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Gumboot Soup - King Gizzard & The Lizard Wizard

Gumboot Soup - King Gizzard & The Lizard Wizard

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Gumboot Soup

King Gizzard & The Lizard Wizard
Flightless Records
Dezembro/2017
Rock Psicodélico, Garage Rock, Experimental
O que achamos: Muito Bom
Timbre Recomenda

 

É impossível falar de Gumboot Soup sem contar um pouco da história do King Gizzard & The Lizard Wizard. Desde 2012, a banda, composta por sete australianos, lançou treze álbuns. No ano de 2017, eles fizeram a seguinte promessa: lançar cinco álbuns em um ano. Começando em fevereiro com o incrível Flying Microtonal Banana, a banda se lançou no universo dos microtons, nada familiares pra música ocidental do jeito que a conhecemos, com direito a modificar afinações e frets de guitarras e baixos. Como resultado, um som particular, complexo e estranhamente agradável, sendo diferente de tudo, como o King Gizzard costuma ser.

Em seguida, em junho, foi lançado Murder of the Universe, dividido em três partes, que contém, em cerca de 45 minutos, narrativas, barulhos, aspectos conceituais e, claro, a inesquecível “Vomit Coffin”. O universo místico criado, chamado de “Gizzverse”, é habitado por criaturas mágicas como “Lord of Lightning” e “The Balrog”. Já em agosto, a banda, em parceria com o Mild High Club, lançou Sketches of Brunswick East, mostrando mais uma faceta do King Gizzard & The Lizard Wizard: um som com um pé no jazz e outro no rock psicodélico, sem perder o jeito Gizz de ser, característico de absolutamente tudo que é lançado pela banda. Esse estilo, chamado pelos fãs de “jazzy, but not jazz”,  pode ser notado em outros álbuns lançados anteriormente, como Quarters! (2015) e Paper Mâché Dream Balloon (2015).

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Finalmente, em novembro, foi lançado Polygondwanaland que, para além de ser “apenas” um bom disco, quebrou novas barreiras da música, bem no estilo Radiohead: o álbum foi lançado completamente de graça, sendo inclusive  incentivado pela banda que as pessoas baixassem as faixas, fizessem cópias em fita, CD ou LP, ou ainda começassem o próprio selo com o disco. Segundo o King Gizzard, os donos do álbum não são eles, mas todos nós, e somos livres para usá-lo como quisermos.

Essa pequena contextualização é necessária para falar de Gumboot Soup, lançado no dia 31 de dezembro de 2017. A banda, que agora já conta com um culto de fãs dedicados, com direito a memes no YouTube e grupos de Facebook, explicou que o quinto álbum do ano é muito mais do que uma coletânea. Segundo Stu Mackenzie, vocalista e guitarrista (principalmente, mas não só), em entrevista para a Consequence of Sound, Gumboot Soup é mais sobre as experimentações com cada música, a junção de diferentes ideias, do que sobre um conceito fechado de álbum. Muito além de B-sides, o álbum é composto por músicas que não se encaixavam nos outros álbuns, ou que foram criadas posteriormente.

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Mesmo sem saber da ideia por trás do disco é possível deduzir o que a banda pretendia, já que as faixas passam exatamente o que foi proposto. Parece até, para os entusiastas da banda, uma saudosa celebração do trabalho - e que trabalho - realizado pelo King Gizzard & The Lizard Wizard nesse ano. Abrindo com a fantástica “Beginner’s Luck” e fechando com a também incrível “The Wheel”, o álbum passa pelo lado jazz com músicas novas, bem construídas, bem escritas, e maravilhosamente gostosas de ouvir sem parar. É importante destacar que Ambrose Kenny Smith, responsável por instrumentos como gaita, sintetizador, teclado, tem mais espaço nos vocais, com uma voz característica e interessante, que pode ser notada em “Beginner’s Luck”.

Com “Greenhouse Heat Death”, “All is Know” e “Muddy Water”, é fácil relembrar de Flying Microtonal Banana, retomando com maestria a genialidade das melodias compostas por microtons, flautas e beats animados e obscuros simultaneamente. O álbum também traz “The Great Chain of Being”, que com os vocais roucos e um instrumental mais pesado, faz Murder of the Universe surgir imediatamente na memória. Dentre outras, minha preferida é provavelmente “I’m Sleepin’ in”, que fica no lado mais calmo da banda, com vocal abafado e fade-outs distorcidos.

Sendo assim, Gumboot Soup é um álbum feliz de fim de ano, no característico estilo King Gizzard. Sem ser uma obra-prima como os anteriores lançados no mesmo ano, é agradável, com grandes músicas, mas retomando conceitos e estilos que já nos foram apresentados antes pela banda. Talvez mais fácil para os ouvidos do que alguns dos álbuns já lançados pelo King Gizzard, e longe de ser uma mera bagunça desconexa, esse disco é representativo do que foi afirmado pelos músicos: há um enfoque maior nas faixas do que no álbum. Dessa forma, o King Gizzard & The Lizard Wizard cumpre a promessa de lançar os cinco discos, fechando o ano de 2017 com mais um presente para os fãs da banda e para os entusiastas de um bom rock’n’roll como um todo.

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