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Historian - Lucy Dacus

Historian - Lucy Dacus

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Historian

Lucy Dacus
Matador
Fevereiro/2018
Indie Rock
O que achamos: Muito Bom
Timbre Recomenda

"Quando eu provei a saliva de outra pessoa, eu tive um ataque de tosse". Assim que começa Historian, segundo álbum da cantora e compositora norte-americana, Lucy Dacus.

Lucy tem apenas 22 anos, mas sua maturidade musical parece de uma alma antiga. Em seu debut, o ótimo No Burden, de 2016, a artista aterrissou no mundo da música logo com uma identidade claramente formada, de um indie rock suave, conduzido por guitarras quentes e letras sinceras, abertas, jovens e melancólicas. Agora temos Historian, uma obra que confirma ainda mais Lucy como uma contadora de histórias espetacular, que consegue estruturar composições lindas e explosivas, além de construir narrativas emocionantes.

Na abertura do disco, a linda "Night Shift", Lucy desabafa sobre as repercussões do seu término ao som de uma guitarra solitária. Superou, mas nem tanto. Ainda pensa no seu ex e quem está ocupando o lugar da cama que era dela ("But I can’t help but think of your other in the bed that was mine"). A guitarra vai ganhando a companhia de outros instrumentos e finalmente, com uma distorção a la St. Vincent grandiosa, Lucy confessa que mudou o seu horário de trabalho para não ter que esbarrar com o ex por aí. Torce para que as músicas que colaram nas memórias do seu relacionamento se renovem eventualmente, repetindo o verso que dá nome à música: "You got a 9 to 5, so I’ll take the night shift/And I’ll never see you again if I can help it/ In five years I hope the songs feel like covers/ Dedicated to new lovers".

Em sua franqueza e vulnerabilidade, Lucy consegue transformar histórias comuns como a de "Night Shift" em uma porrada de emoção singular. E assim continua praticamente o álbum inteiro, em canções explosivas, com melodias grudentas (no melhor dos sentidos), e de uma consistência impressionante. A peteca nunca cai.

Cada música de Historian é um conto com novos personagens, um relato que revela mais sobre quem Lucy é e a forma que ela vê o mundo. Em "Nonbeliever", ao som de violinos e uma guitarra tão indie roqueira que me dá gosto, Lucy fala sobre um amigo que abandonou suas raízes em busca de felicidade. Em "Yours & Mine", a artista consegue fazer uma balada indie rock com uma batida que remete ao country, um gênero empregado na medida perfeita para falar sobre redescobrir o que é o seu "lar", no sentido mais identitário da palavra.

Não bastassem as histórias bem contadas (como se isso fosse pouco), Lucy consegue agregar detalhes de arranjo à espinha indie rock das suas composições que renovam o seu som a cada mudança de faixa. O uso sofisticado e delicado das cordas em "Body to Flame" e do órgão que dá um clima blues a "Timefighter" são detalhes que enriquecem sem complicar o seu som.

Em sua essência, Historian é um álbum acessível e sofisticado, que se desdobra em histórias, detalhes e emoções. Uma ouvida essencial em 2018.

Casas - Rubel

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