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SEMICIRCLE - The Go! Team

SEMICIRCLE - The Go! Team

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SEMICIRCLE

The Go! Team
Memphis Industries
Janeiro/2018
Indie Pop, Indie Rock
O que achamos: Bom

Alguns álbuns se descrevem perfeitamente pelas suas capas. Em Semicircle, vemos jovens de tribos diferentes (possivelmente épocas diferentes também) unidos em uma formação como um time, uma grande banda escolar norte americana, segurando letreiros coloridos e brilhantes em um ginásio (que também parece escolar). Se o som de Semicircle fosse descrito como uma imagem por um grupo que nunca viu sua capa, provavelmente seria incrivelmente similar a essa.

O elemento big band high school americana define o tom do álbum, na forma de camadas grossas e energéticas de metais e percussão, trabalhadas de forma desarrumada e espontânea. O caráter infantil e simples das melodias, embaladas pelas vozes juvenis de Ian Parton, Angela "Maki" Won-Yin Mak e Ninja (que já saíram da escola há muito tempo, aliás), garantem um clima leve, festivo e inocente, especialmente em músicas como "Semicircle Song" que, para ficar ainda mais fofolete, tem uma pausa em que os vocalistas se apresentam falando sobre seus signos como se estivessem na abertura de um programa esotérico da Disney.

Excessos estilísticos/conceitualísticos à parte, o álbum se destaca por suas músicas bem construídas e arranjadas, que contagiam com sua energia pop explosiva e divertida, como a primeira faixa "Mayday", que mistura sons de transmissão de código morse com guitarras psicodélicas, uma (possível? provável?) sample de Rocky Balboa e um coro empolgante com apitos, tudo organizado de forma extremamente inteligente e natural. Outro excelente momento é "She Got Guns", que oscila entre versos de rap com fundo anos 80 e um refrão big band que traz a música de volta para o conceito central do álbum sem deixar a transição, embora muito distinta, parecer artificial.

O uso criativo de influências psicodélicas anos 60 e samples obscuras também são pontos de destaque do álbum. A cítara muito Beatles em "The Answer's No - Now What's the Question?" aparece tranquilamente integrada à estética sonora de big band colegial norte-americana (como se sempre existisse um molequinho tocando cítara em bandas escolares norte americanas), enquanto a escolha de samples mostra uma camada a mais de cuidado no álbum, como na sample de Kelompok Kampungan, direto dos anos 80 na Indonésia em "Chico's Radical Decade".

Embora seja tão cuidadosamente elaborado, Semicircle peca um pouco pelo excesso de energia. Durante seus 40 minutos, raramente foge das melodias infantis e otimistas. As músicas estão sempre ao máximo do pop, do coro contagiante, do clima de exaltação coletiva. A superficialidade emocional e temática do álbum impede que conheçamos de fato qualquer aspecto pessoal da tal banda, deixando-o emocionalmente monótono.

Mesmo assim, não deixa de ser uma boa festa, que se despede de forma apropriada em "Getting Back Up". Com um fade out, a super banda colorida vai embora, voltando para a escola de onde veio e deixando conosco apenas o silêncio do nosso cinismo e o preto e branco da nossa realidade.

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