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Taurina - Anelis Assumpção

Taurina - Anelis Assumpção

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Taurina

Anelis Assumpção
Fevereiro/2018
Pomm_elo, Scubidu
MPB
O que achamos: Fraco

Anelis Assumpção carrega consigo um sobrenome de peso. Filha do músico Itamar Assumpção, a moça começou sua carreira artística ainda bem jovem como backing vocal do pai, e após sua morte, os royalties das músicas dele ajudaram financeiramente a alavancar sua promissora carreira. Seus dois primeiros discos, Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa (de 2011) e Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários (de 2014) foram reconhecidos pela crítica e Anelis se tornou um nome conhecido dentro do cenário da Música Popular Brasileira.

Quatro anos se passaram, e veio Taurina. Dizer que esse disco é o meu favorito da carreira não é exagero, visto que nunca fui muito fã da discografia de Anelis. Esse novo registro veio cheinho de novidades sonoras interessantes, que encorparam as melodias que costumam ser meio lugar-comum da MPB, dando toques interessantes aqui e ali, auxiliando o ouvinte no processo de captar o conteúdo proposto pelo álbum.

Taurina traz à tona a toda uma feminilidade, um jeito de ser e se sentir mulher. A capa, que é linda de doer, traz uma mulher desnuda, com a cabeça de um touro, que é o signo da cantora, e que brinca com a astrologia no decorrer do disco. Logo na faixa de abertura, somos convidados a dar um “Mergulho Interior” com a artista, que nos revela em poesia, sentada em uma pedra, que está se abrindo conosco, que nós estamos prestes a explorar esse universo com ela. 

O que segue são mais 12 faixas, a maioria de curta duração, com versos intricados, complexos e poéticos. Infelizmente para Anelis, sua composição ainda é muito voltada para ela mesma, e grande parte do álbum passa como um grande mistério inacessível, com apenas a temática feminina na superfície nos guiando pela mensagem. O tal mergulho interior acabou sendo muito profundo, e apesar de bonitas, essas músicas acabam não pegando, não sendo tão memoráveis como poderiam ser, caso seguissem um caminho interpretativo menos, digamos, cheio de si.

Exemplo de que isso é possível são as faixas logo após a abertura, “Chá de Jasmim” e a deliciosa música de trabalho “Segunda a Sexta”. Especialmente esta explora um instrumental animado ditado por uma cadência do brega paraense, para nos dar um divertido conto sobre uma mulher que vai à feira todos os dias para ver seu amor.

O trabalho apresentado em Taurina é um upgrade no que já ouvi da Anelis Assumpção. Ainda assim, o registro é muito fechado em ideias que não envolvem o público com o tema proposto. Fico no aguardo de um álbum mais “Segunda a Sexta” e menos o resto do disco.

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