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Their Shamanic Majesties' Third Request - Bike

Their Shamanic Majesties' Third Request - Bike

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Their Shamanic Majesties' Third Request

Bike
Quadrado Mágico
Março/2018
Rock psicodélico
O que achamos: Muito bom

Com Their Shamanic Majesties' Third Request, os paulistas da banda Bike enfrentam a difícil tarefa do terceiro álbum: após o excelente 1943 (2015) e depois do também ótimo Em Busca da Viagem Eterna (2017), é preciso manter a alta qualidade do rock psicodélico do grupo, mas também há mais liberdade para fazer um som maduro, diferente e ainda mais experimental. Com essa tarefa na mão, bandas como Tame Impala, com Currents (2015) e Bon Iver, com 22, A Million (2016), lançaram obras ousadíssimas, fora do lugar comum, dividindo os fãs entre o amor e o ódio. O Bike, apesar de apostar em um som familiar, mais semelhante aos outros álbuns, sem dúvidas pisou fundo em termos de experimentação, adicionando percussões indígenas e tambores ao som característico das guitarras psicodélicas e do vocal. Além disso, as letras adquirem um quê de sabedoria e um tom mais profundo e existencial.

A faixa que abre Their Shamanic Majesties' Third Request, “Anhum”, inicia a viagem psicodélica do álbum, com um misto entre sonho e misticismo, remetendo a Jefferson Airplane e (por quê não) Mutantes. “Ingá” conta com a participação de Bonifrate, que aparece entremeado por ecos e pedais de phaser. De forma interessante e particular, a faixa mistura ruídos cuja impressão parece ser uma mistura entre máquinas e pássaros. Em “Voo / Pássaro”, as frases “Os pássaros voam sem medo” e “os pássaros cantam sem medo” se repetem, junto a uma melodia desacelerada, combinando-se a chiados, gritos abafados e pratos de bateria que preenchem a música.

“Aroeira” é um passeio transcendental por inúmeras plantas (a começar pelo nome), passando por alecrim do campo, espada-de-são-jorge e bagaço de cana, que adquirem uma significativa carga simbólica. A letra, delicada, está mais em foco do que em outras músicas da banda, havendo trechos que revelam verdadeiramente a alma poética do Bike: “Leve que o mar te lave/ Rosas que os peixes levem/ Todo o caos/ Que ainda te persegue”. Esse clima está presente na faixa que se segue, fechando o álbum, “Cavalo”. Com participação de Tagore, cuja voz se alterna e se encaixa com perfeição ao restante da música, ela é carregada de melancolia. A faixa faz referência, mais uma vez, a elementos da natureza, que se somam a chiados que aumentam progressivamente, causando a impressão de, inicialmente, estar flutuando no espaço, para posteriormente se aproximar de um buraco negro.

Os 34 minutos do álbum são um belo mergulho no universo onírico-lisérgico de Julito Cavalcante, Diego Xavier, Daniel Fumega, João Gouvea e Brenno Balbino. Para além disso, o rock psicodélico do Bike é recheado de inspirações de tirar o chapéu: o próprio nome do álbum é uma referência a Their Satanic Majesties Request (1967), dos Rolling Stones, e Their Satanic Majesties’ Second Request (1996), do Brian Jonestown Massacre. Pensando nisso, Their Shamanic Majesties' Third Request é uma homenagem, mas também é algo além. Fruto da mente poderosamente criativa dos músicos, o álbum é simultaneamente denso e leve: denso pelas camadas e camadas que permeiam cada faixa, e pelo simbolismo das letras, muitas vezes metáforas sutis que passam quase despercebidas; e leve pela simplicidade das temáticas, além do clima etéreo, hipnagógico que paira sobre todas as composições da banda.

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