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Somos o Timbre. Um espaço de opinião sobre música vibrando em novas frequências.

Os 50 Melhores Álbuns de 2018

Os 50 Melhores Álbuns de 2018

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Escrever sobre música é difícil. Primeiro, há a dificuldade de se abrir para as sensações e ideias que a arte busca comunicar. Realmente ouvir uma canção e sentí-la exige uma sensibilidade que nem sempre está disponível. Depois, há as infinitas referências do presente e do passado que flutuam por aí, e é muito fácil achar que nós precisamos de todas e ainda mais fácil concluir que nunca as teremos. Além disso, permanece a não tão animadora constatação de que ninguém se importa com o que você está escrevendo.

Bem, essa última questão, apesar de presente, é a que menos importa. Veja, quando você constrói sua casa, arruma bem bonitinha e pendura os quadros e enfeites, você até quer receber convidados e fica contente com o reconhecimento pelo seu esforço, mas no fundo quem você mais quer agradar é a si mesmo e sua família. E num contexto em que a crítica de arte luta para achar seu espaço, nossa família Timbre faz tudo com amor e dedicação, pois música é nossa paixão e fizemos esse site para vivermos essa alegria de ter um espaço para cultiva-la.

Em 2018, o primeiro ano do nosso site, essa dedicação foi muito gratificante. A música não parou de nos presentear com mais e mais obras incríveis e a inspiração de ver nosso mundo quebrado refletido em belas e sensíveis obras tornou possível seguir com o Timbre até o fim do ano.

E cá estamos, diante do resultado final dessa infusão, que com certeza é maior que a soma de suas partes. Em algum lugar uma mulher deslocada tomou controle de seus sentimentos, uma heroína country olhou para as estrelas, uma estrela pop achou o poder na saudade e uma espanhola exaltou a tradição numa obra extremamente autêntica. Nesse 2018 de queda livre, a fragmentação protagonizou as temáticas dos álbuns que compõem a lista abaixo, e assim nos sentimos muito bem representados, pois seguimos buscando a beleza no caos e as rachaduras no belo. E vocês são sempre bem-vindos na nossa casa. Esses são nossos 50 álbuns favoritos de 2018.

 
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50. - Abysskiss - Adriene Lenker

Eu já ouvi por aí que algumas canções já existem, mas estão esperando para serem escritas. Talvez seja o caso do repertório de Adrienne Lenker em Abysskiss, um álbum folk soturno de canções que parecem pertencer a uma época remota e isolada. A simplicidade no desenvolvimento do disco o distancia dos projetos do Big Thief e revelam Lenker como uma grande compositora e artista solo. – Victor Coelho

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49. Sinto Muito - Duda Beat

Sinto Muito conta com onze faixas que passeiam pelas fases do amor, de mãos dadas com arranjos indie, tecnobrega, axé, balada romântica e pop. Servindo como um diário no qual Duda exprimiu desabafos ácidos, as músicas trilham um caminho entre os sons do Rio e Nordeste, passado e futuro. Ilustra a vivência de uma mulher romântica que não consegue se adaptar à fluidez dos relacionamentos contemporâneos. – Vivian Fernandes

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48. Cavala – Maria Beraldo

O ser mulher-lésbica é o tema que impulsiona a instrumentista e compositora Maria Beraldo durante as dez faixas de seu trabalho de estreia. São canções sobre relações, família, ancestralidade e mulheres, somados a melodias experimentalistas que flertam com o pop. As músicas curtas, por vezes quase como esquetes conceituais, do Cavala são fascinantes e bem vanguardistas – Vivian Fernandes/Guilherme Montassier

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47. Bark Your Head Off, Dog – Hop Along

O indie rock de batidas pop e refrãos chicletes de Bark your Head off, Dog camufla a capacidade do Hop Along de criar pequenas obras de misteriosos desafios. Num álbum que usa das pequenas idas e vindas dos relacionamentos amorosos e de questões filosóficas sobre a vida e a morte para falar da aleatoriedade da experiência humana, a banda não tem medo de fazer perguntas difíceis que não têm repostas aparentes. – Victor Coelho

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46.  Madrugada - Desgraça

Madrugada é um álbum conceitual sobre o caos urbano batizado pelo álcool. A euforia do submundo de qualquer cidade brasileira é capturada e embalada pelo grave, a visceralidade e a ansiedade de qualquer millenial após às 22h. É funk experimental, grave sem aparelhagem e texturas densas e raivosas. Além de ser um grito contra a opressão das minorias, utilizando a exacerbação do “macho” para endereçar o que devemos de fato oprimir na nossa sociedade – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

