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Camp Cope - How to Socialise and Make Friends

Camp Cope - How to Socialise and Make Friends

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How to Socialise and Make Friends

Camp Cope
Março/2018
Run for Covers Records
Punk rock
O que achamos: Bom

Camp Cope soube perfeitamente passar uma bela primeira impressão para os ouvintes de primeira viagem que ainda não guardaram esse simples nome em sua mente. Dando uma checada no Instagram do trio de punk rock australiano encontramos um combo perfeito que leva qualquer leigo a se interessar pelo som das garotas: um misto de engajamento politico com um belo visual aliado também a “aperitivos”, trechos de shows onde as garotas obtiveram um bom desempenho e mandaram bem no rock'n'roll. Tudo isso em uma reinvenção não soa distante ou inacessível. Algo bom, presume-se.

Depois de uma estreia que passou batida, apagada por grandes nomes (apesar de um desempenho em geral bom), Camp Cope retorna com um novo trabalho, honesto e introspectivo. Lançado sob o selo Run for Covers Records, o trio australiano conta que gravaram tudo durante dois dias em meio. Coberto pelo efervescente cenário de empoderamento feminino e pela luta contra o patriarcado em movimentos com grande publicidade como o #MeToo, nada passa despercebido sob os olhos de Georgia McDonald (vocais, guitarras), que expõe toda sua vulnerabilidade e sensibilidade em um registro cheio de boas composições, unindo todo esse caos exterior com o seu próprio caos interno.

Em uma revelação súbita de intimidade, Camp Cope trilha um caminho tortuoso por histórias sentimentais, dores e odes a amizade sem deixar de lado um posicionamento politico que penetra a coluna óssea da música, levando a um atenuado êxtase sonoro. É um álbum cru, marcado pelos vocais exóticos, tenebrosos e consistentes, em união a um instrumental simples e caseiro. Algo tão pouco elaborado, apenas um acompanhamento por vezes gracioso e por vezes grosseiro,  que não chega a ser um dos grandes pecados dessa obra. Nos momentos de clareza alguns trechos ocasionalmente proporcionam uma sensação prazerosa e é quase possível ver a banda em toda a sua magnificência em um bela performance onde tudo parece funcionar de forma quase perfeita. Em contraste, os momentos de tédio ocasionado pela apreciação geralmente sentido nos pontos baixos do álbum me fez sentir como se eu tentasse salvar algo que já nasceu morto. Sensação péssima.

Um amontoado de faixas boas e outras um tanto mornas , resultado talvez da falta de experiência ou pela ausência de um guia. Ao todo, How to Socialise and Make Friends é acima da média, por assim dizer. Um álbum aceitável, um som perfeito para festivais, regido pela química que o conjunto emana.

Omindá - André Abujamra

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Vessel - Frankie Cosmos

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