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Ephorize - cupcakke

Ephorize - cupcakke

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Ephorize

cupcakKe
Independente
Janeiro/2018
Hip-Hop
O que achamos: Excelente

Elizabeth Harris tem 20 anos e já mostrou ao mundo a que veio. Depois de surgir na esfera online em 2012 e viralizar no Youtube em 2015, a rapper de Chicago primeiramente revelou ser altamente prolífica: são duas mixtapes lançadas no mesmo ano (Cum Cake e S.T.D. - Shelters to Deltas, 2016) seguidas pelo o seu debut (Audacious, também de 2016) e Queen Elizabitch, lançado em março do ano passado. Não é fácil produzir tanto e produzir bem, mas Cupcakke consegue subverter expectativas. No seu terceiro projeto, ela consegue elevar o seu material à novos níveis, também.

“Ephorize” é o projeto magistral de uma curta carreira sem pontos baixos. É hip-hop versão proibidão, sem pudor algum, tão casual quanto uma roda de amigos íntimos, e tão engraçado quanto as indiscrições do teu grupo de mais chegados do WhatsApp ou o teu rolê. Reza a lenda que a inspiração primária de Cupcakke é clássico “My Neck, My back” da Khia, uma das músicas de hip-hop mais eróticas e explicitas em conteúdo de todos os tempos. Se for assim, então tudo - ou grande parte - faz muito sentido.

A base de Cupcakke e uma parcela considerável do seu apelo estão nessas letras sexualizadas, porém hilárias, legendas prontas de redes sociais das quais os seus parentes não fazem parte e mantras inspiracionais. Outra parte estão no seu carisma e no seu flow memorável que, às vezes, eclipsa tudo ao seu redor, ainda mais numa produção forte mas não tão chamativa da qual os desconhecidos Def Starz e Turrekk são responsáveis. As batidas são diversas — o destaque “Duck Duck Goose” possui uma vibe mais eletro, o sample que guia “Navel” é uma flauta à la “Mask Off” (Future), “Total” é um house que se encaixaria muito bem em qualquer DJ top™ ou intro de canal do Youtube, “Single White Taken” é um basicamente um trap, e por aí vai. É interessante tentar adivinhar qual será a mudança da próxima música mas o jogo é se surpreender e se impressionar com a adaptabilidade da rapper.

Ephorize vai bem além da baixaria franca e desbocada. São temas que giram em torno de auto estima e mensagens empoderadoras, relatos de sobrevivência sérios, referências ao mundo da cultura pop que arruínam a sua infância (“Cartoons”), feminilidade negra, uma bandeira hasteada em nome do movimento sex and body positive (“2 Minutes”) e pró-LGBT (“Boy on boy / Girl on girl / Like who the fuck you like, fuck the world!” de “Crayons”). Eles são essenciais e impactantes mesmo que às vezes eles se percam na carnalidade.

As 15 faixas são repletas de desejos sexuais que ainda impressionam a sociedade por alguma razão, especialmente quando esse corpo está fora dos padrões e se ama. As metáforas, imagens e hipérboles (“I’m real wise when I speak / I’m using my wisdom teeth”, "Wisdom Teeth") tendem a ser retratadas como grandes fluxos de consciência absurdistas que sempre contam uma história vale a pena ser dita de uma maneira descomplicada, no ápice da vibe “rima é só mais uma forma de fazer poesia”. É um mundo próprio. Sem vanglórias de conta bancária, sem bebida, sem droga, sem nada disso.

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