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45. Não Para Não – Pabllo Vittar

Após o sucesso de Vai Passar Mal (2017), Pabllo parece ter encontrado espaço na sua ocupadíssima agenda para encontrar a sua voz e colaboradores que a ajudassem a expressar seu talento da melhor maneira. Não Para Não utiliza sem pudor as influências do brega e forró para criar um pop genuinamente brasileiro e autêntico. Pabllo, cada vez mais empoderada, distribui hits como “Problema Seu” e “Disk Me” no seu melhor trabalho até hoje. – Victor Coelho

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44. Crush EP - Ravyn Lenae

Repleto de groove e criatividade, Crush é mais uma comprovação do potencial da musicista de 19 anos, que junto a Steve Lacy, fez seu próprio molde jovem e envigorado de R&B e neo-soul. As 5 músicas do EP são um passeio noturno, urbano e sensual, onde a voz única da Ravyn Lenae se mistura com o que há de mais prazeroso e misterioso na relação sexual/romântica com outro alguém. – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

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43. Manaus Vidaloka – Cambriana

Com seu título cativante, o terceiro registro da banda de Goiás é uma porrada sônica, misturando indie rock com ritmos latinos e africanos com uma pitada de jazz para trazer uma palheta de cores musicais inusitada. A obra é grandiosa, e trata de temas importantes como a destruição do mundo pelos seres humanos, crenças brasileiras e amor de forma irreverente. O uso do inglês para as letras em nada tira a brasilidade das composições, 11 das melhores que o Brasil nos proporcionou em 2018. Ao final de “You, the living”, com os últimos acordes do riff de sopro, ainda tentamos entender o que nos acertou. – Guilherme Montassier

42. Sweetener – Ariana Grande

Estaria Ariana Grande no seu ápice profissional e criativo, ou seria esse apenas o começo? Não importa. O que importa é o seu poder absurdo e a sua força incomparável. O pop grandioso enraizado no R&B dos anos 90 é uma jornada sobre auto crescimento e positividade. Com ele, deu uma adocicada na vida de todos. Inclusive, assim espera-se, dará na sua.  – Mariana Benevides

 

41. God’s Favorite Customer – Father John Misty

Josh Tillman largou — ou pelo menos deu uma merecida pausa a — todo o cinismo associado a sua persona. Desacelerou o seu estilo de vida e ao invés de apontar dedos para a sociedade ao seu redor, voltou-se para (e contra, de certa forma) si mesmo. O folk-pop é mais mordaz, mais vulnerável, menos cansativo e mais realista, nos convidando a rir dele e com ele ao mesmo tempo. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

40. Pra Curar – Tuyo 

Diversidade de influências sonoras, belas harmonias vocais e batidas que flertam sutilmente com o dançante se entrosam cuidadosamente, cimentando Pra Curar como um dos lançamentos mais delicados do ano. O trio do Paraná (originalmente 3/5 da banda Simonami) traz intimidade para a relação com o ouvinte, forjando um som jovem e consciente do seu tempo e lugar. – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

39. O Menino Que Queira Ser Deus - Djonga

Um ano após o lançamento de Heresia, foi a vez do Djonga nos apresentar O MENINO QUE QUERIA SER DEUS, em 13 de março. Causando polêmica logo pela capa - que mais tarde descobriríamos ser uma referência às do Memphis Rap, do começo de 1990 - as dez faixas abordam a vivência do artista, seus enfrentamentos como um dos maiores nomes do Rap Nacional e homem negro periférico. – Vivian Fernandes

38. 2012-2017 - Against All Logic 

O lançamento despretensioso e inesperado do Nicolas Jaar compila músicas com ingredientes reconhecíveis em suas obras anteriores, intercalando samples de funk e soul com ruídos e interferências, em uma deliciosa brincadeira de um dos principais nomes do house atual. Recheado de minúcias, 2012-2017 é uma obra que necessita de foco para termos sua plena compreensão, e ouvidas repetidas favorecem o reconhecimento da sua intensidade contida. – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

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37. Gumboot Soup – King Gizzard & The Lizard Wizard

