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Somos o Timbre. Um espaço de opinião sobre música vibrando em novas frequências.

As 100 Melhores Músicas de 2018

As 100 Melhores Músicas de 2018

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Escolher músicas para uma lista como essa pode ser mais difícil que álbuns. Veja bem, álbuns costumam ressoar mais, ter mais impacto como uma coletânea de faixas, do que apenas uma única canção. Ou não, às vezes as músicas que marcam uma pessoa estão ali na ponta da língua, muito mais fáceis de serem nomeadas e incorporadas como candidatas a entrar no hall de melhores músicas de um período.

2018 foi um ano de extremos, tudo foi muito ou não foi nada. Muita política, muita mudança, muita discussão, e o poder da internet nas relações humanas refletido nisso tudo, enquanto ainda estamos tentando estudar e quantificar seu impacto de forma mais palpável.

E no meio desse ano tumultuado, a arte deu sua resposta. Grande parte dos componentes dessa lista reflete sensações intrínsecas aos 365 dias que passaram, desde a política em si, suas ramificações, seus agentes, seus detalhes, seu peso de forma macro e micro, mas também perda, amor, maturidade e superação. Acredito que conseguimos capturar isso do jeitinho mais Timbre possível na nossa lista, feita com amor para vocês e para nós também. Essas são as nossas 100 melhores músicas de 2018.

100. Golpista - Carne Doce

No desenrolar do cenário da política nacional, é quase que inevitável ter passado a associar a palavra “golpista” à certa figura pública. É na última faixa do Tônus, que em meio a uma onda de synths somos provocados a olhar não apenas para nossos próprios problemas, mas também para o social. Sobre um golpista maior e os golpistas do cotidiano. – Vivian Fernandes

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99. A Pearl - Mitski

“A Pearl” é caracterizada por uma entrega vocal de alto nível, um clímax simples e certeiro e a incrível capacidade da Mitski de transmitir seus sentimentos em um intervalo de tempo tão breve. – Thales Lopes

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98. Misunderstanding – Marianne Faithfull

Uma carreira de mais de 50 anos. É isso que a voz já desgastada, mas ainda belíssima e única da Marianne Faithfull transmite, e na faixa de abertura do seu álbum mais recente, violinos que são a reflexão em forma de som envolvem os lamentos da cantora sobre a falta de comunicação dos tempos atuais. – Guilherme Montassier

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97. Rank & File - Moses Sumney

Com um ritmo agitado, cheio de tensão e eletricidade, “Rank & File” é uma das pérolas do ótimo EP curtinho que Moses Sumney lançou esse ano (Black in Deep Red, 2014). – Denyse Mathiesen

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96. Driving Down to L.A. – Ezra Furman

Seguindo o conceito do álbum Transangelic Exodus, Ezra Furman faz de “Driving Down to L.A.” o clímax em pop experimental de uma odisseia em busca da liberdade num mundo tragicamente impiedoso e preconceituoso. – Victor Coelho

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95. Stock Image – Miya Folick

Nova promessa da cena pop, Folick encanta com uma voz flexível e letras joviais e maduras ao mesmo tempo. “Stock Image” é o melhor exemplo do seu álbum Premonitions. Leve, com sintetizadores conectados à alma, e um refrão agudo emocionante, a faixa nos leva à um lugar de aceitação de nós mesmos e amor próprio. – Guilherme Montassier

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94. Everybody’s Coming To My House – David Byrne

O pop vanguardista da lenda não é mais tão à frente de seu tempo, mas faz questão de ser atual e positivo. Não há espaço para o cinismo na mistura de percussão, sopros, a linha de baixo de costume e a voz grave de Byrne buscando abraçar o mundo. – Mariana Benevides

93. For You Too - Yo La Tengo

Com uma simplicidade marcante, a faixa traz versos que narram a simultaneidade de sentimentos opostos, falando de insegurança e amor. A incerteza e o mistério, junto aos efeitos e ao tom melancólico característicos do Yo La Tengo, tornam “For You Too” uma modesta joia. – Carolina Tomishige

92. Only Acting – Kero Kero Bonito

Parece que o Kero Kero Bonito andou ouvindo muito Nine Inch Nails e saiu tacando um noise rock na sua já consagrada mistura de PC music com J-pop. O resultado é uma faixa que cheia de camadas surpreendentes e um irresistível mistério conceitual. – Victor Coelho

91. When I’m With Him – Empress Of

Um pop leve, para dias ensolarados ou dias de veraneio toleráveis. A instrumentação parece ser perfeita para uma declaração de amor, mas Empress Of consegue criar uma canção sobre um meio termo morno sobre relacionamentos que soa como uma declaração de amor. – Mariana Benevides

90. Never Fight A Man With A Perm - IDLES

Uma ode aos feitos sombrios do passado, a faixa é um meio de catarse pelo qual Joe Talbot (vocalista) explora partes de si mesmo das quais já sentiu (e sente) repulsa ou vergonha. Cocaína, brigas, cigarros e punk convivem com uma carga surpreendente de vulnerabilidade. – Carolina Tomishige

89. Mother Maybe - Kadhja Bonet

Kadhja Bonet brilha nos vocais e em todos os instrumentos da faixa, que ela mesma toca, em um hit neosoul elegante e explosivo. As influências do oriente médio são a cereja do bolo em um som essencial para um mundo globalizado. – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

88. Fly – Low

“Fly” merece seu lugar na lista pela beleza das suas camadas, cuidadosamente construídas ao longo da faixa, em guitarras e baixos ecoando a melancolia do vocal de um dos pontos mais leves do Double Negative. – Denyse Mathiesen

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87. Letting Go – Wild Nothing

“Letting Go” une o dream pop e o synth em um som objetivo e estimulante. A faixa parece vir diretamente de um sonho vespertino de um amante da música indie da década passada, com camadas e refrão grudentos. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

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86. LIFE – Saba

Um dos maiores representantes do rap em 2018, Saba compõe em LIFE uma pintura de sua mente, com seus demônios, medos e traumas saltando aos ouvidos numa obra que está mais pra uma versão hip-hop de um Pollock do que para qualquer realismo clássico. – Victor Coelho

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85. Volca - ruído/mm

“Volca” é etérea, fluida, intangível. A faixa, um pós-rock maciço, milimétrico e sereno, tem a sua carga de viagem espacial e momentos encantadores de tensão. O sentimento de paz que ela causa não é brando, originando uma inquietude mágica e verdadeiramente instigante. – Carolina Tomishige 

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84. O Cirandeiro – Mestre Anderson Miguel (part. Juçara Marçal)

