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How to Solve our Human Problems (Part 1) - Belle & Sebastian

How to Solve our Human Problems (Part 1) - Belle & Sebastian

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How to Solve our Human Problems (Part 1)

Belle & Sebastian
Matador Records
Dezembro/2017
Indie Pop, Folk Rock
O que achamos: Fraco

A banda escocesa Belle & Sebastian coleciona muitas qualidades únicas. Uma delas, e talvez seja a menos relevante para a apreciação de sua música, são as capas dos álbuns. Desde Tigermilk (1996), a banda estampa suas obras com fotografias que parecem capturar indivíduos em momentos sentimentais muito específicos e, ainda assim, acessíveis o bastante para sintetizarem a atmosfera do respectivo álbum.  

Dito isso, não é com muita alegria que eu digo que a melhor coisa em How to Solve our Human Problems (Part 1) é a sua arte da capa. Ela mostra quatro rostos bem distintos que parecem expressivos, vulneráveis e, ora, humanos. Nesse sentido, fica bem representada a honestidade sentimental que torna Belle & Sebastian uma banda tão única e que está sempre embebida na forma como eles criam sua música. No entanto, o pop delicado da banda parece pouco inspirado e cansado numa maneira que simplesmente não é atraente. 

A primeira faixa do mini álbum, o primeiro de uma série de três, é “Sweet Dew Lee”, uma balada pop elegantemente romântica muito agradável que lembra clássicos do soul como “You’ll Never find Another Love Like Mine” de Lou Laws. Se os vocais de Stevie Jackson no começo não cativam muito, logo a voz inconfundível de Stuart Murdoch revela que a canção se trata de um dueto bonito, crescente e criativo. A faixa de abertura faz lembrar quem é Belle & Sebastian, o tipo de banda que traz à tona a melancolia paradoxalmente agradável, cuja sensibilidade romântica e ingênua exalta o valor dos momentos de vulnerabilidade e romantismo. A lembrança de que somos humanos.

E está aí o ponto alto da obra, bem no começo. O que vem a seguir em How to Solve Our Human Problems (Part 1) é uma sucessão de faixas sem inspiração, com questionamentos genéricos e letras vagas. “We Were Beautiful”, numa aceleração desengonçada, com versos como “we were in the uber scene/where they grind the coffee bean” e um refrão que não engancha, parece fora de contexto. “Fickle Season” conta com os vocais belos de Sarah Martin e com mais ou menos 45 segundos pra que você perca o interesse nessa balada country-anos-sessenta. A pretensa conclusão do mini álbum em “Everything is Now” é uma caminhada trôpega que nunca chega a lugar nenhum. 

Apesar disso tudo, Belle sempre foi e sempre será uma grande banda, do tipo que é capaz de marcar um momento da vida justamente por enxergar e traduzir o caos e a beleza que se misturam nela. Em How to Solve ainda é possível captar esse sentimento agridoce e belo.  Ele aparece aqui e ali, nas melodias e arranjos, no conforto dos vocais e no romantismo das letras, mas nunca brilha. Assim, ficamos com um trabalho opaco e que não consegue refletir as soluções pros nossos "problemas humanos". 

POST-  - Jeff Rosenstock

POST- - Jeff Rosenstock

Ser um fã de música é ser para sempre incompleto.

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