A promessa do King Gizzard & The Lizard Wizard de lançar cinco álbuns em 2017 foi cumprida aos 45 do segundo tempo, no dia 31 de dezembro do ano passado, com o icônico Gumboot Soup. Um passeio pelo estilo irreverente e particular de fazer rock dos músicos australianos, o álbum não é simples nem tem um conceito fechado, sendo composto por experimentações e ideias que pareciam não se encaixar em outros lugares. É psicodélico, obscuro, elétrico, inovador e surpreendente; é King Gizzard, mais uma vez, do início ao fim. – Carolina Tomishige

36. boygenius EP – boygenius 

Primeiro trabalho do supergrupo composto por Julien Baker, Phoebe Bridgers e Lucy Dacus, boygenius é a perfeita junção da força melancólica e contagiante de três presenças centrais para o movimento de renovação do rock nos últimos anos. O EP poderia ter sido bem mais solto, como uma jam session, mas acabou sendo uma vitrine do padrão de excelência estabelecido pelas singer/songwriters americanas da atualidade. – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

35. Double Negative – Low

Depois de mais de 20 anos de carreira, a banda americana Low surpreendeu com um 360 completo no seu som, mas sem deixar de conter a essência da banda. Como? B.J. Burton, produtor hypado pelo último álbum do Bon Iver (que também deu uma repaginada absurda no seu som) trouxe pro estúdio sua visão. O resultado é uma experiência árida, como se o disco fosse um relato de sobreviventes de um acidente nuclear, onde tudo é deserto. Mesmo dentro desse cenário desolador, as melodias encobertas pelos sons fragmentados são lindas e capturam a essência humana de forma bruta. Uma metáfora perfeita para 2018. – Guilherme Montassier

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34. Clean – Soccer Mommy

Sophie Allison tem apenas 20 anos, mas sabe muito bem como transformar emoções devastadoras em indie rock poético e absolutamente fácil de se identificar. A tradução de seus sentimentos em música é crua e sensível, juntando brilhantemente lágrimas furiosas e romantismo açucarado. Foi assim, com honestidade bruta e uma charmosa despretensão, que a Soccer Mommy compôs o inesquecível Clean, leve como uma pluma, mas denso como o diário de uma jovem de coração partido. – Carolina Tomishige

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33. Soil - Serpentwithfeet

Soil é um trabalho visionário, repleto de texturas e experimentalismo e um triunfo sobre a expressão e vivência queer. A música de Josiah Wise (aka Serpentwithfeet) é elaborada, feita para enganar os sentidos, que esperam um R&B/soul mais convencional à cada construção melódica. Estas rapidamente são acompanhadas de algum arranjo desestabilizador, ou simplesmente pela beleza desconcertante da voz do artista, que nos emociona por 11 faixas repletas de amor não correspondido, devoção e busca pelo amor próprio. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

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32. Lost & Found - Jorja Smith 

Em um debut invejável, a cantora de apenas 20 anos narra a sua jornada de busca por identidade, conciliando uma performance vocal madura com uma sonoridade refrescante que conecta elementos de trip-hop e R&B. Lost & Found é um tour pela sonoridade radiofônica dos anos 90 de forma revigorada, pronta para conquistar uma nova geração de jovens apaixonados (e os não tão jovens também). – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

31. Black Panther: The Album – Kendrick Lamar & Various Artists

A colaboração Lamar x Pantera Negra, o filme da Disney mais importante dos últimos anos, é algo que varia entre o óbvio e o necessário. A curadoria do rapper para a trilha sonora do filme é feita apenas por artistas negros para, acima de tudo, outros negros. É por isso que temos uma mistura de gangsta rap, trap, o soul feminino, tambores africanos, sons caribenhos e as participações de SZA e The Weeknd. – Mariana Benevides

30. Historian – Lucy Dacus

A doçura da voz da Lucy Dacus é suficiente para acalmar o coração, mas escutar o Historian é também se entregar ao esforço da musicista para capturar emoções densas, documentar momentos e construir narrativas, tanto de sua própria história quanto do mundo. Como um filme, cada minuto é um registro de uma imagem; como um livro, cada palavra evoca mais do que um sentido. Abordando vícios enraizados e mágoas opacas, é possível sentir o quão difícil e necessário é para Dacus dividir tudo isso conosco. – Carolina Tomishige

29. Now That I’m a River – Charles Watson

Charles Watson coloca todas a cartas na mesa no seu belo trabalho de estreia solo, onde os pensamentos de amor e dúvida são transmitidos em canais acústicos de pop, jazz e rock psicodélico. A elegância doce de “Voices Carry Through the Wind” e “You’ve Got Your Way of Leaving” revelam uma melancolia vista de uma perspectiva bem-humorada, algo raro entre compositores que tendem a se levar muito a sério. – Victor Coelho

