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Crush EP - Ravyn Lenae

Crush EP - Ravyn Lenae

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Crush EP

Ravyn Lenae
Atlantic/Three Twenty Three
Fevereiro/2018
Pop, R&B
O que achamos: Muito Bom

Inspirada por Anderson .Paak, Kaytranada e Solange (com uma pitadinha de Rihanna), Ravyn Lenae, norte-americana de Chicago de apenas 19 anos (sério, o que botam na água dessas pessoas?), nos agracia com seu novo e divertidíssimo EP, Crush, em parceria com Steve Lacy como único produtor. Steve é o guitarrista da banda The Internet, conhecido por batidas saltitantes, técnicas de gravação com um efeito lo-fi (vulgo, gravando o EP inteiro usando o microfone do celular) e guitarras com clima soul modernista. Ele também tem 19 anos (meu deusss como assim) e lançou seu primeiro EPzinho ano passado, o Steve Lacy's Demo, que adoramos aqui no Timbre.

Ravyn, por outro lado, já lançou alguns EPs. O seu primeiro, o Moon Shoes de 2016, já mostrava uma prévia do estilo da artista, que aparecia na capa do EP em um look mais infantil e sério. Ravyn se destacou abusando do groove e das batidas fortes, e exibindo sua voz leve em melodias criativas e harmonias suaves, mas com letras pouco impactantes. Nada que uma turnê com a SZA, um encontro perfeito com Steve Lacy e um pouco de maturidade não resolva.

Em Crush, Ravyn aparece descontraída na capa, com cabelo longo e solto, esbanjando sensualidade, feminilidade e segurança, coberta de tons quentes. Na primeira e irresistível faixa, "Sticky", fica evidente a nova maturidade de Ravyn, que engatou brilhantemente um refrão retrô que parece flutuar (invocando uma espécie de Minnie Ripperton, só que R&B anos 90) junto ao baixo funkeado forte, enquanto as letras fazem uma brincadeira divertida e inteligente com a gíria "Sticky Icky" (para maconha), e o efeito de cola que se sente quando se ainda está com um cara que ela já sabe que não serve pra ela. 

A presença de Steve Lacy não se destaca apenas na excelente produção, nos timbres tremidos e nas baterias pulsantes e orgânicas, como também no contexto de conseguir se entrelaçar perfeitamente com as ideias de Ravyn, permitindo que a artista se libertasse completamente em termos vocais, melódicos e líricos, resultando em uma obra (uma amostra) de uma história de menina tornando-se mulher.

Repleto de músicas fáceis, grooveadas e com uma pitada de excentricidade, Crush é um EP que me deixa animada para o potencial de Ravyn, que parece estar se aventurando cada vez mais musicalmente, não se encaixando com exatidão em nenhum molde de cantora R&B ou de neo-soul que temos ouvido. Uma parceria impressionante que nos deixou sedentos por mais, muito mais que 16 minutos. Vem, LP!

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