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Mal dos Trópikos, Construindo a Ponte da Prata Roubada - Makalister

Mal dos Trópikos, Construindo a Ponte da Prata Roubada - Makalister

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Mal dos Trópikos, Construindo a Ponte da Prata Dourada

Makalister
Independente
Janeiro/2018
Hip-Hop
O que achamos: Bom

Makalister Antunes, também conhecido como Maka ou Makalister Renton (alusão e homenagem ao personagem de Ewan McGregor em Trainspotting) é um rapper em ascenção de São José, região metropolitana de Florianópolis. Sua carreira já contava com 3 mixtapes, sendo a sua última coletânea de novas faixas antes do seu primeiro álbum, Laura Muller Mixtape, foi um pontapé para uma tímida notoriedade dentro do circuito do hip-hop brasileiro.

Seu sotaque sulista é único dentro da grande liga do rap nacional, e a fluidez e rapidez dos seus versos trazem até um pouco de sotaque português à mente do ouvinte. Junte isso às menções inesperadas da cultura popular brasileira e cinematográfica no geral para passar sentimentos e impressões do cotidiano e temos uma camada lírica de tirar o fôlego e um flow que chama a atenção pela sua unidade.

Isso tudo vem à tona mais uma vez no seu álbum de estreia, o excêntrico Mal dos Trópikos, Construindo a Ponte da Prata Roubada. “Do meio da culminação de tudo que é comum, me exijo fora/Camuflo auroras, anulo a culpa, garimpo as horas”, abre o artista na faixa “Quando Observo a Cruz de Folga (Na Maratona de Queijos e Vinhos)”, evidenciando em rimas a sua visão de alguém de fora do automático, e que usa esse olhar para enfatizar essa diferença.

Um dos pontos altos do disco (e minha favorita), “Synedoche Linhas Pífias” encapsula em alguns minutos o que o todo de Mal dos Trópikos transmite: name drops do mundo pop utilizados de forma extremamente inteligente (“Nada concluo na área do pulo como Tony Hawk em Alcatraz”, “Enquanto isso finge que é o monstro do Labirinto do Fauno/E pega a visão”), com um pano de fundo instrumental composto por batidas excelentes e bem em compasso com a produção americana atual do gênero, e samples maravilhosos de áudios culturais do Brasil (nessa música especificamente, o que o rapper fala vai de encontro às falas conservadoras dos clippings de áudio utilizados).

O que impede o trabalho de alçar vôos ainda maiores é a falta de amplitude nas escolhas melódicas das canções. Se por um lado ficamos de boca aberta com o dinamismo das letras e do pensamento rápido, por outro essa singularidade se torna menos especial por estar atrelada a músicas com uma estrutura que se torna formulaica lá pela metade do registro, o que é uma pena.

Makalister é obviamente uma fonte de talento, uma novidade dentro de um cenário que já começa a mostrar sinais de esgotamento. Se suas músicas conseguirem ser mais diversas entre si, e mantiver a coesão literária, prevejo um grande sucesso para o artista em suas próximas elaborações artísticas.

Cardellicious - Fábio Cardelli

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