28. Lush – Snail Mail

Em seu álbum de estreia, Lindsey Jordan apresenta uma obra sensível e confessional, repleta de guitarras limpas e vocais doces e emotivos, um trabalho genuíno e extremamente dedicado. Sob o nome de Snail Mail, a artista nos convida a entrar na sua visão de mundo. Com apenas 19 anos, Lush funciona como uma ferramenta de abertura de diferentes experiências para artista e não importa a sua idade, ouvir essa jovem entender melhor o seu ambiente e as suas emoções acaba nos ensinando também. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

27. Vessel – Frankie Cosmos

Sutil como uma tarde de outono, Frankie Cosmos oferece uma obra honesta e delicada, um aperfeiçoamento em seu estilo lírico e uma entrega vocal agradável e confortável. Em suas músicas curtas cabem apenas mensagens diretas, como se cada faixa fosse urgente em sua mensagem. E cada uma dessas mensagens é de um colorido único, e de um bom humor que poucos artistas contemporâneos conseguem alcançar – Thales Lopes/Guilherme Montassier

26. Tranquility Base Hotel + Casino – Arctic Monkeys

Sem qualquer receio de fazer um som totalmente diferente daquele que os consagrou como gigantes do rock alternativo, a banda lançou possivelmente o álbum mais pessoal da sua história. A habilidade de brincar com futurismo e nostalgia, de fazer piada e poesia, de desenvolver crítica e autocrítica, tudo ao mesmo tempo, não é pra qualquer um. Uma ode à simplicidade e uma reflexão sobre a contemporaneidade, com frases poderosas e melodias inesquecíveis: isso é nada mais, nada menos, do que Arctic Monkeys. – Carolina Tomishige

25. Con Todo El Mundo – Khruangbin

Com influências de funk tailandês, surf rock e psicodelia, a banda texana Khruangbin (“vôo motorizado” em tailandês) fez o álbum mais cool de 2018. São 11 faixas quase completamente instrumentais, que tocam o ouvinte de forma leve, como uma brisa ao entardecer. O mix de sensações positivas que traz cada uma das músicas é comovente, os instrumentos tocados com maestria causam uma empolgação de estar se envolvendo em algo tão singelo. A mistura de diferentes fontes culturais dá um ar de importância e globalização que diferencia a mensagem passada pelo grupo, que realmente está Com Todo El Mundo. – Guilherme Montassier

24. Devotion – Tirzah

Às vezes um ritmo parece sofrer de uma certa estagnação. Seria o R&B um desses ritmos, em que parece que já se alcançou o limite do que pode ser feito dentro do gênero? Se a sua resposta for sim, Devotion veio para provar o contrário. Eu nunca ouvi nada como esse disco. A produção do britânico Micachu é de uma beleza intensa. A fragmentação de sons eletrônicos dá impulso a voz extra suave da Tirzah, criando um invólucro intimista, onde as juras minimalistas de amor e devoção são ouvidas como uma silhueta atrás de um vidro embaçado de vapor. É debaixo desse chuveiro quente, da intimidade do ato de se purificar com um banho que a raiz do som único criado pela artista se prolifera no ouvinte. – Guilherme Montassier

23. OIL OF EVERY PEARL'S UN-INSIDES – SOPHIE

SOPHIE se consolida como a Death Grips dos viado em seu debut experimental, desafiando seus ouvintes com melodias vívidas e inegavelmente pop, minuciosamente disfarçadas com exageros, distorções e sons abrasivos, em uma produção fascinante e única. Os singles soltos lançados espaçadamente no início e metade da década, mais voltados para um experimentalismo eletrônico dão espaço a uma coleção de faixas coesas e conectadas, abordando as dores e as delícias de ser LGBT em um mundo ainda tão contra o amor livre. – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

22. Room Inside The World – Ought

Um post-punk sincero, Room Inside The World é o ápice desse tipo de som em todas as suas facetas. Guitarras afiadas, melodias contagiantes e letras geniais determinam a euforia causada por ouvir algo tão bem feito. Esse é um álbum essencial para o momento em que estamos vivendo, político e direto, sem firulas. Cada música requer um retorno a ela em um momento posterior, para que mais possa ser desvendado. A banda canadense não reinventou um estilo ou fez nada vanguardista, mas cada música da obra é um hit em potencial, e enquanto dançamos, pensamos. – Guilherme Montassier

