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Dire Straits - Dire Straits

Dire Straits - Dire Straits

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Dire Straits

Dire Straits
Vertigo/Warner Bros
Outubro/1978
Rock, Pub rock
O que achamos: Excelente

Entender o porquê de uma banda como o Dire Straits ser considerada lendária é fácil quando, ao ouvir seu álbum homônimo, nos deparamos com elementos que exemplificam com perfeição a potência de um bom e clássico rock ‘n’ roll: linhas brilhantes de guitarra, um vocal intencionalmente desinteressado, uma banda tecnicamente impressionante e músicas que fazem com que os dedos batuquem e a cabeça balance quase sem perceber. Mais ainda, dar-se conta de que esse é o primeiro álbum da banda inglesa é perceber que, diferente de muitas outras, o caminho do Dire Straits foi bem estabelecido em sua primeira tentativa; afinal, acertar em cheio com um primeiro lançamento é algo reservado apenas para os gigantes do rock, tornando esse um álbum essencial para todos que minimamente se importam com música. Produzido por Muff Winwood, Dire Straits foi gravado no Basing Street Studios, em Londres, entre fevereiro e março de 1978, e é, como a banda notavelmente se propôs a ser, carregado de influências de blues, country e folk.

Em primeiro lugar, é preciso falar de “Sultans of Swing”, o primeiro single da banda e provavelmente sua música mais famosa; ela dispensa apresentações mas, a quem interessar, foi escrita e composta por Mark Knopfler, cuja ideia veio de um show de jazz em um pub vazio, no qual a banda que se apresentou tinha o nome que deu origem ao título da música. A faixa de abertura, “Down To The Waterline”, começa com a sentimental guitarra de Mark Knopfler, também dono da voz meio Bob Dylan, meio Joe Strummer, que tempera as músicas do álbum. Exemplo perfeito do equilíbrio entre bons solos de guitarra e doses de humor e ironia em letras sagazes, essa faixa explora um dos maiores temas do álbum: amor e relacionamentos, sempre com um quê de boemia e diversão. Em seguida, “Water Of Love”, com a mesma temática, traz uma dose de melancolia, expressa em trechos como “I've been too long lonely and my heart feels pain/ Crying out for some soothing rain”, sem perder o gingado e o ritmo dançante característicos do Dire Straits.

A terceira faixa, “Setting Me Up”, pesa nas raízes country e folk - Bob Dylan sendo, inclusive, declaradamente uma das maiores influências de Mark Knopfler. Tanto nesta faixa quanto em “Water Of Love” é quase possível ouvir a voz de Bob Dylan pelo microfone do vocalista do Dire Straits. A forma de cantar, meio falada, quase como alguém de voz baixa e rouca recitando um poema, também traz Leonard Cohen à mente. “Wild West End”, como sugere o nome, torna clara a importância do country para o Dire Straits, com ritmo, melodia e cordas características do gênero. As letras, também girando em torno da temática amorosa (mas de um jeito despretensioso, desapegado, como um Bukowski menos ranzinza, que bebe chá ao invés de café), trata do estilo de vida na região de West End, uma área turística de Londres. Em “Six Blade Knife”, a temática do amor e da dor se repete, dessa vez com um baixo mais potente e uma guitarra em volume menor, construindo um ambiente suave, sendo a cereja do bolo os vocais aveludados de Knopfler.

“In The Gallery” traz uma simultaneidade de sons secos e melódicos, com uma estrutura que se repete ao longo de seus 6 minutos que, junto à temática inusitada, torna-a uma das melhores do álbum. Mark Knopfer escreveu a faixa quando, após uma visita a uma galeria de arte na Avenida Shaftesbury, em Londres, ficou enfurecido, tomado pela frustração de ver uma exposição que, segundo a banda, era patética. As letras trazem esse sentimento, carregado de uma dose de crítica bem-humorada, como no trecho: “And then you get an artist says he doesn't want to paint at all/ He takes an empty canvas and sticks it on the wall/ The birds of a feather all the phonies and all of the fakes”. A última faixa, “Lions”, também trata de um local de Londres, a praça denominada “Trafalgar Square”, sendo o nome “Lions” indicativo de duas esculturas de leões de pedra que lá existem. Um jeito perfeito de fechar o álbum, mostra como o Dire Straits, em uma relação sensível com a cidade, explora as emoções do caos urbano, vendo graça em banalidades como, por exemplo, uma garota de salto alto andando por ruas de paralelepípedo (“Yes and I girl is there, high heeling across the square”).

Emergindo em plena Londres de 1977, o Dire Straits, desde o seu início, provou que não poderia ligar menos para o punk. Sendo costumeiramente considerados parte de um outro movimento conhecido como “pub rock”, os ingleses, com seu disco de estreia e ao longo de toda a sua obra, apresentaram um jeito menos feroz de se fazer rock, porém igualmente poderoso e cativante. A ironia e o bom humor unem-se ao indiscutível talento dos músicos que, sem fazer muito barulho (literalmente), construíram uma obra importantíssima para a história da música, essencial para todas as pessoas, de todas as idades. 

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