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Dear Annie - Rejjie Snow

Dear Annie - Rejjie Snow

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Dear Annie

Rejjie Snow
300 Entertainment/Honeymoon
Fevereiro/2018
Rap
O que achamos: Muito Bom

Rejjie Snow, nascido Alexander Anyaegbunam, é um rapper de 24 anos que vem de um pequeno subúrbio chamado Drumcondra, em Dublin, na Irlanda. Embora sua origem irlandesa desperte curiosidade, por sua falta de tradição no rap, seu talento despertou mais, chamando a atenção de nomes importantes, como Joey Bada$$, Kendrick Lamar, e aparentemente, Madonna, que no mesmo ano do lançamento do primeiro single de Rejjie, chamou-o para ser abertura na sua turnê de 2015. Que rápido. 

Embora seu sucesso tenha sido repentino e com princípios de grandiosidade, o artista tem buscado consolidar sua identidade musical desde seu primeiro EP, o jazzificado Rejovich. Desde Rejovich, Rejjie tem explorado vertentes diferentes do seu som, experimentando influências de jazz ("1992"), eletrônica ("Blakkst Skin") e R&B ("Purple Thursday"), com uma pegada muito atual.

Em seu primeiro álbum (muito antecipado depois de tanta bombação), Dear Annie, a influência de Tyler, the Creator sobre a identidade do artista se torna ainda mais clara e ganha uma posição de maior destaque. Além da mistura de gêneros/influências e o estilo de produção do álbum, que se assemelha ao estilo do rapper americano, a própria voz de Rejjie e seu flow são similares. As faixas "Rainbows" e "Pink Lemonade" poderiam ser facilmente regravadas por Tyler com poucos ajustes.

Pequenos detalhes do álbum também remetem muito a Flower Boy, o mais recente álbum de Tyler. Ambos os álbuns possuem interlúdios de uma entrevista em um programa de rádio e, com alguma frequência, Dear Annie usa timbres secundários e temáticas que remetem à obra do integrante do Odd Future, como em "The Ends", que fala sobre o relacionamento complexo de Rejjie com a solidão (tema muito explorado por Tyler), usando ainda um som de sintetizador durante toda a música igualzinho ao usado na introdução de "Who Dat Boy".

Mas Dear Annie não é meramente uma cópia de Flower Boy. O pouco tempo de carreira de Rejjie já conseguiu consolidar algumas características que compõem a identidade do artista, como as suas batidas repetidas em loop, boas letras e um apelo pop que se baseia na criação de grooves dançantes e lustrosos como "Spaceships" e delícia que é "Egyptian Luv", produzida por Kaytranada.

Uma característica que também se destaca em Dear Annie é a tristeza de Rejjie, contando histórias sobre como era chamado de cabeça de galinha ("Rainbows"), sobre seu relacionamento anestésico com drogas e romances, estes marcados por tensão e falta de confiança (vide "23" e "The Rain"). Em "Room 27", Rejjie chega a demonstrar vontades suicidas, enquanto reflete sobre a fatídica idade de 27 anos (que ele nem tem ainda). O pensamento se repete em "Désolé". 

Em meio a tantos elementos e explorações, distilados em uma hora por 20 faixas, Dear Annie acaba pecando pela sua intensidade. O álbum carece um pouco de edição. Poderia ser mais curto, ter um conceito mais consistente. A partir da segunda metade do disco, parece que as músicas foram incluídas apenas por serem boas, e o conceito inicial do álbum, do "mundo de Dear Annie", se perde bastante.

O que é o "mundo" de Dear Annie afinal? Ficamos apenas com possibilidades de respostas a essa pergunta, nada concreto. A intensa melancolia de Rejjie e suas histórias pessoais não são trabalhadas de forma que possa unir um álbum tão extenso e mutável, e acaba que tanta experimentação de estilos e influências acaba deixando o álbum um tanto inconsistente, sem um conceito central, embora seja recheado de boas músicas e temas interessantes.

Mas Rejjie, se estiver lendo, se acalma ok? Seu álbum é bom e ter 27 não é nada demais.

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