21. A Brief Inquiry Into Online Relationships – The 1975

Repleto de referências, A Brief Inquiry Into Online Relationships é atual e carismático. Um ambicioso trabalho sobre mídias sociais e relacionamentos modernos, o álbum é um triunfo na discografia da banda que agora se eleva a um novo grau de experimentalismo e transgressão, misturando sons já conhecidos do rock de arena oitentista com a perturbação mental da super estimulação cerebral constante que apenas millenials podem entender. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

20. Negro Swan – Blood Orange

Ora comovente, ora dançante, Negro Swan do Blood Orange é um comentário sentimental e entusiasmado sobre a realidade negra partindo de um artista que teve contato com os mais profundos dos sentimentos e contradições inerentes a sua identidade. “Charcoal Baby” e “Nappy Wonder” evocam o R&B dos anos 80 e 90 para buscar a representação dessa identidade presente em um homem sem medo de expor suas vulnerabilidades. – Victor Coelho

19. Freedom – Amen Dunes

Numa obra de fluxos de consciência confessionais, Damon McMahon (aka Amen Dunes) expõe à luz do sol suas memórias, seus sentimentos e sua visão de mundo. Não há nada óbvio em Freedom, mas nada está escondido, pois McMahon usa seus devaneios oníricos para revelar a realidade e a memória em faixas como “Believe”, “Calling Paul the Suffering” e “Time”, onde o cantor e compositor medita sobre as figuras maternas, másculas e rebeldes que compuseram sua infância e adolescência. – Victor Coelho

18. Beyondless – Iceage

O Iceage ainda é muito pouco conhecido perto da grandiosidade da música deles. Nada é parecido com o que eles nos fornecem em Beyondless. A banda dinamarquesa pega o conceito de punk e distorce, puxando e repuxando como quem brinca com uma massinha, até que classificar a banda como punk não faça mais sentido. O som mistura o compasso do punk com country, jazz e indie, criando uma cacofonia reveladora em cada faixa. O título da obra entrega suas intenções, falando sobre o engessamento e a alienação que se vive em 2018, desde o mais humano (“Pain Killer”) ao mais macro político (“Hurrah”). – Guilherme Montassier

17. Daytona - Pusha T 

Uma das melhores parcerias do ano, o rap imponente do Pusha T e a produção impecável do Kanye West se aliaram perfeitamente em Daytona, que em pouco mais de 20 minutos consegue apresentar 7 músicas fechadíssimas e consistentes em sua alta qualidade. Sem perder nenhum segundo, o rapper mais uma vez nos suga para a realidade do tráfico de drogas, a violência e o status por trás do crime, no que é com certeza o ponto alto da sua discografia solo. – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

16. Heaven And Earth – Kamasi Washington

O segundo álbum do brilhante compositor, produtor e saxofonista californiano é um choque artístico e conceitual: duas partes, sendo a primeira “Terra” (“Earth”) e a segunda “Céu” (“Heaven”), imersas em reflexões filosóficas sobre a existência, o sentimento e a experiência. Unem-se a isso versos poderosos sobre injustiça, percussões mágicas, momentos oníricos, sintetizadores chocantes e solos de tirar o fôlego. A densidade é evidente e a genialidade é inegável; Heaven And Earth é um presente não só ao jazz, mas à música contemporânea como um todo. – Carolina Tomishige

15. Cocoa Sugar – Young Fathers

Young Fathers criam músicas inimagináveis, repletas de texturas e momentos que passeiam rapidamente entre o frenesi e a solidão. Mais maduros e ainda mais aperfeiçoados, produziram um álbum onde o grave e o baixo são a linha de frente e introduziram narrativas sobre a crise imigratória e críticas à masculinidade tóxica, o que surpreendentemente (ou nem tanto assim), são temas que a obra ajuda o ouvinte a perceber como estão conectados. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

14. Deus É Mulher - Elza Soares

Novamente, Elza Soares nos presenteia com sua genialidade e traz um complemento do mundo aberto por ela em seu último disco, A Mulher do Fim do Mundo (2015). Temas pulsantes e atuais como feminismo, política e religião são complementados pela voz septuagenária de uma das mais importantes cantoras brasileiras. O trabalho é fortalecido por meio da presença do cantor expoente Edgar e o grupo Ilú Obá de Mim (“Exú Nas Escolas” e “Banho”). As onze faixas apresentam composições com colaboradores antigos, como Romulo Fróes, Alice Coutinho e Kiko Dinucci, entre outros. – Vivian Fernandes

