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Persona - Rival Consoles

Persona - Rival Consoles

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Persona

Rival Consoles
Erased Tapes
Abril/2018
Eletrônica
O Que Achamos: Bom

Rival Consoles é o nome artístico do músico Ryan Lee West, de Leicester, na Inglaterra. Inicialmente treinado em violão na sua adolescência, Ryan mudou para a produção eletrônica, tema de seu estudo na universidade. Com vários EPs e 3 álbuns lançados desde 2007, o rapaz é conhecido no meio eletrônico, mas não é um nome muito popular fora dele. Seu novo álbum Persona me chamou a atenção por ter sido parabenizado por vários sites especializados, me deixando curioso e na vontade de pegar o disco para ouvir. Apesar de extremamente agradável, o trabalho falhou em me surpreender, ainda que sejam claras as razões para ter sido construído do jeito que foi. Com um pouco menos de 1 hora (um álbum grande para 2018), ele flui muito bem justamente por ser fácil a imersão no seu contexto.

A inspiração de Persona é o filme de mesmo nome do diretor Ingmar Bergman. Influenciado pelo longa-metragem sueco, West criou uma trama apenas com melodias ditadas pela sua genialidade com o sintetizador, criando uma atmosfera quase humana com o instrumento associado à frieza e solidão trazidas pela tecnologia. A base para todas essas canções são as interações humanas, o que temos por dentro e por fora e como apresentamos isso para os outros. Como nos vemos na escuridão e na luz, e como isso influencia nossa vida, passado presente e futuro. É álbum rico em ideias, pois mesmo antes de procurar o release do artista sobre o álbum, pelo nome do trabalho e das faixas que o compõem eu consegui montar todo esse cenário.

O álbum inicia mais devagar e no meio ficam seus momentos mais preciosos. “Sun’s Abandon”, sétima música da tracklist, me pegou muito fácil, com sua fragilidade doce, gentil como abrir a janela em uma manhã de domingo ensolarada. “Untravel” é a minha favorita, e inicia o processo de fechamento do disco. O trabalho de produção aplicado à essa faixa me remeteu ao Nils Frahm na hora, e saber que eles são da mesma gravadora fez muito sentido. Essa faixa explora o som de uma maneira tão singela e tocante, é quase como se o computador alcançasse o nível emocional dos humanos, guiado pelo artista. Não viajar soa duro, mas nessa faixa, eu sinto o oposto: como se o não viajar do título fosse a viagem em si.

No geral, nenhuma das outras faixas me cativou tanto quanto as mencionadas acima, mas o enredo todo do álbum é o que fascina. A sutileza, o encanto simples que a mistura do eletrônico com o acústico dá para os ouvidos. Persona é como estar no espaço e se sentir humano da mesma forma que preso à terra, é reconhecer você mesmo no seu semelhante e vice-versa. Até onde o outro é parte integral de nós, pelo que absorvemos diariamente em nossas percepções? É muito doido que um disco totalmente instrumental traga questões tão filosóficas sem o uso da palavra.

Persona não foi o clássico que eu esperava ouvir, pois eu não senti anda de muito novo no trabalho do Rival Consoles. Sem essa expectativa no entanto, o trabalho se tornou gostoso de desbravar. É uma experiência que eu entendo que poderia ser ainda mais completa se fosse a trilha sonora de um filme de ficção científica, pois eu associei muitos momentos ao espaço, ao conhecimento de novas camadas interestelares e a sensação de pequenez perante algo tão grandioso que é o universo. Talvez um dos objetivos da obra seja nos lembrar de como somos ínfimos perto de tudo que é a vida, mesmo que dentro de nossas cabeças sejamos o centro do universo. É legal que um disco nos leve à anos luz de distância e a alguns centímetros, até o próximo ser humano, em apenas em uma hora.

Giovanna Moraes - Show de lançamento de Àchromatics - JazznosFundos 26/04

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Cypress Hill - Cypress Hill

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