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Omindá - André Abujamra

Omindá - André Abujamra

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Omindá

André Abujamra
Março/2018
André Abujamra/Tratore
MPB, World Music
O que achamos: Muito Bom

Pra quem não conhece, André Abujamra é uma figura cult brasileira. É membro do divertidíssimo duo dos anos 80, Os Mulheres Negras, que também conta com o mestre Mauricio Pereira (pai do incrível Tim Bernardes) e é conhecido por experiências inteligentes de pop rock. 

Não conhece? Bom, ele também escreveu a trilha sonora de Castelo Rá-Tim-Bum. Tá bom pra você? Como diria André: "Se eu estivesse nos EUA, seria quatrilionário". Talvez fosse mesmo, afinal, acumulou uma quantidade de trabalho impressionante, com 50 longa metragens, papel até em novela das 19h e 5 álbuns solo. 

Em seu mais novo trabalho, Omindá, que significa, em Yorubá, uma união da água (Omin) e da alma (Da) e foi lançado no dia mundial da água (22 de março), André constrói uma expressão ousada de multiculturalidade, executada com sofisticação e naturalidade, e centralizada em torno da figura da água, que aparece constantemente nas suas letras.

Resultado de 11 anos de trabalho e viagens, a junção de mais de 13 artistas é montada em uma sincronia fluida, em uma exploração explosiva de world music. A combinação da batida brasileira com a cítara indiana, o coro búlgaro, a orquestra tcheca e os milhares de elementos que compõem a verdadeira sinfonia de Omindá impressionam e envolvem o ouvinte no enredo do disco, que no domínio da sua multiculturalidade, emula a naturalidade com que um oceano consegue ligar todos os continentes em um só planeta.

Verdadeiramente um disco, Omindá é pensado para ser ouvido como um todo, como se as músicas fossem afluentes que servem apenas para alimentar o rio principal. O álbum é um show pronto, uma performance completa. Algumas músicas se comunicam como uma só, como "Saudade", "Little Sea Drops" e "Lagrimar", que se conectam delicadamente em melancolia e melodia, enquanto outras como a faixa título "Omindá",  "O Mar" e "Ocean Toys" são quentes, densas e energizadas. Na lindíssima "O Mar", em um suplício esperançoso, André canta: "que todas as dores sejam lavadas pelo mar e as lágrimas tristes virem pérolas".

Omindá é uma obra impressionante em sua grandiosidade (é independente, ainda por cima!) e na construção impecável do seu conceito aquático-multicultural, envolvendo e surpreendendo a cada segundo. É, André, talvez você devesse ser quatrilionário mesmo.

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