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Francis Trouble - Albert Hammond Jr.

Francis Trouble - Albert Hammond Jr.

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Francis Trouble

Albert Hammond Jr.
Red Bull
Março/2018
Indie Rock
O que achamos: Bom

Se há uma novidade em Francis Trouble, sem dúvidas é a temática incrivelmente pessoal e peculiar que ronda o álbum. Tudo começou em 1979, quando a mãe de Albert Hammond Jr., Claudia, teve um aborto espontâneo e, apesar das tentativas, não foi possível salvar o bebê, que seria chamado Francis. Enquanto isso, apesar do desconhecimento da mãe, Albert crescia em sua barriga, algo que só foi descoberto quase seis meses depois. Quando nasceu, junto com ele, do útero de sua mãe, saiu também um pedaço de Francis - especificamente, uma unha. Esse fato, descoberto por Albert apenas 36 anos depois, foi a ideia inicial por trás de seu quarto álbum. Apesar do aspecto inevitavelmente tétrico dessa história, há, na obra, uma bem-humorada mistura entre histórias em quadrinhos, questões existenciais e um bom indie rock, como só um eterno membro do Strokes sabe fazer.

O álbum é mais um trabalho cuja autoria é facilmente reconhecível, tanto pelas guitarras e melodias características, quanto pela profunda semelhança com a discografia do Strokes - algo que, naturalmente, não é uma crítica, mas apenas uma boa lembrança.  O som, que em alguns momentos lembra Libertines, e, em outros, The Killers, é mais do mesmo, no sentido de que não é algo extremamente inovador ou fora do lugar-comum de Albert Hammond Jr, que tem seu posto entre a realeza do indie já há algum tempo. Faixas como “Far Away Truths” têm riffs de guitarra bastante característicos, uma melodia quase cansativa e um refrão pouco impressionante (“You’re always the last one to know/ We’re finally close when you first walk away/ There’s something about how you go/ That makes me feel everything you wanna say”). Entretanto, a faixa que se segue, “Muted Beatings”, é uma aventura levemente mais arriscada, com sintetizadores pouco convencionais atrelados aos já mencionados riffs facilmente reconhecíveis, formando um conjunto inegavelmente cativante.

Em “Set to Attack”, é possível lembrar de Yours To Keep (2006), primeiro álbum solo do músico, devido às melodias desaceleradas combinadas com guitarras secas e vocal abafado. “Tea for Two” segue a mesma linha, apesar do vocal mais dramático, e também apresenta uma mudança no quesito letra, mais elaborada e profunda, algo perceptível no refrão: “Brief collisions in the passing lane/ Your turning signals light me up but nothing's changed/ Red tape, silver lines/ Tough breaks, working overtime/ Is there something that you're looking for?/ It's hard to tell when your ear's against the door/ Nice shot, old flame/ Can't stop, but nothing lasts forever”. A faixa, provavelmente minha preferida, também tem um instrumental bem mais trabalhado, com sopros com cara de Twin Peaks, o que confere um clima de mistério diferente das outras músicas do álbum. Francis Trouble também tem faixas que merecem destaque, como “ScreaMER” e “Harder, Harder, Harder”, que fecha o álbum.


O que tudo isso mostra, sem dúvidas, é que Albert Hammond Jr. se torna cada vez melhor em ser ele mesmo. Seja uma máquina de hits, um ás de riffs ou um rei do indie rock - ou, ainda, tudo isso junto -, isso só se comprova a cada single e cada álbum lançado. Apesar da sensação de déjà-vu, Francis Trouble é um belo álbum. Bem, talvez porque Albert Hammond Jr. não tenha capacidade de fazer um mau trabalho, considerando-se, por exemplo, o ousado Momentary Masters (2015), o queridíssimo Yours to Keep (2006) e basicamente toda a carreira do Strokes. Com um conceito bastante curioso e particular, o álbum acaba sendo mais nostálgico do que inovador, o que, no caso, não deixa de ser uma boa notícia.

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