13. A Laughing Death In Meatspace – Tropical Fuck Storm

O olhar decepcionado e sombrio do TFS para a contemporaneidade cria um cenário no qual tensão e degradação pairam no ar, como uma fumaça poluída que tampa permanentemente o brilho do sol. Apesar do aparente horizonte de destruição, o clima que resta não é de tristeza: palavras coléricas, instrumental barulhento e distorções incomuns fazem do álbum de estreia do grupo australiano um rock psicodélico consistente, inusitado e memorável. É incômodo e perturbador, sim, mas é quase impossível não dançar junto. – Carolina Tomishige

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12. Christine and the Queens - Chris

Chris é uma mutação muito antes de ser uma evolução—o segundo álbum de Heloise Letissier é um pop complexo, emotivo e transgressor. Ao mesmo tempo, é minimalista, inspirado pelo funk americano, a Janet e o Bowie dos anos 80 e o Michael de Dangerous. Uma jornada contra o binarismo de sexualidade e gênero, desconstruindo conceitos de masculinidade música por música, brincando com o que se entende por feminilidade e tudo que cai dentro da ideia de tradicional. – Mariana Benevides

11. Isolation – Kali Uchis

Em seu álbum de estreia, Kali Uchis demonstra um domínio e uma destreza que só alguém com um dom natural ou com um grande tempo de dedicação poderia apresentar. Isolation é ousado e jovial, um passeio íntimo pelas influências e memorias de uma diva em ascenção. Ao invés de tomar um rumo musical mais fácil, Kali apresenta uma seleção caleidoscópica de influências, e cada faixa do disco mostra uma faceta da artista. Uchis por vezes é pura alegria latina, em outras uma nova voz em uma alma velha destrinchar sentimentos em um soul sessentista ou uma misteriosa e empolgante diva indie, sem perder a coesão em nenhum momento. “Qual Kali Uchis é você?” seria um quiz do Buzzfeed mais do que adequado. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

10. Twin Fantasy – Car Seat Headrest

Sendo a reconstrução de um trabalho advindo do inicio da década, Twin Fantasy é a maestria na composição, que viaja por minuciosos detalhes e conflitos emocionais, aliada a uma produção excepcional e detalhista. O vocalista e compositor Will Toledo entrega uma experiência densa e meticulosamente estruturada, um tour pela ansiedade e pela dor juvenil. As músicas são às vezes extremamente longas, às vezes de um tamanho mais convencional, preenchendo o álbum de uma banda que não se restringe a algo tão pouco importante como tempo para passar a mensagem do seu indie rock, que dialoga com os tempos atuais de maneira eficaz e produtiva. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

9. El Mal Querer - Rosalía

El Mal Querer é:  1) um álbum de flamenco misturado com pop e R&B; 2) álbum experimental e conceitual sobre um relacionamento abusivo baseado em um livro do século XIII; 3) projeto final de faculdade; ou 4) todas as opções? A resposta é óbvia, e por isso já dá para ter uma ideia da complexidade do segundo trabalho da cantora espanhola. Mas ela consegue ir além: a obra conta com  sua voz potente, letras fortes e ecoadas em cada música como um mantra, um uso genial de samples de diversas fontes (“Cry Me A River” em “BAGDAD” sendo um dos ápices), e toda a versatilidade e poeticidade que raramente são vistas em artistas tão cedo em suas discografias. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

8. Memórias do Fogo – El Efecto

“Colôôôôôôôôniaaa!” É com esse grito, esse comando de levante às armas que a banda carioca El Efecto urge o ouvinte a se juntar a eles na obra crítica ao capitalismo que eles criaram. Em seu novo disco, o grupo traz à tona toda sua capacidade técnica, com 7 faixas unidas apenas pelo virtuosismo instrumental de todos os integrantes. Uma mistura de rock progressivo setentista com metal com momentos de uníssono teatral que remetem à “Bohemian Rhapsody” ou uma peça da Broadway. Junto a isso, elementos de samba de raiz e pagode dão um toque brasileiro envolvente para o trabalho.
Ufa! Parece interessante, né? E é mesmo. Uma das experiências fonográficas mais relevantes, contemporâneas e aventureiras de 2018, Memórias do Fogo passeia pelo barzinho da esquina com um grupo de pagode amador e vai até as trincheiras do inferno, num metal gutural e inesperado na faixa destaque do disco “O Drama da Humana Manada”. Quer cantar sobre a usurpação dos meios de produção? Quer sambar e bater cabeça enquanto pensa sobre a luta de classes proporcionada pelo nosso atual modelo de sociedade? Talvez pensar na hipocrisia do mundo empresarial atual enquanto a máquina de fazer dinheiro te suga? Então é esse disco da capa vermelha e martelo marxista que você precisa escutar. – Guilherme Montassier

