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All Melody - Nils Frahm

All Melody - Nils Frahm

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All Melody

Nils Frahm
Erased Tape Records
Janeiro/2018
Ambient, Clássica Moderna
O que achamos: Bom

Ouvir um álbum do Nils Frahm é uma experiência e tanto. É como sentir seus ouvidos captando sons frágeis e dóceis para ir aos poucos colocando seu corpo em contato com o seu eu interior, com o ser humano e, de fato, sendo humano. É uma demonstração pura e devocional de ser artista, de colher emoções do singelo, de dar forma às centelhas estruturais que saem de dentro de nossos pensamentos diários. E tudo isso é feito com muitos instrumentos, mas que parecem pouquíssimos devido à leveza sonora, à calmaria que a música do compositor alemão passa.

Por isso, o título All Melody é muito perspicaz, não só por ser música instrumental, mas por ser melodia na sua forma bruta, da maneira mais básica que podemos construir. O que diferencia as canções de Nils Frahm de outras é a forma como são construídas. Esse novo álbum – seu oitavo – segue a tradição autoral da sua discografia, que conta com os aclamados Felt de 2011 e o brilhante Spaces, lançado dois anos depois, em 2013, em utilizar ambientes que reproduzem o som de forma grandiosa para ampliar as palhetas de cores feitas pelos seus instrumentos.

E são muitos instrumentos! Com sua mistura de música clássica, eletrônico ambient e uma pitada de jazz, dá para imaginar tudo que é utilizado para gerar tantos sons. A mistura de pianos, teclados, drum machines e, nesse álbum, até um saxofone, é monumental. Ela cria uma leveza e uma elegância distintas, como um eco distante vindo dos anos 3000, de uma geração humana perdida e em busca de conexão através de gravações sonoras como essa.

A temática de All Melody é justamente explorar como sentimos a música, através de repetições de sons pequenos e contagiantes, que,quando unidos, nos transportam. Em algumas músicas a incorporação de corais dá ao ouvinte a sensação de ser transportado para algum teatro antigo, tocando algum ensaio futurista avant-garde. Essa mistura do antigo com o novo, da tradição com o que ainda está por vir é encantadora.

O álbum peca porém, na sua falta de versatilidade. Apesar de indefectível na sua composição, seus 73 minutos de duração apagam um pouco do seu brilho, pois as últimas faixas já começam a ficar muito semelhantes entre elas. Um corte na tracklist ou uma abordagem menos minimalista em alguns momentos poderiam funcionar para que a atenção não se perdesse no último terço do registro.

Ainda assim, eu consigo enxergar essa como a obra mais amigável para o ouvinte casual. Frahm conseguiu abrir ainda mais humanidade em sua música, e mostrar que ela não está tão inacessível como o gênero que o artista segue pode sugerir. Músicas como “A Place” e “Human Range” são refrescantes e ótimas companhias para um momento de reflexão e relaxamento. Um excelente lançamento, que me deixou ainda mais ansioso para o desenvolvimento futuro da discografia do músico!

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