Pense num riff inescapável. Nessa mistura de maracatu e ciranda, o trompete vem avassalador, numa melodia mágica. Ouvir essa música é estar dentro de uma festa popular no Nordeste brasileiro, é estar abençoado por uma ancestralidade que não dá pra explicar. O dueto do Mestre de apenas 22 anos com um dos grandes nomes da vanguarda paulista aqueceu meu coração nesse ano tão complicado. – Guilherme Montassier

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83. Party For One – Carly Rae Jepsen

Outro exemplo da competência da Carly Ray Jepsen na música pop. Um hino de superação e amor próprio, aos moldes açucarados de perfeição que já estamos acostumados vindos da artista canadense. Espere cantar esse refrão por muitos dias da sua vida depois da primeira audição. – Thales Lopes/Guilherme Montassier 

82.  Blaxploitation - Noname

Produção minimalista junto ao flow impecável, versos de vivência e história e um baixo hipnotizante. A exploração da negritude (daí o nome) viram um rap hipnotizante, com toques de homenagem ao estilo cinematográfico de mesmo nome do final dos anos 60. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

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81. O Corte - Ventre

Há quem sinta medo de ser sincero demais; esse definitivamente não é o caso da Ventre. Com uma narrativa tão pessoal e poderosa, uma complexidade instrumental majestosa e sonoridade única, a banda transforma habilmente, uma vez mais, dor pulsante em pura poesia. – Carolina Tomishige

80. Don't Beat the Girl Out of My Boy - Anna Calvi

Uma guitarra crua com acompanhamentos minimalistas e uma performance vocal poderosa justificam as comparações de Anna Calvi com ícones do indie rock no estilo PJ Harvey, tanto pelo estilo em si quanto em qualidade. – Denyse Mathiesen

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79. Drown - Cuco feat. Clairo

Despontando entre um dos principais lançamentos indies de agosto, “Drown” traz uma parceria entre o os cantores estadunidenses Cuco e Clairo. Flertando com o bedroom pop, a letra e melodia remetem ao romantismo, presente no trabalho solo dos artistas. –  Vivian Fernandes

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78. Amor Verdade - Maria Beraldo

“Pai, gosto muito dos homens, sim / De tê-los ao alcance da boca, sim / Mas no calor da manhã quem me fez delirar foi uma mulher / Como é minha mãe”. Acompanham a produção um violão, uma bateria e uma atmosfera enevoada colorida pela voz instigante da instrumentista Maria Beraldo, que dá passos firmes em seu primeiro projeto solo. – Vivian Fernandes

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79. Catch It – Iceage

Em uma deliciosa mistura de instrumental grunge e vocais desorientados ao estilo punk britânico, “Catch It” é um desabafo alcoolizado e torturado de um amor não correspondido, e de certa forma abusivo. Uma pintura vívida da mente de um homem infectado com delírios machistas e também um lembrete apavorante do que precisa ser mudado. – Guilherme Montassier

76. Quente - Raça

Se preparando para o lançamento de Saúde, em 2019, a Raça nos entrega “Quente”. Na faixa, ouvimos guitarras bem pronunciadas, coro vocal e uma bateria cadente enlaçados por uma linha de baixo encorpada. Na letra temos Popoto Martins dando voz a um cenário melancólico de coragem, narrando o distanciamento e separação de um casal. – Vivian Fernandes

75. Eu Estou Aqui – Baleia

Baleia surpreende em “Eu Estou Aqui” por abandonar seu característico maximalismo e optar por uma produção mais controlada e madura na faixa liderada por Sofia Vaz. O núcleo pop da melodia e produção da canção é um acompanhamento delicioso para a enigmática letra. – Victor Coelho

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74. Bluesman - Baco Exu do Blues

Música-abertura do segundo álbum de estúdio do Baco, a construção do som lembra “Intro”, de seu álbum posterior, Esú (2017). Mantiveram-se os samples e elementos radiofônicos, mas desta vez aliados a um beat mais calmo e dando base para uma letra que aborda a importância do blues na cultura negra. – Vivian Fernandes

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73. Giovanni – Jamilla Woods

Jamilla Woods não é sua rainha, é o reino. Nessa faixa espetacular, ela conta em versos rápidos de rap aliados a um R&B excelente a sua herança, identidade e seu poder enquanto mulher descendente de tantas outras mulheres poderosas. – Victor Coelho

72. France (Grands Boulevards) – Yumi Zouma

Uma música lançada para uma coletânea especial do site Stadiums and Shrines, com temática de colagens sobre a França, a banda neozelandesa criou um paraíso em forma de som, confortável e idílico. A delicadeza da composição ao redor da letra melancólica de uma relação conturbada traz um conflito dos mais belos de 2018. – Guilherme Montassier

71. Not Abel – Hop Along

“Not Abel” é um som articulado e dinâmico marcado por uma composição densamente trabalhada e por vocais que fluem e evoluem no decorrer da canção, quase como um épico folk, misturando Joanna Newsom e indie anos 90. – Thales Lopes/ Guilherme Montassier

70. Antimatter Animals - Tropical Fuck Storm

A sonoridade obscura, bizarra e torta do TFS se une a uma temática política, com críticas ácidas e humor sombrio. É confuso, pesado e absolutamente atordoante - no melhor sentido possível. Um maravilhoso soco na cara. – Caroline Tomishige

69. 4EVER - Clairo

Um estilo lírico jovial e um instrumental vintage compõem esta canção que fala sobre as incertezas do futuro e existência e é mais um desempenho agradável da Clairo. Assim como na capa do single, o retrô e o cool contemporâneo se encontram nesse hit em potencial – Thales Lopes/Guilherme Montassier

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68. Bite The Hand - boygenius

Phoebe Bridgers, Lucy Dacus e Julien Baker unem forças no projeto paralelo incisivo e agridoce; juntas, harmonizam vozes e riffs, culminando no verso mordaz: “I can’t love you how you want me to”. Não ouça essa música em público. – Mariana Benevides

67. Is it Cold in the Water? – SOPHIE

Em “Is it Cold in the Water?”, a produtora SOPHIE tece um poderoso comentário sobre identidade transexual. Justapondo referências de calor e frio ao “borbulhar” que vai crescendo durante toda música, ela cria uma imagem comovente de um todo dividido em dois. Isso é o futuro da arte. – Victor Coelho

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66. Havana - Camila Cabello feat. Young Thug

Até no Brasil do “grande inimigo comunista” essa declaração de amor à Cuba, terra de origem de Camila Cabello, bombou. A cubana não poupou na latinidade desse pop sedutor e envolvente. Fifth Harmony pra quê? – Denyse Mathiesen