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7. In A Poem Unlimited – U.S. Girls

Os dois últimos anos têm sido palco para uma onda de vozes distintas, com raiva e muito a dizer. Muitas dessas vozes são de mulheres em revolta, que se recusam a se calar ou permanecerem cx’aladas. In A Poem Unlimited é um conto em chamas sobre fúria feminina potente contra o mundo que nos odeia. Ruas inseguras, relacionamentos abusivos, assédios e o flerte social com a distopia são alguns dos temas destilados sob riffs eufóricos, uma orquestra de guitarras histéricas e distorcidas, sintetizadores afiados e saxofones, bebericando do disco e da obra de David Byrne para transmitir o desespero de uma sociedade que ainda pouco aprendeu como é difícil ser mulher. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

6. Joy As An Act Of Resistance – IDLES

Segundo álbum, segundo clássico. A máquina de genialidade chamada IDLES vem do Reino Unido, e eles fazem um punk com pitadas de indie rock que é uma reverência aos clássicos ingleses sem deixar de trazer frescor e personalidade para as suas composições. Seguem também a tradição punk de fazerem arte extremamente política e sem rodeios. O que é pra ser dito, é dito claramente, doa a quem doer. E nada nesse álbum é fácil de digerir, mesmo a verdade ficando mais palatável quando a música é assim tão boa.
Os riffs de guitarra são assassinos. A voz rouca e grave do Joe Talbot é um acessório poderosíssimo, utilizado para ironizar a masculinidade tóxica e ao mesmo tempo liderar pequenas revoluções a cada comentário pejorativo contra o status quo. O clima político é colocado em xeque e a solidariedade entre os seres humanos é colocada sob o microscópio. Coisas óbvias como “imigrantes são humanos como todos” e a declaração “I kissed a boy and I liked it” (com referência a famosa música da Katy Perry) são a força da obra, justamente por ainda serem muito fortes em 2018, mesmo sendo conceitos que todos já deveriam ter interiorizado. O óbvio como forma de protesto, a felicidade como forma de resistência encanta os ouvidos como poucas outras coisas esse ano fizeram. – Guilherme Montassier

5. Bluesman - Baco Exu do Blues

Lançado recentemente, no último 23 de novembro, Bluesman traz o rapper soteropolitano Baco Exu do Blues rasgando versos sobre a saúde mental do homem negro. Estão presentes no disco parcerias com artistas como Tim Bernardes, 1LUM3, DKVPZ, Bibi Caetano e o trio Tuyo.
Caindo no estigma de artista comercial para quem não entende seu trabalho, é durante a meia hora do álbum que Baco discorre sobre temas como suicídio, bipolaridade e depressão. Resumindo em poucas palavras: Baco Exu do Blues não é apenas love songs. “Esse disco sou eu me lembrando todo dia que eu não tô bem e que eu preciso me cuidar “, afirmou o cantor em sua conta no Instagram. – Vivian Fernandes

4. Honey - Robyn

A profunda beleza da perda e o dinamismo entre um relacionamento afetuoso são os temas centrais abordados em Honey, oitavo trabalho solo da Robyn. Uma produção etérea e bem elaborada que soa como se o futuro da música tivesse acabado de ser lançado, a cantora parte das estruturas do pop convencional que baseavam a sua discografia e encara com um olhar renovado as barreiras do que é e onde se pode chegar dentro do gênero.
Com menos bordas, a música não deixa de ser calorosa e dançante, mas são notáveis os experimentos feitos em cada faixa e também na estrutura do álbum como um todo. O vazio da ausência de alguém ou algo importante, a busca por autoconhecimento, redenção, perdão e felicidade nunca estiveram juntos como conceito de forma tão irreverente e vanguardista. Desconheço uma artista que tenha um conjunto tão único e ainda lote arenas no caminho da consolidação dessa visão, atualmente. Honey é música essencial para todos. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

