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Beyondless - Iceage

Beyondless - Iceage

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Beyondless

Iceage
Escho
Maio / 2018
O que achamos: Bom

Existe algo irremediavelmente atraente na decadência que um indivíduo inflige a si próprio. Algo feio e inquietante, entretanto atraente. Atraente porque existe uma poesia em ser a causa de sua própria ruína, em padecer pelas suas próprias mãos. O rock sempre achou um jeito de romantizar essa ideia, traduzir a poesia para uma linguagem comovente e excitante, à qual nos encontramos querendo abraçar. Tão confuso, mas é real.

Iceage, banda dinamarquesa focada num post-punk jogado, caminha próximo a essa linha que flerta com a autodestruição sem olhar para a realidade dela, mas, ao longo de Beyondless, vai mostrando que está trilhando um caminho diferente. A banda foge dos clichês temáticos do rock e oferece um olhar mais amplo sobre os mesmos temas. A abertura do álbum com "Hurrah" é, na verdade, uma reversão da própria ideia de que a juventude é seu próprio algoz, construindo-se quase como um protesto contra a guerra promovida pelos "donos" do jogo geração após geração e que torna descartável a vida dos jovens.

"Painkiller", um grande destaque da obra, conta a participação maravilhosa de Sky Ferreira. A canção introduz instrumentos de metais que permeiam o disco e dão um ar épico para algumas canções. E em "Painkiller" há a sensação de importância, de grandiosidade do que está sendo cantado, o que confere uma verdade urgente a esse sentimento transmitido na canção de magnetismo a uma sensação que não vai te fazer bem, mas da qual você não consegue escapar.

Tudo no álbum é conduzido pelo jeito mórbido e, eu diria, até moribundo do vocalista Elias Bender Rønnenfelt de cantar. Existe um ar jovial nisso, bem evidente na divertida e ritmada "Thieves like us", mas é bom lembrar que esse é o quarto álbum do grupo e que eles possuem já uma década de estrada. E a maturidade adquirida se revela justamente nas letras, temas e instrumentação de Beyondless. Destaque para a faixa "Catch It" que se arrasta e ganha velocidade e tensão conforme avança em sua melodia deliciosa.

Com surpresas boas, tanto em termos de composição quanto de produção, Beyondless é uma obra fácil de ser ouvida, mesmo com sua densidade intrínseca, porque é rápida em provar não ser só mais um trabalho de post-punk que acha que descobriu o fim do mundo e o vazio interior de cada indivíduo. É bom, por descascar a "poesia" da decadência e mostrar que é bom se desprender dela. Se aproximar demais do sol é perigoso, e Iceage está aí consciente dos prós e dos contras.

 

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