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2012-2017 - A.L.L. (Against All Logic)

2012-2017 - A.L.L. (Against All Logic)

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2012-2017

A.L.L. (Against All Logic)
Other People
Março / 2018
Eletrônico, Experimental
O que achamos: Muito Bom

Existe um tipo específico de música que tem lugar cativo no imaginário coletivo por ser improvável de desagradar a muitas pessoas. Não é nenhum gênero específico, nem vem de um artista particular e pode ser descrito de várias formas. Eu gosto de chamar de música-que-faz-seus-passos-entrarem-no-ritmo-quando-você-tá-andando. Com 2012-2017, Nicolas Jaar, sob o nome de A.L.L. (Against All Logic), faz música exatamente nessa linha. Com certeza, eu poderia pensar em muitos outros adjetivos vagos para descrever o álbum, mas esse é o que ganha.

Transitando entre um pop A.M. e batidas mais dançantes e eletrônicas, Jaar cria em suas faixas para as passarelas urbanas momentos que lembram trabalhos clássicos de Daft Punk e Moby, com o intenso apoio de samples agradáveis. É bem familiar na verdade, o plano de fundo é que muda um pouco, uma vez que o música chileno-americano utiliza sons mais experimentais junto a elementos clássicos de música eletrônica. Aparecem uns drones e umas barulheiras mais graves que dão mais singularidade ao trabalho, mas no final é não é um registro que tenta reinventar a roda. Os samples são basicamente uma frase só cantada por alguém com um vozeirão que é picotado e distorcido várias vezes por Jaar.

2012-2017 se inicia de forma tímida com "This Old House Is All I Have" , com pegadas de jazz sobre um fundo caótico de noise, e logo engata com as sensacionais "I Never Dream" e "Some Kind of Game". Faixas poderosas que, apesar de repetirem uma ou nenhuma frase, dizem muito pela produção onírica e envolvente em cima da qual são construídas. São o tipo de música que se pode ouvir sozinho no seu fone enquanto caminha até o ponto de ônibus e faz você sentir que seu coração e seu cérebro são a mesma coisa. "I Never Dream" se coloca como um ponto de sensibilidade econômica, mas potente, o grande destaque do álbum. Com sua percussão "acústica" dando o tom de funk e um plano de fundo de synths abertos que parecem pavimentar uma estrada neon para o infinito, a faixa prova que não é preciso de muito para passar uma mensagem e criar uma emoção específica. O sample escolhido é muito bem usado, trabalhado e revirado para ter sua beleza aproveitada ao máximo.

Esse sentimentalismo revelado nas batidas se revela por trás do quão divertida elas são. Essa diversão, por sua vez, é mantida durante o álbum todo. No entanto, da metade para o fim, as faixas perdem um pouco de sua identidade e fica fácil confundir uma com a outra. Isso não tira o mérito de cada faixa, que possuem detalhes, na verdade, bem únicos, mas que numa visão mais macro acabam se misturando umas às outras. No fim das contas, a missão é cumprida e a mensagem entregue: cria-se uma atmosfera urbana e agradável muito camaleônica e magnética.

No geral, esse é um dos trabalhos mais interessantes da carreira de Jaar, que costuma lançar uns trabalhos bem mais obscuros e menos acessíveis que 2012-2017. Há conteúdo aqui para entreter toda uma festa (ou a primeira hora dela) e também toda uma noite só no quarto pintando as unhas.

Of Montreal -  White Is Relic/Irrealis Mood

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Francis Trouble - Albert Hammond Jr.

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