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Casas - Rubel

Casas - Rubel

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Casas

Rubel
Dorileo/Natura Musical
Março/2018
MPB
O que achamos: Excelente

Quando eu escolhi esse álbum para resenhar eu fiquei bem animado (muito fãzoca sim). Ouvi o disco todo antes de dormir, fiquei uns bons minutos deitado no travesseiro refletindo e digerindo tudo que ouvi até que caí no sono. Depois fui finalmente começar a escrever e decidi ouvir de novo durante esse processo. Mas eu senti a necessidade de parar e ouvir Pearl (primeiro álbum lançado em 2015). Tive a sensação de que Casas seria um complemento desse trabalho anterior, o que não é mentira, ambos se completam cheios de sinceridade e honestidade. O trabalho do Rubel é sempre muito íntimo, transparece verdade e te toca de uma forma quase que inexplicável.

Na apresentação do álbum Rubel explica a mensagem que queria ser passada através do seu projeto (...é pegar tudo que eu vivi nos últimos anos, de alegria, de tristeza, de descoberta, de certeza e incerteza, de amores, amizades, trabalhos, explosões, transformar em som e espalhar pelo mundo.) Casas é um registro das suas vivências, melancólico, com trechos sussurrados seguindo a ideia de seu álbum anterior, mas também cheio de elementos novos que o cantor e sua banda ainda não tinham explorado antes.

O samba, elementos eletrônicos, rap, hip-hop, instrumental afro e clássicos são explorados junto com a voz do carioca que é suave e fácil de digerir. A simplicidade das letras e dos arranjos nos aproxima ainda mais de toda essa nostalgia que Casas nos faz sentir. Cada faixa tem sua peculiaridade, uma história, seja nos títulos delas ou nas próprias letras.  Fica evidente a vontade de dividir os holofotes com quem faz parte desse álbum. dando espaço para outros artistas e intensificando a mensagem que cada um quer passar. Em “Mantra” temos a participação de Emicida, que nos dá uma perspectiva completamente diferente do que um mantra é. Rincon Sapiência chega com seu flow e gingado em estrofes cheio de críticas, e a frase icônica “As lágrimas são como Temer, necessário colocar pra fora”.

Temos também exemplos simples como em “Explodir”, onde somos levados apenas pela voz e o violão de Rubel, terminando com um solo de violino belíssimo. “Batuque” e “Fogueira” são faixas curtas com apenas instrumental, a primeira afro e a segunda mais clássica. “Sapato” chega na malandragem, com uma pegada de samba deliciosa.

Conversando com uns amigos sobre o álbum, e meu amigo Leon citou uma coisa muito interessante e a fala dele me contempla “senti que existiu uma transição do Pearl para casa. É bem metafórico, mas a pérola é criado dentro de uma ostra, que é uma espécie de casa, né? Acho que esse trabalho complementa o Pearl, é maior, tem mais espaço pra outras histórias. E é tão bom escutar”

Ao expor sua intimidade, seus medo e vivências, Rubel consegue criar uma atmosfera de acolhimento muito intensa. Casas consegue proporcionar esse sentimento de “se sentir em casa”. Eu, como fã, achava Pearl quase que intocável, mas levei uma rasteira. Um trabalho tão bem produzido, repleto de sinceridade, paixão e com uma diversidade musical tão grande colocam Rubel em um patamar acima do que o cantor já tinha alcançado.

All Nerve - The Breeders

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Historian - Lucy Dacus

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