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Blood - Rhye

Blood - Rhye

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Blood

 

Rhye
Loma Vista
Fevereiro/2018
R&B, Sophisti-pop
O que achamos: Bom

Rhye deixou uma marca bem definida na música contemporânea ao lançar o incrível Woman em 2013. O Sophisti-pop do duo trazia para a nova década a sensualidade leve de Sade e dava uma perspectiva masculina e mais sexualizada à potência vocal e dramaticidade de Jessie Ware. Mais que isso, Rhye trouxe uma obra musical diferenciada mesmo lembrando a outros artistas, com produção caprichada e extremamente elegante, algo muito valioso e sempre louvável.

Antes que eu esqueça que essa é uma resenha sobre Blood, segundo álbum da banda, é necessário entender o quão belo foi o trabalho apresentado em Woman, justamente porque parece que o novo registro de Rhye em nada se distancia do primeiro. Ou seja, se você curtiu muito a estreia deles, esse novo som não vai te decepcionar. Por outro lado, se estava esperando para ver o que seria trazido de novidade, 5 anos depois, talvez seja melhor passar para outro disco.

De forma, mais objetiva, o disco é impecável. As baladas sensuais de cadência lenta estão todas no lugar e são o palco onde brilham muito os belíssimos vocais de Michael Milosh. As letras continuam parecendo que são conduzidas por uma eterna vontade de estar transando, sempre da forma mais romântica possível (o que não quer dizer que ele não é safadinho aqui e ali). Sim, Rhye faz música de sexo. Mas é um sexo vulnerável, uma vontade de se conectar partindo de alguém que não se abre tão facilmente (literalmente, talvez?). A produção eletrônica, com sintetizadores, batidas, teclados, introduz também, como no primeiro disco, elementos clássicos como piano e violino, criando arranjos gostosos de se ouvir e que compõem o ar de sofisticação e delicadeza característicos do Rhye.

A obra apresenta dois destaques muito claros. Em "Taste", segunda faixa do disco, Milosh expressa uma insegurança sexual com a qual é muito fácil de simpatizar: "Will you love me this way? / 'Cause I'm dancing with my eyes closed", ele confessa, para depois se desinibir com pedidos sensuais, "One more time for my taste / See me fall from your eyes to your waist". Me pergunto o que acontece nessa "queda" dos olhos para a cintura. Coisas gostosas, tenho certeza.

"Count to Five", um dos singles de Blood, é uma clássica faixa do Rhye. Bem disco e bem calma, a faixa ganha tímidas camadas de guitarra e percussão e se desfaz delas sem muito alarde. É realmente gostoso de ouvir convites como "Bring your songs to me / I'm not afraid to hear them". Se existem cantadas perfeitas, acho que essa é uma delas.

Depois de ouvir várias vezes um disco como Blood, fica mais do que claro que ele é muito bom. No entanto, dá pra se abrir uma discussão sobre o que é, afinal, uma obra muito boa. Nesse caso, saber que Blood e Woman são muito parecidos (lançados com o intervalo de 5 anos) faz eu me importar um pouco menos com o novo trabalho da banda. Mas se é para ser mais objetivo e técnico, não há do que reclamar e, com certeza, vale a pena dar uma chance ao álbum.

Inovando ou não, Rhye entrega um disco de vulnerabilidade e elegância com muita safadeza escondida nisso tudo. Fica para o ouvinte ir despindo os 42 minutos do trabalho com a mesma delicadeza de Milosh ao cantar suas mais profundas fantasias e inseguranças. 

Twin Fantasy - Car Seat Headrest

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Loma - Loma

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