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Honey - Robyn

Honey - Robyn

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Honey

Robyn
Universal
Outubro / 2018
Pop
O que achamos: Excelente
Timbre Recomenda

O pop atinge um estado de graça plena quando se permite ser esquisito. Não há nada como ver referências tão familiares a nós serem distorcidas, zombadas e reviradas pelo próprio canal que as transmite. Assim, a música se vê otimizando as frequências em que expressa os sentimentos, a reflexão artística a que se propõe, ganhando ainda mais propósitos e tocando o ouvinte de diferentes formas, porque sentimos que estão sendo vistas partes nossas que mantemos ocultas. Esse é o poder da música que Honey explora.

Robin Miriam Carlsson, nossa Robyn, tem feito o pop mainstream de alta qualidade há um tempinho já. Inaugurou a década de 2010 com o excelente "Body Talk" e atingiu um patamar elevado, atraindo expectativas que ela ousou quebrar nos trabalhos em que colaborou em seguida, como no intenso álbum em parceria com o Royksopp. Agora, 8 anos após o lançamento de seu último álbum solo, Robyn retorna com o delicioso e engraçado "Honey", um marco na sua carreira e na música pop contemporânea.

A entrega emocional sem nenhuma vergonha em "Missing U" é a declaração de amor mais honesta que eu ouço em anos em uma faixa pop. É poderosa porque é universal e simples em sua grandiosidade. "All the love you gave still defines me", ela canta quase exausta de tanta saudade. É uma faixa bem "padrão Robyn", com uma produção caprichada nos teclados e sintetizadores, equilibrando a melancolia da melodia com batida ritmada.


Mas, como eu disse, Honey se permite uma viagem por outros sentimentos, destacando a capacidade de composição da artista. Em "Human Being" ela consegue expressar sensibilidade numa faixa robótica que invoca resistência frente a isolamento e frieza. Em "Baby Forgive Me" ela alia sensualidade a uma viagem onírica, com sussurros e os elementos eletrônicos bem sutis criando a atmosfera cativante. A faixa deságua na absurda "Send to Robin Immediately", um dos pontos altos do disco. Continuando como uma extensão da faixa anterior, ela gradualmente cresce num pop intenso que em muito lembra a parceria de Robyn e Royksopp. A faixa contém um dos melhores trabalhos de composição da cantora, dando urgência à expressão dos sentimentos, e exigindo que as coisas sejam ditas imediatamente. Não há tempo a perder.

A faixa título de Honey é outra parte importante da viagem que é o disco. "Come get your honey", ela convida, desejando profundidade nos sentimentos e nas entregas. Ela não está interessada naquilo que precisamos, mas sim no que queremos, e durante todo o disco ela está disposta a dar, exigindo do outro apenas a vontade de ir buscar. Um acordo perfeito.

A obra de Robyn em Honey a consolida como uma das melhores artistas pop da geração, prova que ela tem um domínio absurdo do pop que a moldou e que está cada vez mais afiada no seu estilo de composição, que vai do comovente ao desafiador com muita facilidade. Em Honey, ela está orgulhosa de todas as suas vulnerabilidades e as veste com brilho e personalidade. Faixas como "Beach2k20" mostram que ela não tem nenhum medo de ser esquisita em suas músicas, suspendendo a ordem das coisas para experimentar momentos de um caos alegre.

Com o seu pop mágico que serve tanto para chorar quanto para dançar, Robyn triunfa, renovada, mais uma vez. Honey é a celebração da autenticidade inerente ao ser humano quando nos propomos a sentir ao invés de reprimir e aceitamos que conhecer a si próprio é um processo sem fim e que envolve honestidade. Digo isso, pois em todas as faixas desse disco, Robyn expressa, em tom quase confessional, um lado seu, e todos eles são mundos nos quais ela permite se perder.

Ouvir música quando o mundo está acabando

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