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The Louder I Call, the Faster it Runs - Wye Oak

The Louder I Call, the Faster it Runs - Wye Oak

The Louder I Call, the Faster it Runs

Wye Oak
Merge
Abril / 2018
Rock, Dream Pop
O que achamos: Bom

O título de The Louder I Call, the Faster it Runs carrega um duplo significado, no mínimo, instigante. Por um lado, podemos interpretar a frase como a ideia de que, quanto mais intensamente vamos atrás de certo objetivo, mais rápido ele se distancia de nós. Por outro lado, o dilema pode significar o contrário e indicar que, quanto mais chamamos por socorro, mais rápido aquilo de que estamos fugindo nos alcança. No sexto álbum do Wye Oak, ambas interpretações são precisamente verdadeiras, uma vez que a obra da banda de Baltimore busca explorar as tendências humanas que dificultam nosso encontro com a paz interior: querer enxergar o sentido em tudo e, ao mesmo tempo, negar nossos fantasmas.

O título é repetido em versos da faixa homônima do disco, como se representando as voltas as quais estamos condenados a dar quando nos esforçamos demais para enxergar no horizonte as respostas para tudo. A ambientação onírica e orgânica que a banda dá à faixa é a atmosfera que predomina no disco, ela é crescente e preenche os espaços vazios. Um dream pop potencializado pelos vocais de Jenn Wasner que, após ter lançado seu belo disco solo If you See me, Say Yes, parece ter estimulado o Wye Oak a diminuir a intensidade do indie folk que os caracterizava também para apostar num som mais eletrônico e psicodélico.

Cada faixa em The Louder I Call aprofunda os temas filosóficos propostos, e eu te desafio a não se emocionar com "Lifer", uma parte doce e introspectiva do trabalho. A instrumentação ritmada em teclados e percussões apoia os vocais deliciosos de Wesner, ganha distorções de guitarra e sintetizadores enérgicos, refletindo a explosão de sentimentos conflituosos, a única maneira de acompanhar um composição tão complexa e inspirada. "I won’t reduce myself to air / Undo myself for your affair / I’ve shown you everything I am / You choose or not to understand", Wasner canta num momento decisivo dicotômico entre a vontade de desistir e a de reunir forças para encarar com tudo um vida que, no fim das contas, pode oferecer experiências ricas. É a linha tênue entre o respeito que cada um deve a si mesmo e a realização de que todos esses desafios que encontramos dia sim, dia não, são difíceis pra caramba de ser superados. Wye Oak aparenta compreender esse sentimento e o expressa com a sensibilidade que lhe é devida, mostrando que há sentido em acreditar que a vida pode ser melhor.

Trilhando essa corda bamba que é questionar as noções pré-concebidas sobre como enxergamos a nós mesmos é que Wye Oak encontra também a identidade musical do disco. Nesse sentido, Andy Stack realiza um excelente trabalho em dosar os elementos eletrônicos do disco, base da atmosfera onírica dele, com synths que trabalham bem ao lado da bateria e do baixo de Wasner. "It Was Not Natural" e "Say Hello" são outros pontos de destaque do álbum, evidenciando esse equilíbrio mencionado e mantendo a coerência com os sentimentos por trás dessas faixas.

A impressão que fica ao final do disco, no entanto, é de que esses momentos muito bons que o trabalho possui acabam ficam isolados quando se tem uma perspectiva geral, já que The Louder I Call pode soar um tanto quanto homogêneo em sua sonoridade. Por outro lado, cada faixa conta com sua singularidade quanto ao aspecto do tema explorado, e é uma delícia ir ruminando cada uma dessas canções e descobrir do que elas estão falando.

The Louder I Call, The Faster it Runs é um álbum que não decepciona em momento algum, e que deixa clara a inspiração por trás de cada faixa que apresenta, apesar de ter uns momentos monótonos aqui e ali. É o tipo de álbum que torna muito fácil entender o que é o tal do "dream pop", pois ele cria uma atmosfera leve para trabalhar temas que podem ser pesados, como uma brisa numa noite longa e escura. Entendendo não haver sentido em buscar respostas para tudo, Wye Oak vai atrás das perguntas, recusando com veemência a urgência em ser visto da maneira certa para focar em ser o que é certo.

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