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Em Ritmo de Aventura - Roberto Carlos

Em Ritmo de Aventura - Roberto Carlos

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Em Ritmo de Aventura

Roberto Carlos
CBS
Novembro/1967
Pop, Rock
O que achamos: Bom

Todo final de ano, a sua avó, avô, ou parente mais velho assiste religiosamente o especial do Rei na Globo? Sabem todas as letras, cantam, alguns se emocionam, e você ali, sem entender muito bem? Roberto Carlos é a prova viva de que até o mais carrancudo senhorzinho já foi jovem um dia, de que numa sociedade com grandes centros e tecnologia, efeitos culturais como uma nova moda musical vão vir e arrebatar o coração dos jovens daquela época, que o que mais querem é ser diferentes da geração dos seus progenitores.

Não se enganem, não havia nada de tão diferente ali. Roberto Carlos era a versão branca, elitista para o rock de igual característica na música londrina e americana. Todos os compassos, letras e melodias das músicas do início de carreira do cantor são inspirados no que os Beatles estavam fazendo lá fora e com um pequeno toque de chanson française, outro estilo que fazia muito sucesso aqui no Brasil. O segredo de Roberto foi pegar o que já era popular e cantar em português, conectando uma juventude brasileira ávida por novidade ao som que trazia esse novo para os bailes e para a vida social dos jovens.

E como uma inspiração bem sucedida às vezes é a cópia descarada, em 1967 Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura estreou nos cinemas, levando todos os seus fãs à sala escura para ver o filme cheio de composições do cantor e de seu parceiro Erasmo Carlos. O filme foi um sucesso, mas a obra que venceu o teste do tempo foi sua trilha sonora, lançada em conjunto com a película. Assim, como os Beatles, Roberto capitalizou o seu sucesso no cinema para aumentar ainda mais seu sucesso com música.

Em Ritmo de Aventura é um álbum de qualidade ímpar na discografia do “Rei”. Tem uma concentração de mais de 75% de músicas que foram sucesso absoluto e que sim, sua vovó deve saber a letra inteirinha. Apesar de monocromático e formulaico em quase toda a sua extensão, o disco é um registro da febre de um momento. “Eu Sou Terrível”, a faixa definitiva da atitude de um playboy sessentista e “Por Isso Corro Demais” tem samples de automóveis e falam de velocidade e conquista de uma maneira rebelde, e você pode imaginar jaquetas de couro e cheiro de gel em goma no ar.

As músicas de amor estão aos montes, em versões variadas entre tristeza do fim e esperança do começo. “Como É Grande o Meu Amor Por Você” e “Quando” (as melhores faixas do álbum) evidenciam esses opostos com perfeição: Em uma, total entrega e devoção e na outra alívio por sair de um relacionamento ruim.

Mesmo que você não goste do estilo ou ache piegas, é impossível não conhecer pelo menos 3 músicas desse disco. Parece que essas músicas foram passadas para nós através dos nossos genes, sei lá. Eu não posso dizer que Em Ritmo de Aventura é um momento musical brilhante do nosso passado artístico, mas ele é um documento importantíssimo da nossa história. O que os jovens de 2 gerações atrás ouviam para se sentirem...jovens? Esse álbum é a resposta, e depois que você entende isso, é difícil não se render aos seus encantos e aos seus versos bobinhos e despretensiosos. E no final brilhante com “Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim”, percebemos que até a mais despretensiosa das músicas pode ser exatamente aquilo que precisamos ouvir.

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