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65. KAYTRANADA_WAITIN_115 BPM – Kelela feat. Kaytranada

Poucas vezes um remix é melhor do que a canção original, e Kaytranada tem talento até pra superar a delícia que é “Waitin” da Kelela. Na real o álbum de remixes do Take Me Apart conseguiu superar o original, atestando o que bons produtores podem fazer para a sua música, e esse é o melhor exemplo. Saudades, Kaytranada – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

64. Honey - Robyn

“Honey” é pulsante, cantada como um segredo entre Robyn e o ouvinte. A faixa vai reverberando como um futuro clássico de house music a ser idolatrado pelos próximos anos, como algo imortal para ser compartilhado ou experimentado em segredo. – Mariana Benevides

63. Seu Crime – Pabllo Vittar

O single da Pabllo tem reviravoltas, uma imprevisibilidade na batida resultada de uma mistura de gêneros que dá pra ouvir em loop. Começa lenta e cresce aos poucos, como todo bom hino pop, e tem uma das melhores explosões de 2018. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

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62. Boo’d Up – Ella Mai

Com um dos refrãos mais cativantes do ano, Ella Mai despontou como uma nova aposta mainstream graças ao efeito chiclete que essa música perfeita causa: ela gruda quase que literalmente no cérebro, e quando percebemos, já estávamos cantarolando a melodia o tempo todo. Pop em sua mais intensa genialidade. – Guilherme Montassier

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61. Hangout At The Gallows – Father John Misty

A faixa de abertura de God’s Favorite Costumer é um folk-glam que traz as figuras bíblicas para o século XXI como se fossem pessoas que eu e você conhecemos por alto, onde tudo que realmente importa pode ser resumido em quatro perguntas: “What's your politics? What's your religion? What's your intake? Your reason for living?” – Mariana Benevides

60. Bassackwards – Kurt Vile

A viagem de Kurt Vile em “Bassackwards” pode parecer indecifrável, mas o cantor se dá o direito de curtir sua própria onda e de torna-la linda e convidativa. Assim, se torna muito fácil se identificar com a contemplação do sol, do mar, do universo e das relações em que ele se joga, envolto nos dedilhados de violão e nos sons em rewind. – Victor Coelho

59. Devotion – Tirzah feat. Coby Sey

“Devotion” é um passo fora do convencional, um som exótico, alheio àquilo que toca nas rádios e é tendência, vibrante e confessional e de ótima qualidade. A produção do Micachu dá a faixa-título do álbum de estreia da Tirzah uma suntuosidade diferenciada. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

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58. Four Out of Five - Arctic Monkeys

A faixa mais fácil de digerir de um álbum tão polêmico, “Four Out Of Five” é talvez um pequeno lembrete, para que não nos esqueçamos do porquê da banda ser quem é. Indie rock contagiante, simples, sedutor e cheio de charme. Direto ao ponto. Totalmente Arctic Monkeys. – Carolina Tomishige

57. Me Desculpa Jay-Z - Baco Exu do Blues feat. 1LUM3

Em seus 3:31 minutos de música, “Me Desculpa Jay-Z” abre espaço para o rapper mandar linhas e rimas sobre a saúde mental do homem negro, com foco na bipolaridade. Dividindo o vocal com a artista paulistana 1LUM3, a faixa não deve ser limitada à uma love song e merece análise mais profunda da parte do ouvinte. – Vivian Fernandes

56. Colossus – IDLES

Os caras do IDLES são os brutamontes mais sensíveis da música atual. Cada faixa é uma catarse, e “Colossus” segue a linha, pincelando exemplos de masculinidade tóxica e sua influência na identidade do eu-lírico. Tudo com muita ira punk para dar na cara dos fascistas. – Victor Coelho

55. Because It’s In The Music – Robyn

2018 teve álbum novo da Robyn. Só por isso deveríamos ser gratos, enquanto ouvimos o Honey na ceia de Natal com a família. “Because It’s In The Music” é apenas mais um exemplo da genialidade da artista sueca, casando um arranjo de sintetizadores com um apelo oriental e uma parte lírica colossal, criando um momento catártico e sublime. – Guilherme Montassier

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54. Django Jane - Janelle Monáe

Em um caráter político e empoderador, Monáe rima confiante, sem precisar de um hook, em seu feroz ato voltado a todo aqueles que ousam se opor a parte marginalizada da sociedade. Um vislumbre da versatilidade da artista e de sua bravura como letrista. – Thales Lopes

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53. Todo Homem - Zeca Veloso feat. Caetano, Moreno & Tom Veloso

O falsete certeiro do Zeca Veloso canta um mantra misterioso, em um arranjo suave de piano e violão, embalando o ouvinte em uma espécie de canção de ninar reflexiva, mostrando uma nova cara dos sons do clã dos Veloso. – Denyse Mathiesen

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52. 1H (Heavy Dancing) - Desgraça

O funk-punk do mais novo projeto do Victor Brauer é um soco na cara, e uma vontade como nenhuma outra de se mexer e/ou destruir alguma propriedade privada cantando junto: “HOJE EU TÔ QUE NEM POLÍCIA — SÓ QUE AO INVÉS DE POBRE EU BATO EM MACHISTA.” – Mariana Benevides

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51. Butterflies – Kacey Musgraves

Kacey Musgraves foi um daqueles nomes que não saíram da pauta do universo musical esse ano. Seu álbum Golden Hour foi aclamado pela crítica, e nenhuma faixa dele representa melhor a mistura de country e pop como a doce “Butterflies”, com seus sintetizadores suaves como uma brisa envolvendo um conto de redenção através de um novo amor. – Guilherme Montassier

50. Somebody - Dream Wife

“Somebody” é um diamante da cena alternativa, um grito feminista que mescla pop, punk e sotaques acentuados. A faixa aborda, com poucas palavras e nenhum medo, temas atuais e pertinentes para que se compreenda um pedacinho do que é ser mulher hoje. A roupa que você usa, o lugar onde você está, o jeito que você se comporta, tudo isso é aproveitado e pervertido para que, no final, você seja julgada e desmerecida. O que ecoa, no final, é o verso tão curto, mas que diz tanto: “I am not my body, I am somebody”. – Carolina Tomishige

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49. One More – Yaeji

Ela conseguiu de novo. Com “One More”, Yaeji prova que é a rainha da House Music atual, e o faz com muita elegância, sutileza e personalidade, numa faixa que se apresenta quieta e vai crescendo aos pouquinhos com cada bem pensada camada se articulando numa meditação sobre a solidão. – Victor Coelho

 
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48. Din Din Din – Ludmilla feat. MC Doguinha & MC Pupio

