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Speaking in Tongues - Talking Heads

Speaking in Tongues - Talking Heads

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Speaking in Tongues

Talking Heads
Sire Records
Junho, 1983
New Wave, Rock
O que achamos: Excelente

Antes de mais nada, esse é o álbum que nos deu o melhor álbum ao vivo-filme concerto de todos os tempos, o Stop Making Sense (Jonathan Demme, 1984):

Segundo: esse é o novo Talking Heads, o Talking Heads com o glamour dos anos 80. Meio atrasados, porém muito bem-vindos à década.

O quinto álbum do quarteto nova iorquino é um desvio de todas as expectativas postas sobre eles por público, imprensa, Deus e o Diabo e o que for. Expectativas que por si próprias já eram estratosféricas após o Remain in Light de ‘80, que já nasceu deixando um legado e uma sombra que os membros temiam jamais escapar. Ansiosos com a pressão do follow up, de fazer algo tão bom quanto os ouvidos vieram a aguardar (pois o nível dos trabalhos elevava-se a cada lançamento), e de sempre ser originais, a banda resolveu 1. dar uma pausa 2. reformular as estruturas.

Logo, o Speaking in Tongues é o primeiro álbum sem o produtor Brian Eno  que sem dúvidas ajudou a moldar o som tão único da banda após o debut de ‘77 ("Talking Heads: 77").  O álbum produzido pelos Talking Heads é exatamente o que se esperava de um álbum produzido pelos Talking Heads: um surpresa. David Byrne e co. possuem o talento único de serem sofisticados, complexos e progressistas sem serem pretensiosos ou inacessíveis. A vibe ‘fora da nossa realidade’ e absurda da banda não é só o que os diferencia do resto e marca a sua influência na música; também é o que os torna acessíveis e compreensíveis.

Speaking in Tongues começa com uma das músicas mais conhecidas do catálogo do Talking Heads: Burning Down the House, a música que te desafia a não se mexer sabendo muito bem que você não vai conseguir ficar quieto. A perfeita fusão de percussão e sintetizadores com letras surreais que devem ser cantadas em voz alta (FIGHTING FIRE!! WITH FIREE!!!!). O groove segue com ‘Making Flippy Floppy’ com o riff tão energético quanto a música anterior. ‘Girlfriend is Better’, a odisseia existencial sobre relacionamentos, vem com uma cornucópia de sintetizadores, cada um com uma função especial, e a linha de baixo magnética de Tina Weymouth é simplesmente maravilhosa. A primeira parte termina com ‘Slippery People’ um interlúdio levemente mais lento guiada pelo coro composto da voz grave de Byrne e backing vocals femininos enquanto ‘I Get Wild/Wild Gravity’ tem um caráter mais claustrofóbico mas não menos energético. Ambas músicas tem a marca registrada de ansiedade e paranoia de Byrne nas suas letras: “God help us lose our minds”, depois “Let me lose my perspective / Something worth waiting for”. Mesmo assim, é de longe o álbum mais liricamente positivo de toda a carreira da banda.

A segunda parte abre com o riff angular de "Swamp" e uma estrutura impressionista; nada faz o mínimo sentido porque se aprendemos algo ouvindo essa banda - principalmente esse álbum - é que o sentido não realmente importa. "Moon Rocks" tem uma narrativa sobre o eterno conflito de ciência vs religião e mais uma vez a guitarra tem o groove dançante inspirado em Parliament. Seguindo a mesma linha, "Pull Up the Roots" é maravilhada com a beleza da natureza e eufórica com as cordas unindo ao eletrônico e terminando com um solo de percussão. Termina com a outra música mais popular do catálogo, a linda e simples "This Must Be the Place (Naive Melody)" na qual Byrne exibe o seu lado mais poético: “I love the passing of time / Never for money, always for love / Cover up and say goodnight, say goodnight / Home is where I want to be / But I guess I'm already there…”

Sonicamente, "Speaking in Tongues" é o resultado de um trajeto singular. É complexo, Africano, Árabe, repleto de bongos e do world music que sempre inspirou a todos (e depois vem a acompanhar o restante da carreira de Byrne, que sabe muito bem como mostrar admiração sem se apropriar de nada), abstrato e tipicamente experimental. Porém alegre e cheio de vida. Uma das melhores coisas já feitas na música.

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