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Black Panther: The Album – Music from and Inspired By — Vários Artistas

Black Panther: The Album – Music from and Inspired By — Vários Artistas

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Black Panther: The Album – Music from and Inspired By

Vários Artistas
Top Dawg / Aftermath / Interscope
Fevereiro/2018
Hip-Hop
O que achamos: Excelente

Pantera Negra é um filme de super herói negro de negros para negros: dirigido e escrito por negros, com grande elenco negro — e negros de pele escura, é importante lembrar — exceto por dois antagonistas brancos, exaltando o povo preto e celebrando o seu poder e a sua cultura. Sim, mais um filme da máquina Disney-Marvel, lançado depois de dez anos do universo de super humanos interpretados majoritariamente por homens brancos chamados Christopher; e sim, lançado em um momento de mudanças tectônicas no que se diz respeito à discussões e relações de raça. Pantera Negra  é mais que um filme multimilionário e prestigiado pela crítica. É um evento cultural monumental e revolucionário desde o momento em que foi anunciado.

Na película de Ryan Coogler (Creed), a história se passa na nação fictícia de Wakanda, reino cheio de espiritualidade e tecnologicamente avançado que aguardava o retorno do seu príncipe T’Challa. A cultura africana, exuberante, vibrante e heterogênea, é refletida nas tribos que formam o universo na tela afim de relembrar que não,  África não é um país. A sua abrangente e ambiciosa trilha sonora, feita para e inspirada por, tão vivaz e diversificada quanto, é uma intersecção composta de gêneros provenientes de mentes e mãos negras mas que vão muito além, criando um espectro eletrizante.

Kendrick Lamar e  Anthony Tiffith, CEO da gravadora Top Dawg Entertainment, são responsáveis pela curadoria e produção das 14 faixas. Lamar participa de 5 dessas, mas, mesmo quando não ouvimos suas rimas ou a sua voz, a sua presença perdura de alguma forma, seja nos tópicos de negritude, conflitos internos e auto-afirmação ou a natureza transgressora da instrumentação. Por mais que sejam músicas menos complexas do que viemos a nos acostumar escutando a discografia do rapper, elas ainda possuem um espírito forte e ambicioso. O viés político se sustenta, também, do jeito afiado que amamos, mesmo que de uma maneira mais sútil, uma vez que estamos falando de uma obra da Disney.

Algumas referências diretas ao universo do filme/quadrinhos podem se perder para quem não conhece a história tão bem mas isso pouco importa. “Black Panther: The Album – Music from and Inspired By” atravessa essas divisas e ilustra um quadro que abraça mundos reais e fictícios. As milhares vertentes do rap, hip-hop e R&B são os tons principais, representados no gangsta a la anos 90 em “Paramedic!” (SOB X RBE), o trap de "King's Dead" (Lamar, Jay Rock, Future, James Blake) e “Big Shot” (Lamar, Travis Scott) na comovente homenagem à feminilidade negra de “I Am” (Jorja Smith). A sonoridade se expande do coração da Mãe África nos tambores iniciais que abrem o álbum (“Black Panther”) até a sua costa (“Redemption”, um dueto de Babes Wodumo com Zacari), navegando ao Caribe e ao hemisfério norte, chegando até os momentos mais acessíveis: “All the Stars” (SZA, Lamar) e “Pray For Me” (The Weeknd, Lamar)

Um verdadeiro tributo à pluralidade e criatividade da música negra responsável pelo jazz e soul e muitos outros feitos em grande parte por alguns dos maiores artistas negros da atualidade, o que não pode ter sido coincidência. 50 minutos de pura #BlackExcellence. Parafraseando um dos vídeos virais acerca desse lançamento: é assim que as pessoas brancas se sentem o tempo todo?

O TEMPO

TODO???!!?!??

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