Misturando uma batida minimalista e um refrão imediatamente cantável com sua atitude independente e sempre sem papas, Lud emplacou (mais de) um sucesso esse ano, competindo pelo Rio de Janeiro contra a quase-hegemonia do funk paulista. – Denyse Mathiesen

 
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47. Banho - Elza Soares

Ao lado do tradicional grupo de percussão Ilú Obá de Min e synths, Elza Soares canta quase que uma versão 2.0 de “Carta de Amor”, de Maria Bethânia - menos religião, mesmo poder feminino. A percussão e coro do Ilú Obá trazem um movimento envolvente à composição, que canta o poder dum modo inefável. É a ascendência de Elza se fundindo com a relação entre mulher e natureza. – Vivian Fernandes

46. Cherry - Rina Sawayama

Rina Sawayama pode não ter um grande nome na qual se apoiar, mas isso não a impede de fazer músicas boas. “Cherry” é um pop sinestésico e nostálgico, um som veemente e afável sobre um romance e um exemplo de música pop que funciona. – Thales Lopes

45. Amor Distrai (Durin) - Carne Doce

Segundo single do álbum Tônus, “Durin” é uma daquelas músicas chiclete. É difícil não se pegar cantando “porque eu só gozo assim, em alto e bom som” mentalmente - refrão sugerido por Dinho Almeida, do Boogarins. Novamente dando destaque ao baixo, a melodia é um groove sensual que se expande com o desenrolar da canção. É uma ode ao sexo nu e cru, sem floreios e romantização, pois amor distrai. – Vivian Fernandes

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44. Need a Little Time - Courtney Barnett

A levada despretensiosa e os vocais calmos de Courtney Barnett se juntam a letras que, sem deixar a leveza de lado, falam de angústia, batidas de carro, cabeças raspadas e precisar se afastar de si mesmo algumas vezes. O que encanta, na australiana, é a facilidade de dizer o que pensa sem floreios, mas com frescor e delicadeza. Denso e melancólico, sem tirar os pés da areia. – Carolina Tomishige

43. Suspirium - Thom Yorke

A mágica de Thom Yorke vem por duas vias: uma é a facilidade de compor melodias que capturam e encantam no primeiro instante; outra é a delicadeza ao unir arte e sentimento, criando momentos absolutamente únicos. A mente vanguardista de Yorke é irrefreável, e “Suspirium” é mais um exemplo de sua força como músico e de sua potência como artista. Um clássico instantâneo, com cara de tardes chuvosas, como não poderia deixar de ser. – Carolina Tomishige

42. February 3rd - Jorja Smith

Apostando em um downbeat extremamente relaxante e particular, Jorja Smith canta sobre paixão, entrega e autodescoberta. Um som que vem agradando bastante os millennials em suas rádios piratas pelo Youtube. “So why don’t you lose yourself for me?”, canta Smith e rapidamente é o que acontece enquanto ouvimos. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

41. I Never Dream - Against All Logic

Manipulando de forma genial uma sample de “I Never Dreamed”, música de 1964 do The Cookies, com batidas em loop com sonoridade industrial, “I Never Dream” é um dos momentos mais otimistas de 2012-2017, e uma das melhores faixas de house do ano. – Denyse Mathiesen

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40. Love Me Right – Amber Mark

A voz doce de Amber Mark, a letra confiante de uma mulher independente e uma construção minimalista e aveludada com o toque certo de R&B, jazz e ritmos brasileiros são uma escolha singular. É gostoso de cantar, de ouvir e dentro de um gênero que às vezes pode soar engessado, as escolhas de arranjos e nuances da artista dão um sopro de frescor nas nossas caras. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

39. Voices Carry Through the Mist – Charles Watson

Existe uma nostalgia que emerge nas canções de Charles Watson, uma elegância tão intangível a ponto de ser rara de encontrar, que eu talvez admire desde a infância. Em “Voices Carry Through the Mist”, a voz dele se mistura à brisa que bate num fim de tarde, quando a luz laranja do crepúsculo pede um café, e, ao som de um jazz urbano onírico, você pede que ela dure um pouco mais. – Victor Coelho

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38. Woman - Cat Power feat. Lana del Rey

“Woman” é uma ode ao poder e à autossuficiência feminina, do jeitinho Cat Power de ver o mundo. A faixa foi adicionada nos últimos momentos ao álbum Wanderer, já que havia sido previamente recusada pela ex-gravadora de Marshall. A participação de Lana Del Rey, bela e delicada, ultrapassa os limites da música; é uma amostra da importância da união, e de como, enquanto mulheres e enquanto seres humanos, somos mais fortes juntas. – Carolina Tomishige

37. Falling Into Me - Let's Eat Grandma

Do duo de inglesas de 19 anos, Let’s Eat Grandma, esse hit dream pop começa pesado nos sintetizadores e no reverb, que são seguidos de batidas e baixo mais empolgantes, crescendo até uma explosão de dance pop colorido neon irresistível. No meio disso tudo, percebemos como as letras das artistas melhoraram desde seu último álbum. “Falling Into Me” é um dos melhores exemplos de versos bem pensados e elaborados para nos envolver na narrativa proposta pela dupla. – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

36. Little Dark Age – MGMT

Mesmo não tendo mais alcançado o sucesso e a genialidade do seu primeiro álbum, a banda americana MGMT volta e meia ainda nos pega de surpresa com seus lançamentos. A faixa-título do seu mais novo álbum Little Dark Age nos remete ao auge da banda na década passada, com os vocais trabalhados digitalmente e em uníssono guiando uma melodia de sintetizadores gélidos e robotizados, compondo a faixa que se utiliza da Idade Média como metáfora para o que nós escondemos, o que não queremos revelar para o mundo exterior, e como isso pode ser a causa para nossa derrota. – Guilherme Montassier

35. Your Dog - Soccer Mommy

Em “Your Dog”, Sophie Allison faz um desabafo sobre um relacionamento que não está indo nos rumos corretos e merece ressalvas por colocar o ouvinte em uma situação totalmente empática com a descrita na música. A faixa é um dos highlights de um álbum visceral e que bebe totalmente da fonte das singer/songwriters dos anos 90; a produção sendo despida de muitos elementos para nos envolvermos da forma mais crua possível com as letras. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

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34. Believe – Amen Dunes

Damon McMahon consegue capturar em “Believe” um sentimento muito bonito e fugaz que eu consigo definir apenas como um desequilíbrio entre uma visita bêbada às memórias mais bonitas e uma percepção embaçada do presente, e essa oscilação distorcida deslizando por entre acordes de guitarra e vocais embriagados num pop rock psicodélico. O fluxo de consciência se desenvolve ignorando as estruturas, e os flashes de passado e presente revelam a carga emocional da canção. – Victor Coelho

