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The Worm's Heart - The Shins

The Worm's Heart - The Shins

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The Worm's Heart

The Shins
Aural Apothecary/Columbia
Janeiro/2018
Synth Pop, Indie Rock
O que achamos: Fraco

Heartworms, disco do The Shins do ano passado, é um trabalho cheio de ideias boas e competente, mas que, no fim das contas, me pareceu meio aguado e morno demais das vezes em que o ouvi. Por esse motivo, fiquei bem empolgado quando soube que James Mercer, líder da banda, iria lançar uma versão totalmente reimaginada do disco, intitulada The Worm’s Heart.

Se, por um lado, eu não me importo muito com os motivos pelos quais a banda chegou à tal decisão, por outro, eu fico meio em dúvida sobre a melhor forma de construir uma crítica para uma obra dessa espécie. Eu tenho que comparar as duas versões? Parece-me desnecessário, mas inevitável. Então tiremos logo isso do caminho... De forma geral, o álbum é bem distinto de sua versão original. A tracklist, por exemplo, foi toda invertida, sendo “The Fear”, a última faixa de Heartworms, colocada como a primeira em The Worm’s Heart, na sua versão flipped.

O que acontece em diante é uma série de efeitos “espelho”. O indie rock com pitadas de synth pop da banda vira um synth pop carregado com pitadas e indie rock. A já mencionada “The Fear”, que tinha uma pegada acústica com arranjos meio mariachi bem bonitos, ganhou uma roupagem mais pesada e sintética, com o vocal de Mercer abafado e elementos psicodélicos que enfeitam a faixa. O resultado é legal justamente pela comparação, mas seria uma faixa totalmente esquecível caso não houvesse esse lado para explorarmos. A primeira versão de “Half a Million”, a mais synth pop do disco original, se mantém divertida na sua versão espelho, que é, na verdade, um reggae sem muitas ambições. “Fantasy Island” continua sendo uma forte parte de ambos os discos. Com uma letra louvável e confessional, ela flerta com um rock sessentista.

Já deu pra entender que são discos bem diferentes, conectados, basicamente, pela letra das canções e os vocais, que ainda foram regravados. Além disso, o que os aproxima, e eu acho que isso não foi proposital, é que essa versão é tão aguada quanto aquela. A criatividade dever ser reconhecida, pois The Worm’s Heart acaba ousando em vários momentos (“Painting a Hole” é uma bela surpresa), mas no geral a coisa perde a coerência, exigindo um esforço chato para ouvir a obra do início ao fim, e tudo o que se ouve parece que poderia ter ido um tantinho além para passar do "ok" para o "muito bom".

Então, no final, ficamos com um disco que é legalzinho, mas apenas se você ouvir sem escutar, e que não cativa muito, tirando uma ou duas faixas. De qualquer forma, não acho que o álbum tenha sido recriado para agradar críticos e blogs, mas para atender uma vontade genuína de reinventar e brincar com a música, e eu aplaudirei essa honestidade em qualquer ocasião.

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