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Culture II - Migos

Culture II - Migos

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Culture II

Migos
Quality Control
Janeiro/2018
Hip-Hop, Trap
O que achamos: Fraco

De 2011 até hoje, os Migos criaram um império. Algo que lá atrás parecia ser apenas uma música despojada e sem conexão com a realidade se tornou grande parte da música pop nesse momento da década. Suas 12 mixtapes (formato de lançamento preferido do trio) e mais 3 álbuns mostram como eles são prolíferos e descompromissados, sem o objetivo a agradar a crítica e sim angariar mais fãs à sua causa, ao seu culto. Ou, melhor ainda, à sua cultura.

Não é possível disassociar o hip-hop e a música americana no geral da influência do trio Quavo, Offset e Takeoff. Em 2012, seu single “Versace” trouxe à tona uma nova forma de fazer rap, onde os versos em si são quase uma continuação da batida, onde a repetição é intensa, e o compromisso com a rima é frágil e esta serve apenas aos cuidados de um plano musical diferente da concepção original do rap.

Ano passado, após começarem o ano com o sucesso estrondoso do seu single “Bad and Boujee”, eles lançaram o que foi a pavimentação do status de lenda do grupo, o álbum Culture. Finalmente aclamados e agora fazendo parte da conversa da comunidade artística e do zeitgeist do meio musical, é seguro dizer que o pop é Migos, e vice-versa. Afinal, o grupo trouxe à tona uma nova forma de fazer música e trouxe novidades para o conceito do que "é" música, tudo isso dentro de um contexto que vai além de apenas “ouçam Migos”, e sim “sejam que nem os Migos”.

Tendo isso em perspectiva, Culture II veio com os caras ainda colhendo os louros do ano estelar que foi 2017 para eles, e talvez ainda em um momento de apenas curtir a fama e todas as glórias. O álbum é apenas uma continuação mais tímida do projeto de dominação dos três, apesar de mais ambiciosa em duração e demonstração de status.

“Higher we go/beg and plead for the culture”, verso que abre o álbum, coloca em música tudo que foi falado acima. Eles sabem o que os fãs querem, e eles entregam. Versos narcóticos, exaltando fama, dinheiro, hedonismo, mulheres e o uso de drogas como um estilo de vida, tudo no característico jogo peculiar de vozes em diferentes registros, embalam o ouvinte em um estado de euforia entre nuvens de fumaça de gelo seco e luzes neons e o seu cérebro automaticamente busca em que área VIP da boate está o trio.

O início do álbum é cativante, com vários pontos altos como “Higher We Go – Intro”, “Narcos” (onde eles trazem sotaques latinos muito mal feitos de forma adorável), “BBO (Bad Bitches Only)” (um hino produzido pelo Kanye West), e a música de trabalho “Stir Fry”, que faz qualquer querer rebolar a bunda com uma batida deliciosa do Pharrell Williams.

Mas depois de um tempo, você percebe algo incômodo. As músicas começam a se misturar, você já não sabe mais qual música é qual. E isso se prolonga por pelo menos 1 hora dos longos 106 MINUTOS de duração do álbum. Culture II tem surpreendentes 24 faixas, a maioria chegando próximas dos 5 minutos, e é impossível não se questionar o porquê. Qual a necessidade de repetir a mesma formula, com batidas que vão se assemelhando cada vez mais, e que nunca deixam de lembrar o que já tinha sido explorado no Culture do ano passado?

Desde 2011, o trio foca em aperfeiçoar a fórmula que se propõe a fazer, e eles conseguiram, influenciando o hip-hop mainstream musicalmente e na aparência/estilo de vida. Porém nesse novo trabalho, a inovação não acompanhou, e tudo pareceu meio formulado demais, apesar dos óbvio hits. Fica a pergunta: para onde os Migos irão em seguida, para não soarem batidos e cansativos? Mas talvez a pergunta mais importante seja: será que eles estão ligando pra isso?

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