33. Comida Amarga - Carne Doce

Como o próprio nome sugere, “Comida Amarga” é uma música indigesta. É deliciosa no arranjo que marca o terceiro álbum do grupo, com seu baixo presente e atmosfera dançante. Porém assim que o vocal de Salma Jô começa descobrimos que essa sugestividade esconde uma dor maior: a composição fala sobre término de relacionamento, no qual ainda há alguém que ama. Para ouvir rebolando enquanto chora. – Vivian Fernandes

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32. Disgraced In America – Ought

“Disgraced In America”, a segunda faixa do glorioso Room Inside The World, é sua melhor representante. Tecnicamente impecável na sua construção melódica e instrumental, a Ought pega nossas preconcepções da mistura essencial de post-punk com indie dos anos 80 e apresenta uma versão única, revigorada e relevante do que é ser americano na era pós-Trump. A faixa descreve um sentimento nacionalista flagelado, marcado pela dúvida do funcionamento capitalista e do projeto anti-imigração deflagrado pelo novo presidente da maior potência da Terra. – Guilherme Montassier

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31. Rosebud - U.S. Girls 

Uma lívida canção sobre mentiras e demônios interiores construída de uma forma que soa reconfortante e singela: esta é a representação de “Rosebud”. Inspirada em Citizen Kane, a faixa fala sobre a necessidade de significado que o ser humano possui e é um grande trabalho do álbum In A Poem Unlimited. Os violinos que abrem a faixa são de tirar o fôlego, e o “stooop” falado quase como um suspiro para abrir a parte cantada da música toca os ouvidos como uma respiração profunda e reconfortante. – Thales Lopes/ Guilherme Montassier

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30. Personagem Entojado – Caio Prado

Tem certos crimes que eeeeeuuu faria questão de cometer!” E não faríamos todos nós? “Personagem Entojado” encapsula o que foi ser brasileiro em 2018. Foi ver a falta de amor, o partidarismo e a irracionalidade permearem o enredo político, enquanto os nossos representantes continuam seus planos de manter o status quo e seus privilégios perante uma população enfraquecida e desmotivada. Tudo isso com a voz perfeita de um artista em seu auge, e um arranjo instrumental de tirar o fôlego, culminando em um dos momentos mais importantes da música brasileira do ano, e quem sabe, de todos os tempos. – Guilherme Montassier

29.  Incidental Boogie – U.S. Girls

“Eu vou te falar algo que não vai ser fácil de ouvir, porque nunca é fácil ouvir a verdade...” e assim U.S. Girls introduz uma das faixas mais brutais do ano. A violência doméstica pelos olhos da vítima, onde cada riff distorcido se mescla em outro, até o som se transformar em algo tão bárbaro quanto o tema. A faixa contém boogie em seu nome, e mesmo com o caos e a dureza dos arranjos e da letra, o compasso nos faz dançar da mesma forma que um bom disco. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

28. Pristine – Snail Mail

Lindsay Jordan não tem problema nenhum com deixar seus sentimentos definirem sua identidade e a identidade da música. Ela os mostra com orgulho e quando ela grita “EU NUNCA MAIS VOU AMAR NINGUÉM” diversas vezes em “Pristine”, ela está falando sério, mesmo sabendo que não é verdade. A faixa, com seu refrão impecável e um último ato de tirar o fôlego de tão comovente que é, redefine o que é ser uma jovem estrela da música independente e coloca Snail Mail na vanguarda do rock atual. – Victor Coelho

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27. No Tears Left To Cry – Ariana Grande

Em 2018, o que era opinião virou fato: Ariana Grande é a grande superestrela mainstream do momento. A vida dela está exposta em todos meios de comunicação, as músicas todas alcançando o topo das paradas mundiais. E não é sem mérito, pois a artista tem uma voz abençoada, a qual ela sabe usar para tecer pequenas teias de puro vanguardismo dentro do seu nicho. “No Tears Left To Cry” é um dos grandes momentos da carreira da Ariana até agora, uma música que leva o ouvinte a um espaço sublime entre as alturas celestes e o chão em que pisamos, numa mescla de sonho e realidade, lidando com a libertação de amarras emocionais depois da superação de experiências que apenas a maturidade traz. – Guilherme Montassier

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26. Relay Runner - Loma

“Relay Runner” é um exemplo da importância dos detalhes e de como os detalhes são importantes para o trio formado por Jonathan Meiburg, Emily Cross e Dan Duszynski. O clima de krautrock se une a efeitos de shoegaze e ao vocal etéreo de Cross. A repetição serve a um propósito: a cada loop, mais uma tecla, mais uma distorção, mais um estrondo. Tudo isso é cuidadosamente organizado e minucioso, criando uma atmosfera cinematográfica, com certa dose de suspense e incerteza. – Carolina Tomishige

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25. Beach Life-in-Death - Car Seat Headrest 

“Beach Life-in-Death” é aquele tipo de composição que te prende do início ao fim, mesmo que este fim venha após quase 14 minutos. Will Toledo entrega uma regravação própria repleta de conflitos sentimentais e personalidade, desta vez polida, mas sem perder o emaranhado de emoções que a versão anterior possui. A banda é tecnicamente impecável, e parece que as estruturas musicais criadas pelos músicos do Car Seat Headrest falam mais alto e melhor em longas composições como essa, com espaço suficiente para criatividade e para contar histórias. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

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24. You Let My Tyres Down - Tropical Fuck Storm

Em um cenário aparentemente cotidiano, pessoas esquecidas e atos condenados são colocados no centro do palco: assaltos, violência e a melhor cocaína feita em casa da Austrália são temáticas que aparecem nos versos de “You Let My Tyres Down”. Junte isso aos vocais brutalmente honestos, às distorções brilhantemente desordenadas e aos chiados atípicos, e você terá uma das faixas mais incômodas, divertidas e macabras do ano. – Carolina Tomishige

23. Malamente – Rosalía  

As palmas flamencas são a base para a junção musical mais interessante do ano: a cultura espanhola, pop, R&B, reggaeton, a história de um amor tóxico, o coro hipnotizante, o vocal que vai de um sussurro até um arrepiante falsetto. 2018 foi da Rosalía, e “Malamente”, com sua produção que é a carinha da globalização contemporânea, foi o pontapé desse domínio e permanência da artista no zeitgeist e coletivo mental. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

