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Joyride - Tinashe

Joyride - Tinashe

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Joyride

Tinashe
Abril/2018
RCA
Hip Hop / R&B Alternativo
O que achamos: Fraco

Tinashe Jorgensen Kachingwe se consolidou, nos últimos 5 anos, como um dos nomes mais interessantes e atraentes da cena do hip hop e r&b alternativo contemporâneo. Com Aquarius (2014) e Amethyst (2015), a cantora entregou o toque pop alternativo infalível a uma cena de hip hop cada vez mais saturada. Em 2016, com o ótimo Nightride, ela se aventurou ainda mais por caminhos menos convencionais dentro do gênero, ficando evidente o flerte com o hip hop experimental de ABRA e Kilo Kish e as influências de FKA Twigs, características fortes de faixas como "C'est La Vie" e "Sunburn".

Ainda assim, a cantora de 25 anos manteve suas raízes do R&B pop e palatável bem fortes em destaques como "Company". O equilíbrio entre a experimentação e a sonoridade mais convencional muito bem executados fez com o que o nome de Tinashe se tornasse um do qual esperar surpresas muito boas, com sua presença forte em cada verso cantado, econômica nas colaborações e contando com produções de muita qualidade.

Infelizmente, equilíbrio e surpresa são duas coisas das quais mais senti falta ao ouvir Joyride, a esperada sequência à Nightride, trabalho ao qual se liga pelo nome e capa, mas não muito na sonoridade. Joyride, tanto nos seus momentos de mais mistério e tentativas de sair da curva quanto nas faixas mais convencionais, soa pálido e mecânico. Nada se destaca no álbum, desde a produção inexpressiva aos vocais de Tinashe que, mesmo impecáveis, parecem transmitir um total de zero emoções. É como se ela estivesse presa entre a introspecção e a ousadia, numa seriedade nada cativante, nada carismática, nada profunda. Um belo exemplo disso é a faixa título, que passa como uma linha reta por cima das percussões graves enquanto a cantora murmura sobre estar afim de curtir a noite em paz... :B

Há algumas exceções no trabalho. "No Drama" conta com uma batida interessante e Tinashe fazendo um mesclado de rap com canto que soa legal, ainda mais com Offset (dos Migos) participando da faixa. "He Don't Want It", se não é uma faixa boa, pelo menos demonstra a versatilidade de Tinashe na interpretação de suas músicas, com uma vibe mais lenta e chill recheada de falsetes. "Stuck With Me" é uma faixa que utiliza muito bem a fórmula quadradinha do pop e acaba agradando com os vocais sussurrados e a batida remetendo à fase Ibiza de Drake (e do mundo todo né?).

Salvando o álbum, o single "Faded Love" aparece pelo final de Joyride como o grande destaque. A faixa se constrói com uma sensualidade suave que Tinashe dosa muito bem e que é quebrada de maneira interessante com os cortes do refrão, no qual a artista decompõe a frase "You on that faded love" a ponto de torná-la cada vez mais intrigante. Isso dialoga com a vibe androide urbano do álbum e á primeira vez que a ideia ganha um contorno assimilável no disco, pena que é só no final :P A participação do rapper Future adiciona mais camadas ao trabalho conforme a química entre Tinashe se revela e a colaboração ganha sentido.

Joyride acaba não indo a lugar nenhum, não mostra nada de novo e não faz jus à versatilidade que Tinashe mostrou em todos os seus trabalhos até então. O conceito androide-noturno-hiphop-fatal não engata e fica só como uma capa bonita prum álbum vazio e monótono. Felizmente, nós - e Tinashe, principalmente - sabemos do potencial da artista e podemos esperar por trabalhos mais profundos e relevantes no futuro! Um beijo, Ti :*

Isolation- Kali Uchis

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Consertos em Geral - Manoel Magalhães

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