como a instituição ser humano estaria miserável e degradada, confusa e sem direção. Junto com a música-título, demonstram a capacidade metafórica de Dylan em explorar a psique humana em suas letras, colocando personagens (reais ou fictícios) distintos e distantes em um mesmo contexto (também real ou fictício) para trazer caos e humor às suas letras tão bem estruturadas, o que é um contraponto de uma beleza sutil.

Com o instrumental no ponto, as letras desafiadoras e um contexto que invade a alma de forma acalentadora, ainda que sem perdão, Bob Dylan gravou em 1965 uma obra-prima. É impossível não se envolver e se comover com a precisão melódica e sentimental implementada pelo artista, que é uma escola à parte dentro do mundo da música. Highway 61 Revisited não só é essencial por si mesmo, mas como evidência da presença de um gênio entre nós. Aplausos.

Camila - Camila Cabello

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