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22. Joana Dark - Ava Rocha

“Joana Dark”, assim como a figura histórica que nomeia o primeiro single do álbum Trança, evoca uma ancestralidade enraizada na existência feminina. Não há mulher sem marcas de suas lutas, e é o que Ava Rocha transmite no funk experimentalista. Com participação de treze artistas entre instrumentistas e cantores, a produção funde bruxaria, feminismo e cannabis numa mesma sonoridade. Joana é a dark, é aquela que dá, a que carrega a consciência de sua ancestralidade e não se prende a convenções sociais. – Vivian Fernandes

21. Sticky - Ravyn Lenae

A combinação do teclado e batida R&B com a produção descolada de Steve Lacy e os vocais flutuantes da Ravyn Lanae resultou no hit doce, feminino e quente que é “Sticky”, inevitavelmente colando em muitos cérebros esse ano. Tudo converge para uma música perfeita, mas as diferentes modalidades na qual a voz de Lenae funciona são absurdas e roubam a cena. A faixa parece existir dentro de um mundo de veludo vermelho; sensual, porém desesperado. – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

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20. Girlfriend – Christine And The Queens feat. Dâm-Funk

Christine agora é Chris, mais livre e carnal, totalmente liberta das correntes sobre como deveria se comportar. “Girlfriend” é um pop-funk decadente, erótico, tão cheio de nuance quanto o espectro de gênero e sexualidade, onde uma mulher se rebela contra tudo o que se espera dela dentro de um relacionamento. “Girlfriend, don’t feel like a girlfriend/But lover, damn I’d be your lover”, verso que sutilmente forma o refrão da canção, é uma pequena revolução vestida de música pop. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

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19. Apeshit – The Carters

“Apeshit” é um discurso de autoafirmação e ostentação e uma bela prova de que o casal mais poderoso do mundo da música consegue se adaptar às exigências do mercado mainstream sem perder a qualidade e soar atual sem perder a identidade. Uma exaltação da fama sendo um artista negro, a faixa tem como centro da sua temática a euforia causada pelos Carters quando se apresentam para suas plateias ao redor do mundo, em uma sequência de bragging necessária para estabelecer um conceito de realeza negra. Junto com seu videoclipe impactante, o primeiro single do Everything Is Love foi um dos estouros do ano. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

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18. In My View – Young Fathers

“In My View” é uma música introspectiva, metade rap, metade harmonização, pintando um relacionamento com metáforas sobre reis e pecadores. O trio escocês continua indo além com o seu som trip-hop/pop experimental. Sempre elusivos e crípticos, mesmo quando são acessíveis, os Young Fathers criaram com a faixa um sentimento global, minutos ritmados para entendermos melhor a humanidade e a nós mesmos. A mítica desenvolvida pelos artistas é complexa, e essa composição para entender o seu todo. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

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17. Powerglide – Rae Sremmurd feat. Juicy J

Essa é a melhor batida/instrumental que o MikeWillMadeIt já produziu, ponto (em conjunto com Jean-Marie Horvat). Agora que isso já está claro, podemos analisar um pouco mais o porquê disso, visto que é algo difícil de se declarar sobre uma carreira tão prolífica como a dele, um dos produtores mais famosos da música atual. Os sons criados para dar base aos versos da dupla Rae Sremmurd são supersônicos, a sensação é de estar na frente de um ventilador industrial ou uma turbina de avião e o jato de vento é a música.
A letra em si não é nenhuma revelação, com os rappers distribuindo a famosa visão de fama, dinheiro, drogas e sexo com mulheres atrás de viver um pouco do que o status deu para ambos. Mas Slim Jxmmi e Swae Lee, irmãos que compõe o duo, fazem mágica quando produzidos corretamente, as palavras se tornando sons que se encaixam na melodia de forma tão coesa que parecem que nunca estiveram separadas antes. “Powerglide” é um banger, e se você ainda não rebolou a raba na pista ao som dela, é uma experiência única. – Guilherme Montassier

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16. Fists of Fury - Kamasi Washington

Na faixa de abertura do excelente Heaven and Earth, Kamasi Washington faz uma referência a Bruce Lee, traçando paralelos entre a estrela do kung fu e a luta diária do ser humano. Mas seria qual luta, exatamente? Seria por justiça social? Uma luta espiritual ou existencial? 
Kamasi dá a entender que pode ser todas, sem deixar dúvidas do que realmente é importante em “Fists of Fury”: resistência, pela força de mudar sua perspectiva de vítima e tomar para si as rédeas da sua vida.
Em paralelo ao seu contexto, temos a sessão instrumental. O conjunto de arranjos e melodias do jazz criado pela mente de Washington são intensos, e entram casadamente em conluio com o coral de vozes operáticas, que evocam uma tradição vista em filmes de Hollywood antigos. O ponto alto é obviamente os solos de sax do gênio, que não falha em nos surpreender com quão furioso um instrumento pode ser se deixado nas mãos (e boca) corretas.  – Denyse Mathiesen/Guilherme Montassier

15. Drunk in LA - Beach House

A faixa é onírica e imagética, trazendo a cena de uma pessoa, em um bar, imersa em sua própria intimidade, mas com olhos atentos para o que se passa ao seu redor. O refrão, que causa arrepios - em parte pelo timbre rouco, majestoso e delicado de Legrand -, revela a nostalgia do eu lírico, que relembra saudosamente algumas memórias do passado. As letras e o instrumental se unem harmoniosamente para criar uma atmosfera de finitude, impermanência e melancolia. Em especial o efeito eletrônico de várias vozes ao fundo do resto do instrumental, que abre a canção, forma uma parede inóspita e dá abrigo à composição de forma espantosa e delicada ao mesmo tempo, como apenas Beach House conseguiria. – Carolina Tomishige/Guilherme Montassier

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14. All The Stars – Kendrick Lamar feat. SZA

Kendrick e SZA sem dúvidas formam uma dupla certeira e a prova disto são as incríveis colaborações que os dois vêm lançando desde 2014. “All The Stars” é uma delas. Advinda da trilha sonora do filme Black Panther, a faixa conseguiu transmitir toda energia deste trabalho visual e combinar a esmagadora presença do rapper com a sutileza da cantora. A faixa contém muitas camadas interessantes, desde os seus elementos instrumentais com toques grandiosos, a letra reflexiva sobre sentimentos e fé em uma sociedade que sempre faz de tudo para dificultar a vida da população negra. Uma música perfeita (talvez até mais que o seu filme de origem). – Thales Lopes/Guilherme Montassier

