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Alice - Alice Caymmi

Alice - Alice Caymmi

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Alice

Alice Caymmi
Universal Music
Janeiro/2018
Pop, MPB
O que achamos: Fraco

Aquela voz. Essa voz. Que voz! Essa foi a sensação com que todos ficaram em 2014, com o Rainha dos Raios, segundo álbum do mais novo ato musical de sucesso da família Caymmi, a talentosa e carismática Alice. Com uma mistura de composições novinhas e versões refrescantes de clássicos da música brasileira, o álbum foi aclamado pela crítica e trouxe uma leva de novos fãs para a cantora, que fez vários shows lotados brasil afora. Afinal, o registro era cativante, artístico, desafiador. Ouvir aquelas músicas é ser pego desprevenido, um encontro do antigo com o contemporâneo de forma bela e esteticamente exata.

Um pouco menos de 3 anos depois, ano passado, Alice gravou uma versão em português do hit “Loca” da Thalia, com produção eletrofunk do João Brasil. A versão ficou maravilhosa, com a voz grave da artista em desespero, se rendendo à loucura do amor com uma excelência digna de um fado português. Esse single solto já indicava os caminhos que Caymmi queria trilhar no seu próximo trabalho: uma sonoridade mais aprofundada no pop, aproveitando sua já consolidada fanbase para se expandir para um universo mais radiofônico.

Eis então que recebemos o álbum Alice. Da minha parte, eu fiquei muito ansioso por esse novo trabalho, porque o Rainha dos Raios fez o meu 2014. E a decepção foi, infelizmente, grande.

“Tudo que eu quero te falar/ É muito simples, muito simples mesmo”, começa o álbum na faixa “Spiritual”, incitando uma comunicação com alguém por quem se tem sentimentos que não é tão complexa quanto se parece. Infelizmente, faço disso uma metáfora para o que achei do disco: algo que nunca sai do muito simples, que não diz a que veio.

Com a incorporação de novas letras, a ausência de “Louca” e uma produção pop no estilo Jaloo que engole em importância as mensagens das faixas em si, o álbum decepciona pois se esperava que uma artista do nível de talento da Alice fosse ser um pouco mais ousada. Ouvindo o novo trabalho de estúdio da cantora, a sensação é de que tudo ficou um pouco dentro de uma zona de conforto de uma produção que para 2018, apesar de ótima, já não é mais novidade, e que as músicas compostas não elevam o padrão da discografia da cantora dentro desse novo gênero proposto. As músicas trazem letras no geral não muito criativas sobre amor, tanto de forma negativa quanto positiva.

Dito isso, o single “Inocente” e especialmente a música “A Estação” (a melhor combinação de música dançante radiofônica com letra cativante e vozeirão do álbum) não deixam o álbum ser uma coletânea de canções falhas, ajudando o disco a ser um pouco mais interessante e memorável. As participações de Rincon Sapiência (que rouba a cena na fraca “Inimigos”) e Pabllo Vittar foram excelentes apostas para manter o interesse no decorrer das faixas também, pelos dois terem sido figuras importantes no cenário musical. E essa capa, misturando uma beleza gótica num ambiente aquático florido com com um coração neon é um esculacho.

A tarefa de seguir a qualidade depois de um monstro como o Rainha dos Raios é muito difícil, e eu dou todos os descontos para a Alice Caymmi por tentar se reinventar e não cair na mesmice. Infelizmente o conteúdo não amplia a palheta de cores da carreira da artista da melhor maneira. Ao final de um processo meio cansativo, o final do álbum, na música “Eu Te Avisei”, que tem a função de ser um crescendo para finalizar a obra, o cansaço (e em pouco mais de meia hora) e a má posição das faixas impedem a total apreciação do homônimo que tanto prometia. Uma pena.

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