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Pasar de las Luces - Mint Field

Pasar de las Luces - Mint Field

Pasar de las Luces

Mint Field
Innovative Leisure
Fevereiro/2018
Shoegaze, Dream Pop, Indie Rock
O que achamos: Bom

Pasar de las Luces é o primeiro álbum do duo mexicano composto por Estrella Sanchez e Amor Amezcua. Tudo começou quando as garotas, ambas de 21 anos, conheceram-se no colégio. Sanchez, vocalista e guitarrista, e Amezcua, uma “nerd de sintetizadores” e baterista, após lançarem um EP em 2015, desenvolveram agora um trabalho mais denso, com faixas bem trabalhadas e uma sonoridade de shoegaze etéreo que permeia Pasar de las Luces do início ao fim. Segundo Sanchez, o álbum é uma compilação dos últimos dois anos das vidas das garotas; algo que se encaixa perfeitamente, quando se percebe quão melancólico e pessoal ele é.

Já na segunda faixa, “Ojos En El Carro”, aparece a complexidade do Mint Field, que faz músicas longas, alternadas entre momentos calmos e solos extensos e arrastados de guitarra (com muitos pedais). A maioria das faixas, inclusive, tem pelo menos 5 minutos, o que, em conjunto com a homogeneidade quase excessiva do álbum, faz com que, por vezes, Pasar de las Luces seja um pouco cansativo. A voz de Sanchez, assim como seus trejeitos, ruídos e riffs na guitarra, lembra muitas vezes Emily Kokal, do Warpaint. Aliás, não só Sanchez, mas todo o conjunto do Mint Field traz a banda californiana à mente (por exemplo, nos primeiros minutos de “Ciudad Satélite” e “Temporada de Jacarandas”).

Talvez seja a mistura do shoegaze com elementos de dream pop e rock psicodélico, ou o vocal agudo e prolongado, o ritmo desacelerado e os pedais de fuzz, mas Pasar de las Luces parece um bom álbum para se escutar em uma noite escura, em um lugar vazio, e de preferência com neblina. Algo que se pode considerar muito positivo, já que é um disco - apesar de barulhento - bastante sensível e introspectivo. Em “Cambio de Pasar”, o som adquire um peso maior, com a bateria mais marcada e um clima obscuro, composto especialmente pelo conjunto da guitarra e dos vocais, mais secos e menos melódicos, não tão angelicais como nas outras faixas. “Club De Chicas”, uma das mais bonitas do álbum, é uma alternância entre momentos calmos e acelerados - inclusive, a bateria diminui o ritmo, por volta do segundo minuto, causando uma sensação deliciosa de estar em câmera lenta - com a voz sublime de Sanchez ao fundo, conectando os diversos momentos da faixa.

O trabalho consistente e homogêneo do duo mexicano é um presente para fãs de shoegaze e dream pop - ainda mais quando todas as letras estão em espanhol, o que só torna tudo mais interessante. Entretanto, muitas vezes se torna cansativo - faixas como “Nostalgia” desaceleram o ritmo do álbum, parecendo um pequeno exagero. Além disso, o som, que lembra Beach House, Warpaint, passando por Winter, DIIV (talvez, nesses casos, com a diferença de não ser tão alegre) e bandas brasileiras como Gorduratrans, dificilmente é inovador. Essa característica, que não é um defeito em si, parece importante de ser colocada, sem tirar o mérito do Mint Field, que fez um belíssimo trabalho em seu álbum de estreia.

ONE SHOT, TWO SHOT - BoA

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Depth of Field- Sarah Blasko

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