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13. Nobody – Mitski

Mitski está em total controle de sua própria solidão em “Nobody”, a triunfante faixa disco de Be the Cowboy. O piano, a percussão e a guitarrinha característica do gênero formam o palco neon em que a cantora desenvolve seu desejo de se conectar com outra pessoa. No refrão, com a palavra “nobody” sendo repetida de diversas formas, a ideia do isolamento se torna quase divertida, irônica. E quando todos os instrumentos se calam e só ouvimos Mitski melancolicamente repetindo o título da faixa, sabemos que ela está contemplando a solidão que paira sobre ela própria. – Victor Coelho

12. After The Storm - Kali Uchis feat. Tyler, The Creator & Bootsy Collins

Mesmo olhando para os dois lados, “After The Storm” é uma música que acerta em cheio. Terceiro single do segundo álbum da artista, Isolation, conta com a participação de Tyler, The Creator e Bootsy Collins. Num clima de veraneio aliado a um swing pop, Kali canta uma letra motivacional e sobre a saudade da família. É aquela para ouvir em momentos gostosos ou quando precisa-se lembrar de que as coisas não estão bem, mas podem ficar pois tudo depende de você. A sensação é de estar dentro de uma piscina refrescante, enquanto o riff de guitarra manhoso guia nossa atenção pelo contexto de auto-afirmação que a artista explora nesse que foi um dos pontos altos musicais do ano. – Vivian Fernandes/Guilherme Montassier

11. This is America - Childish Gambino

Embalado ainda nas inspirações e brilhantismo de Awaken, My Love, Donald Glover pesou a mão no baixo, na batida e na mensagem em “This is America”. Racismo e violência são temas tratados de forma poética, com um flow inspirado em Migos, mas com muito mais pressão e uma urgência rítmica. 
A escolha de interromper tanta tensão com momentos mais melódicos e orgânicos de arpeggios em violão e vozes em coro ajudam a valorizar ainda mais a seriedade e a histeria de Glover, transmitindo a sua mensagem. Um curso em menos de 4 minutos da crise da violência racial norte americana em 2018. – Denyse Mathiesen

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10. Duck Duck Goose – Cupcakke

A qualidade crua e sem restrições da sexualidade de Cupcakke, apresentada por meio do seu flow elétrico, ríspido e implacável foi uma das experiências mais inesquecíveis e essenciais de 2018. É extasiante presenciar o rap feito por mulheres se esticando e se soltando cada vez mais, se desdobrando em múltiplas facetas diversas e personalizadas da vivência e libertação feminina. Além de exibir a atração que é Cupcakke no auge do seu rap pornô único, “Duck Duck Goose” ainda conquista com batidas pop sintéticas e dançantes, intercaladas com os gemidos orgásmicos da rapper. – Denyse Mathiesen

9. Lemon Glow – Beach House

“Lemon Glow” é uma das faixas mais autênticas da carreira do Beach House. A tensão presente na faixa e os desafios que Victoria Legrande lança com sua voz transbordando um mistério perigoso se distanciam da doçura profunda ou da introspecção psicodélica de suas outras faixas. Todo esse clima reflete a reação da banda a um mundo que debandou em caos político, social e moral nos últimos anos.
Ainda assim, a “luz limão” brilha quando as luzes se apagam, e esse brilho pode ser interpretado como o elemento “Beach House” que permanece intacto mesmo numa faixa tão diferente para a banda. A imersão proporcionada por “Lemon Glow” é uma que só o duo americano consegue alcançar. E esse brilho é também a promessa de que no caos, no escuro, existe beleza e esperança. – Victor Coelho

8. Pienso Em Tu Mirá - Rosalía

Há um certo desespero e terror por trás de todo o El Mal Querer, que se intensifica em “Pienso En Tu Mirá”. Rosalía canta com uma amargura, entre palmas e uma instrumentação simples. O coro que se segue e se multiplica no refrão serve como clímax: “Eu penso no seu olhar, e o seu olhar é uma bala no meu peito” e fica grudado na cabeça. A faixa contém uma das camadas de flamenco mais sutis do seu álbum, e é gritante a genialidade nessa mistura, transformando o ritmo tradicional espanhol em uma espécie de pop contemporâneo, onde as dores do relacionamento retratado pela artista conseguem refletir no âmago de qualquer mulher que já esteve apaixonada por um alguém tóxico. – Mariana Benevides/Guilherme Montassier

7. God Is a Woman – Ariana Grande

Vinda de uma série de acertos, “God is a woman” é atual e encantadora. Grande canta com convicção e apresenta um desempenho marcante e empoderador. Em termos de produção, a faixa é ousada e refrescante, os vocais encaixam de forma perfeita e trazem toda aquela atmosfera rebelde e ao mesmo tempo sensual. O refrão é excepcional e viciante sem ser irritante. Ouvir o segundo single do Sweetener é pegar carona em um cometa para um universo brilhante perante os olhos, é encontrar a deusa feminina em sua faceta mais bela e erótica. Após uma noite com essa entidade, a prova de que a força que nos rege é feminina é fato científico, e essa certeza é retratada com perfeição nos vocais da Ariana. A faixa tem tudo que é necessário para se tornar um clássico futuramente e merece o título de perfeição do pop. – Thales Lopes/Guilherme Montassier

6. O Drama da Humana Manada – El Efecto

Que porrada, manas. Eu não estava pronto pro efeito (ba-dun-tsss) que o Memórias do Fogo (álbum do El Efecto de 2018) teria quando fui ouvir, pois é uma mistura de sons totalmente inesperada. “O Drama da Humana Manada” é o grande número do espetáculo social-brasileiro em forma de música lançado pelos cariocas. Com um início puxado pro samba, com um cavaquinho acelerado, entramos na rotina do trabalhador brasileiro, oprimido pelas forças capitalistas que o fazem vender a sua força de trabalho em troca de dinheiro para sobreviver.
Alguns minutos depois (a música tem quase oito), temos momentos mais calmos que evocam a MPB, partes faladas com silêncio instrumental, dando ênfase em contradições nos dizeres populares para aliviar a consciência de estar imerso em um sistema injusto. E no meio disso, um momento de guitarras pesadas, gritos quase guturais, trazendo à tona o vórtex desesperador que 99% da população se encontra. Essa mistura, em tom teatral e formato de rock progressivo distoa de tudo já lançado no Brasil, e é um dos grandes momentos do ano, tanto pelo formato, quanto pela relevância. – Guilherme Montassier

