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Golden Hour - Kacey Musgraves

Golden Hour - Kacey Musgraves

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Golden Hour

Kacey Musgraves
MCA Nashville
Março/2018
Country, Singer/Songwriter
O que achamos: Bom

Kacey Musgraves é a grande revelação do country americano da década. Após ficar em sétimo lugar em uma competição do gênero (o programa Nashville Star) em 2007, demorou uns anos para ela conseguir assinar um contrato. Seu primeiro álbum, Same Trailer Different Park foi aplaudido de pé pela crítica pelo seu estilo irônico, mistura de crítica social e assuntos que são tabus para a audiência majoritariamente branca do gênero com versos escritos para fazer rir e refletir ao mesmo tempo. 5 anos atrás eu fiquei encantado com a petulância da artista, e continuei acompanhando sua carreira. Pageant Material e seu álbum de Natal foram lançados desde então, e sua discografia ficou mais sólida. Agora, aos 29 anos, Musgraves é um nome de peso e veterana no cenário country do sul dos EUA.

E nesse processo, sua vida mudou também. Além do amadurecimento natural da idade, a cantora se casou. E é palpável como isso afetou sua música. Ouvir o Golden Hour é como entrar em um mundo de contemplação, como sentar em um planalto e observar a imensidão de um vale e pensar sobre a própria vida. O terceiro álbum da Kacey traz um estado de relaxamento. Entramos em contato com nossos erros do passado e percebemos como somos capazes de julgar melhor as situações, como é gostoso viver de forma mais plena, saudável. Como é gostoso ter paz. Entrar nesse ambiente de calmaria, onde até o ruim e o negativo são tratados com gentileza e sabedoria, é instantaneamente gratificante, como beber uma água geladíssima depois de um exercício.

Você consegue ouvir a introdução de alguns novos elementos, o que se adequa a essa sensação de liberdade. Porque se ater sempre ao banjo se existe a possibilidade de fazer um riff de sintetizador? Ainda assim, a maioria das faixas ainda segue a cartilha melódica e instrumental de Nashville, e apesar de extremamente agradável, a falta de um elemento diferenciador é o que diminui a experiência de algo incrível para algo apenas prazeroso. Ouso dizer que essa renovação de vibrações trouxe também letras mais lugar-comum, que impactam menos uma narrativa do que seus trabalhos antecessores, o que é uma pena, pois um bom country te pega pelas letras e não pela diversidade de arranjos, que sabemos não ser uma marca do gênero.

Isso não significa que o álbum não tenha seus momentos que valem a pena uma revisitação. “Butterflies”, com seu sintetizador leve como uma brisa de primavera, é um hino. Uma música que celebra o amor, que comemora de forma consciente e adulta a sensação de ter nós no estômago por estar apaixonado, com uma letra cativante, eterna para qualquer faixa etária, envolta em uma melodia criada à perfeição. Estou tentando lembrar uma faixa recente que me traga tanto a sensação de voar como essa, e não estou conseguindo lembrar.

“Space Cowboy” é o outro single do Golden Hour, e a grande letra do registro. Uma ode à dar espaço a uma relação que não vai tão bem, mas vista de uma forma tão clara e resiliente, que faz parecer fácil. “Slow Burn”, “Lonely Weekend” e o destaque dançante “High Horse” só complementam a sensação descrita acima. Todas as 13 faixas, apesar de não terem nada demais, se tornam mais grandiosas e relevantes pela interpretação diferenciada de Musgraves, e por isso algo que poderia ser enfadonho e sem sal acaba te conquistando aos poucos.

Golden Hour não é um álbum excelente, e não vai ser um álbum que eu vou pegar para ouvir com frequência. Ele é um registro de um momento de calmaria e paz interior em uma artista que fez seu nome por questionar. Acho uma fase válida, apesar de menos impactante e relevante para a música. Mas se você gosta de música bem-feita e bem interpretada, de se deixar envolver por reflexões do cotidiano, mesmo que banais em alguns momentos, o disco vem e de quebra ainda te dá um momento para sua própria auto-reflexão. Um lançamento bem legal, e espero que venham coisas ainda melhores da Kacey no futuro.

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