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Paranoid - Black Sabbath

Paranoid - Black Sabbath

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Paranoid

Black Sabbath
Vertigo
Setembro/1970
Heavy Metal
O que achamos: Excelente

Como deve ser lançar não apenas um, mas dois álbuns que mudaram a música em apenas 7 meses? Foi isso mesmo que aconteceu em 1970. Em fevereiro, o álbum homônimo da banda britânica Black Sabbath chamou a atenção pela sua música crua, despida de muitos efeitos de produção, pesada e com temas diabólicos dentro de uma atmosfera densa, como um fim de tarde inglês cheio de chuva e suspense no ar.

Veio o sucesso com o som diferentão e em setembro, a banda pegou o seu instrumental que funcionou perfeitamente no seu primeiro registro e trouxe para um ambiente um pouco mais pop. Afinal, os primórdios do heavy metal trouxeram a influência do rock pesado do fim dos anos 60, e nada é mais substancialmente pop que isso. As melodias das 8 faixas do Paranoid são perfeitamente construídas para grudar na sua cabecinha, enquanto seu pescoço move sua cabeça para cima e para baixo, num clássico movimento headbanger.

E como mencionado na nossa resenha dessa semana para o novo álbum da U.S. Girls, o pop, antes de qualquer coisa é político. E o Paranoid, além de ser um classicão, ainda é um testamento de que a arte é um registro do momento que vivemos. Há 48 anos atrás, o mundo estava paralisado pelos efeitos da Guerra Fria e da Guerra do Vietnã, e a memória de uma bomba nuclear sendo utilizada no Japão ainda estava muito recente. Nesse sentido, a paranoia descrita no título do álbum é certeira, e é passada de forma clara e artística.

O disco já começa com esculacho. “War Pigs” é uma das 3 músicas do Paranoid que fazem parte da memória afetiva de qualquer fã de música. A cadência da melodia é clássica, e o mundo está acabando e os ricos que matam o povo mandando-os para guerras inúteis serão julgados e terão seu inferno particular no além-vida. O grande hit e faixa-título “Paranoid” vem na sequência, e nos mostra como esse ambiente afeta o estado mental dos seres humanos. “Planet Caravan” (com seus vocais abafados e pegada jazz) e “Iron Man” (que contém o riff melódico mais reconhecido da banda) fecham a primeira metade do álbum, que é de um peso inesquecível.

A segunda metade não é tão opulenta, e tem inclusive uma música instrumental que é nada mais que um filler (“Rat Salad”). Isso afeta um pouco o andamento do álbum, e, apesar de imponente pelo que ele representa para a época, não tem como não perceber que a força do registro, desde as letras até a construção instrumental, é pálida em comparação ao seu início. Nada muito catastrófico, apenas uma questão de arranjo ruim na ordem das faixas.

O saldo final é que Paranoid venceu o teste do tempo, e continua tão relevante quanto foi à data do seu lançamento. O estilo pesado de rock, as melodias intricadas, e um modo de gravação DIY influenciaram não só as futuras gerações de metaleiros, mas músicos no geral. Sua influência e seus hits são grandiosos que, apesar de o álbum não ser impecável tecnicamente, seu legado vai muito além de tecnicalidades. Uma obra humana e política, para combater e enfrentar as injustiças dos anos 70, que são as mesmas de hoje, apenas vestidas com mais tecnologia.

Depth of Field- Sarah Blasko

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