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5. Geyser – Mitski

Numa curta faixa (apenas 144 segundos), Mitski lança uma luz sobre a condição do artista e a posição da arte no mundo. Se a princípio temos a impressão de que é uma canção de amor, a constatação de que “Geyser” é totalmente dedicada à paixão da cantora pela música e ao seu sonho de viver como artista nos instiga a pensar nessa figura que não consegue conceber uma forma de existir que não seja criando arte. E essa peça incrivelmente pessoal de um quebra-cabeça tão diverso que é o disco Be The Cowboy o define como ele é: uma obra de arte.
Com suas quatro fases melodicamente distintas uma da outra, “Geyser” segue o ciclo de um gêiser propriamente dito, começando calmo, porém quente, e explodindo a pressões extremas diretamente do subterrâneo. É um vislumbre de uma mente cansada, porém incessante na busca pela sua verdade. É uma criança, uma vida inteira, a felicidade, e dor. E é também nada disso, pois é arte, e Mitski nos ensina a lição de que a arte reflete a realidade no seu próprio mundo de sonhos. – Victor Coelho

4. THE 1975 - LOVE IT IF WE MADE IT

O que a catástrofe chamada 2018 te fez sentir além de agonia, depressão, raiva, e pouca/nenhuma perspectiva do futuro? O que você sentiu ao ler mais uma manchete, ao desperdiçar horas e mais horas da sua vida nas redes sociais? Essa ansiedade foi transformada em música graças ao The 1975. A intensidade ímpar por trás de todos esses sentimentos transpassa em cada acorde, flui abertamente entre as notas do sintetizador e principalmente no verdadeiro tormento que é a voz de Matt Healy.
Em pouco mais de 4 minutos nós temos cultura, memes, masturbação, imigração e a única conclusão possível: “a modernidade nos falhou”. É a agonia de viver no mundo, de ser jovem no planeta em chamas e uma sociedade que se demole aos poucos. “Love It If We Made It” é a verdadeira retrospectiva de 2018. - Mariana Benevides

 

3. thank u, next - Ariana Grande

2018 foi um ano difícil para Ariana Grande. Depois da morte do Mac Miller e do fim do seu noivado com Pete Davidson, isso no ano seguinte de um atentado terrorista durante um dos seus shows, Ariana cancelou sua agenda e tirou um tempo para descansar, retornando com “thank u, next”, um dos singles mais comentados da sua carreira.
Nunca Ariana se abriu tanto, chegando a citar os nomes daqueles que marcaram a sua vida amorosa, para finalmente confessar humildemente uma declaração de dor, amor próprio e superação. A catarse da Ariana é universal, e “thank u, next” é o palco pop leve e divertido perfeito para exibí-la em toda sua sinceridade. – Denyse Mathiesen

2. Night Shift - Lucy Dacus

Esta é a única música sobre um término de relacionamento que Lucy Dacus já escreveu, segundo ela mesma. Às vezes, os sentimentos gritam, e é difícil escapar da raiva, do ressentimento e da desolação que povoam o peito. É por isso que “Night Shift” arrepia a alma: cheia de verdade - verdade íntima, crua - e cheia de harmonia, a faixa conta a história de amadurecimento após o fim de um amor, sem esconder a saudade e o medo diante de tamanha vulnerabilidade.
Ao longo de seus seis minutos e meio, a faixa cresce dramaticamente, começando com uma melancolia terna que se transforma, no clímax, em um tornado de poesia, sofrimento e rock amargurado no melhor estilo Radiohead. Repleta de pessoalidade, “Night Shift” é a sublimação meticulosa de um luto. É assombrosa, fascinante e dolorida: seu resultado é um estado de emoção desordenada, lágrimas nos olhos sobre as quais pouco se sabe - e está tudo bem assim. – Carolina Tomishige

1. Missing U - Robyn

Escolher a música número 1 do ano nunca é fácil. Ariana e seu hino despojado de amor próprio? 1975 e sua obra-prima que dialoga tanto com os tempos virtuais que vivemos? Rosalía e suas misturas de pop mainstream com flamenco, Childish Gambino e sua revolucionária demonstração do que é ser negro nos EUA, Caio Prado ou El Efecto com seus hits políticos em ano de eleição? Todos excelentes candidatos. Mas na soma dos resultados, foi a nova música da Robyn, depois de 4 anos (e 8 sem um álbum) que levou o trono do Timbre em 2018.

Veterana, Robyn tem (pasmem) quase 30 anos de experiência artística, e conseguiu achar a sua voz e o seu estilo lírico durante esse tempo, remetendo muito à Madonna como uma das poucas artistas que são camaleões produtivos, ou seja, em qualquer tipo produção instrumental, a voz e o que cantam são definitivamente únicos.

“Missing U” veio como um choque, como um anúncio messiânico de algo grandioso e de suprema importância. Afinal da última vez que tivemos um álbum da artista sueca para saborear como novo, recebemos um hinário que não mudou as estruturas da música pop, mas lembrou a todos o que fez o estilo ser tão amado mundialmente em primeiro lugar. Isso em uma época pré-poptimism, com o olhar do público para o eletrônico, e o dos críticos ainda muito distante do retorno de boas avaliações para esse tipo de música.

Já com sua base de fãs consolidada durante a década, a cantora se arriscou em seu álbum Honey, numa roupagem mais experimental. “Missing U”, primeiro single, demonstra isso de forma singela, pois mesmo menos comercial, ainda é uma música pop, feita para a pista de dança e para cantar alto junto, sentindo a canção. A voz da Robyn é icônica, e no compasso de um sintetizador bem disco, ela alcança toques emocionais de forma tão eficiente como no pop sueco mais clássico praticado em composições anteriores.
Mas o que torna essa música a cara de 2018 é sua euforia mesmo ao encarar a perda. Na música, Robyn trata da perda de uma forma tão triste e desesperadora que é agoniante. Um pouco parecido com a sensação obtida ao se analisar os movimentos fascistas avançando em frente a uma realidade mais democrata que foi atingida no início da década, algo como um vazio inexplicável. A perda pessoal da artista nos remete às nossas próprias perdas também, além das coletivas.

Ainda assim, o olhar de “Missing U” vem de um lugar de positividade. Um lugar onde esse vazio é transformado em catarse, e essa catarse leva à uma profunda compreensão do que somos e precisamos como coletivo e como unidade. Mais ou menos como uma pista de dança, onde dançamos pra nos livrar de nossos próprios demônios, mas também dançamos com os outros. É nessa pista de dança da vida que ouvimos “Missing U” bem alto, com o baixo guiando o pulsar dos nossos corações e os nossos movimentos, enfrentando o medo com amor e alegria. – Guilherme Montassier

Ufa! Depois dessa lista linda e de entregar 2018 para o profundo lago do passado, só uma playlist bem delicinha pra gente relaxar, né? É só dar o play aí em baixo!

 

Os 50 Melhores Álbuns de 2018

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