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All Nerve - The Breeders

All Nerve - The Breeders

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All Nerve

The Breeders
4AD
Março/2018
Rock Alternativo
O que achamos: Muito Bom

Ah, The Breeders. O baixo de “Cannonball” vem direto à mente, e os anos 90 inundam o corpo, em um saudosismo nostálgico. O ser humano sempre foi capaz de definir seus momentos com arte, e se alguém me pergunta de 1993, o riff dessa música em específico preenche meu cérebro automaticamente.

No início dos anos 90, a banda formada por Kim Deal para expandir seu processo criativo além dos Pixies foi recebida com críticas excelentes e um sucesso moderado, carregado pelo sucesso que o rock alternativo estava obtendo nessa primeira parte da década. Pod e Last Splash são discos essenciais na coleção de qualquer roqueiro que se preze.

 25 anos depois, com dois álbuns de qualidade duvidosa no meio, as irmãs Deal atacam de novo com All Nerve, que vem com a mesma formação de seu clássico álbum 1993 pela primeira vez desde então. E o ataque sônico instrumental voltou junto. O baixo da Josephine Wiggs é uma delícia, não é mesmo? E ele é a parte mais gostosa do instrumental das músicas, que é marcado ainda pela voz meio fora do tom da Kim Deal, que dá um charme rebelde às músicas do álbum.

Nada do que ouvimos é exatamente novidade, mas é uma repaginada, um ar fresco, na fórmula usada pelo grupo nos seus primeiros anos. Todo o álbum é preenchido de uma sensação de anarquia feminina, algo meio riot girrrrl.  As primeiras faixas são rápidas e diretas ao ponto, lembrando bastante esse mesmo estilo de composição empregado no Last Splash. Nesse início, destaque para “Wait In The Car”, que tem uma melodia diferentona e uma letra engraçada, que passa o ponto de vista de um gato, ou de alguém que se sente tratado como um felino de estimação.

O meio do álbum carrega os pontos mais altos do registro. As músicas se alongam mais, e trazem uma sensação de vazio, de abandono, de descrença que é uma novidade no catálogo dos Breeders, que deixam o ouvinte muito envolvido e emocionado. “Spacewoman” e “Walking With A Killer”, cada uma com sua temática, lida com a solidão e desamparo femininos, no contexto planetário ou no microcosmo da sociedade machista em que vivemos, e como mulheres se atém às vezes a coisas claramente prejudiciais por não saber melhor.

O fim do álbum se inicia com um cover de “Archangel’s Thunderbird” dos pais do krautrock, Amon Duul II, e é um porção mais mitológica do álbum que envolve imaginários de seres não humanos, tempos passados em civilizações perdidas, etc. Instrumentalmente todas as 3 distintas partes do álbum se conectam, mas esse último pedaço é um pouco perdido, apesar de ter um senso de grandiosidade, de estarmos ouvindo algo maior que nós mesmos. Destaque para a faixa final, “Blues At The Acropolis”, com seu imaginário grego de desolação e pessoas doentes e viciadas buscando redenção.

All Nerve é um disco saudosista, que como mencionado anteriormente, não traz muitas novidades, apesar de ter algumas, o que condiz bem com o comeback planejado pela banda depois de 10 anos sem um álbum novo. É um disco feminino, com letras bem desenvolvidas, ainda que perdidas em alguns momentos, e que passa uma nostalgia envolta em solidão que é muito bonita. Ouso dizer que esse álbum é parelho em qualidade com o reverenciado Last Splash. Um retorno à forma surpreendente.

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