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Somos o Timbre. Um espaço de opinião sobre música vibrando em novas frequências.

Ser um fã de música é ser para sempre incompleto.

Ser um fã de música é ser para sempre incompleto.

O que se aprende convivendo com a sensação de que, quanto mais descobrimos, mais há a ser descoberto.

 "Light Drizzle" de  Ishman

"Light Drizzle" de Ishman

Quando tento situar no tempo o meu “despertar” para a música, concluo que ele aconteceu por volta dos meus 17 anos, quando comecei a ouvir artistas menos conhecidos e aceitar que eu conseguia achar obras maravilhosas dentro de qualquer gênero musical. Desde então, a música tomou um lugar muito importante na minha vida. Apesar da minha falta de talento para os instrumentos ou para o canto, eu encontrei um lugar na plateia, onde sento feliz, de olhos fechados, e vejo as cores dançando e explodindo em minha mente ao experimentar música, podendo dizer que ela é parte da minha vida. O fato é que, mesmo sendo esse fã de música que afirmo ser, existem inúmeras obras e artistas “obrigatórios” que eu nunca ouvi ou por quem não me interessei tanto.

Talvez meu “despertar” relativamente tardio seja responsável por essa pilha de pendências musicais que eu acumulo, mas a verdade é que ninguém consegue realmente apreciar e saber de tudo... Se bem que é muito fácil achar gente que afirma que já conhece tudo o que a música tem para oferecer de relevante. Não acredite nessas pessoas. Não é possível, pelo menos na minha perspectiva, se aprofundar muito em um artista, por exemplo, sem deixar tantos outros de lado, ou querer ouvir todos os gêneros musicais sem carecer da atenção necessária para conhecê-los intimamente.

Tanto faz. Uma importante e deliciosa parte de ser um fã de música é aceitar com simplicidade a existência de muitos presentes que a história da arte está guardando para nós, e nos compete apenas ir atrás deles com os ouvidos abertos. Ou não! O David Bowie tem mais de 20 álbuns de estúdio, e eu sinto muito de verdade, mas acho que não quero passar a minha vida sendo um expert na discografia dele. E tá tudo bem, pois eu ouvi o Low recentemente e ele é maravilhoso, mas logo depois conheci o disco recém-lançado de uma jovem neozelandesa que provavelmente não entrará para a história, mas que eu sei que nunca vou esquecer.

Ser um fã de música é ser para sempre incompleto. E essa é a maior alegria que a gente pode vivenciar nessa condição. Existem muitos clássicos ditos obrigatórios por aí, obras reconhecidas e aclamadíssimas, e você provavelmente gostará de muitas delas, caso um dia pare para ouvir alguma. E existe, certamente, alguma outra obra perdida no tempo, que não aparecerá na lista de “melhores do século” de nenhuma publicação renomada, mas que talvez seja exatamente o que você precisa. Vai saber.

Sem dúvidas, nem sempre essa alegria fica evidente. Existe uma ansiedade, uma aflição inquieta que agita lá no fundo do peito quando nos vemos diante de uma imensidão de obras já lançadas ou quando os novos lançamentos aparecem, todos os dias, e simplesmente não há tempo para acompanhar tudo. O que fazer? Aonde ir? Quem sou eeeeeeu? Felizmente, para essas perguntas, a música ajuda a descobrir que a resposta é sempre incompleta. E aí é que se entende que a aflição da pequenez diante da vastidão é, na verdade, uma alegria que não acaba.

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