3. Be The Cowboy – Mitski

Podemos ser o herói confiante e destemido de nossas histórias? Mitski nos convida a encarnar tal figura em Be The Cowboy, disco cujo título evoca o mito cultural americano que, de qualquer ângulo, exclui uma figura como a de Mitski, a cantora nipo-americana em busca de algum sentido na sua solidão e desajuste. Mas nesse quinto trabalho, ela parece reivindicar para si o absoluto controle de sua arte e de seus sentimentos, vestindo e descartando máscaras para expressar nada mais, nada menos, que pura efervescência artística.
A maturidade emocional com a qual Mitski reflete os personagens de sua antologia do outsider nos EUA encontra nuances sonoras: há o country indicado pelo título (“Lonesome Love”) espiralando ao misterioso e experimental pop de “Blue Light”, com o resgate do piano nas canções que predomina nos primeiros trabalhos da cantora. Mas Mitski descobre em si mesma uma forma de confundir as linhas que dividem sua vida e sua arte, tomando para ela e entregando ao mundo o que a torna o cowboy que ela quer que todos nós sejamos. – Victor Coelho

2. Carne Doce - Tônus

Não, o Tônus não é um álbum sexual. O terceiro trabalho de estúdio da banda goiana Carne Doce foi julgado por muitos como um disco luxurioso por sua identidade visual e trechos de certas músicas. Contudo, fez um ótimo trabalho ao abordar também relacionamentos amorosos, familiares e o viver num geral no decorrer de suas dez faixas. E aquelas partes mais explícitas? Apenas mais um dos artifícios utilizados para montar a estética do disco, que vem pro ouvido como um rock suave, misterioso, onde o que é dito entra em choque com o transe meditativo e suave dos arranjos.
Precedendo o disco homônimo (2014) e Princesa (2016), lançados de forma independente, Tônus recebeu apoio do edital Natura Musical. Uma parte do resultado foram 31 shows em diversos estados brasileiros e, pessoalmente, o melhor dentre os vários que fui esse ano. Vale a pena dar uma chance não somente para os sons do quinteto, como também para a possibilidade de ver Salma Jô dançando os acordes ao vivo. – Vivian Fernandes/Guilherme Montassier

  1. 7 - Beach House

Já escutei por aí que sem riscos, não há criatividade. Victoria Legrand e Alex Scally se arriscaram desde os primeiros momentos da banda, criando e recriando um som que parte do dream pop, mas se torna único, reconhecível em qualquer lugar do mundo, que é o Beach House. Posso dizer sem medo que Beach House é mais que uma banda: é um modo particular de perceber o mundo e de fazer música. É impossível não sentir arrepios com a atmosfera áspera e agridoce criada pelos músicos, que sabem muito bem que o simples, às vezes, é mais denso e impactante do que qualquer outra coisa.  
Ao longo de sua já extensa carreira, o Beach House produziu álbuns e faixas inesquecíveis, fortalecendo e inovando sua sonoridade, cujos efeitos são o gosto amargo, o coração melancólico, o corpo quente e a mente calma. Entretanto, ainda que as mudanças existam na sólida discografia dos músicos, às vezes a vontade é de dar um passo um pouco maior. E, para isso, é preciso colocar a criatividade pra funcionar, buscar lugares ainda não explorados, ultrapassar limites impostos pelo mundo e por nós mesmos. Fazer algo diferente é se arriscar, portanto, e 7 foi um risco, um salto no escuro, sustentado por alguns traços advindos da inevitável consistência da sonoridade da banda.
Não me interprete mal, 7 continua sendo essencialmente Beach House, como não poderia deixar de ser. Efeitos na voz e distorções nas guitarras, frases em loop nas teclas, melodias instantaneamente apaixonantes e uma ausência meticulosa de polidez são algumas das características que parecem naturais a Legrand e Scally. O efeito de tudo isso, na forma de melancolia espacial, é um álbum magnífico. Magnífico, e não mais do mesmo: cada vez mais, as influências que vão do rock à música eletrônica são cuidadosamente decompostas e reorganizadas, elaborando mais e mais, pouco a pouco, o estilo singular do Beach House de fazer música.
As temáticas do 7 são muitas, unidas por um olhar introspectivo, porém crítico, sensível e realista. O caos, a escuridão, o desconhecido, a solidão, o glamour e a destrutividade. Tudo isso ainda parece pouco para falar de tudo que o álbum apresenta, principalmente porque, no final de tudo, repousa serenamente o mistério. E com esse mistério, há a certeza de que decifrar 7 milimetricamente não é exigido nem necessário. O que é necessário, enfim, é se entregar ao universo particular do Beach House, permitindo-se sentir e ser tocado, sem receio do que possa emergir a partir desse encontro. – Carolina Tomishige

 

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