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Paul Simon -Paul Simon

Paul Simon -Paul Simon

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Paul Simon

Paul Simon
Columbia
Janeiro / 1972
Folk
O que achamos: Muito bom

Se nunca foi novo e se nunca envelhece, então é uma canção folk
— Llweyn Davis

A frase acima, retirada do excelente filme dos irmãos Cohen Inside Llewyn Davis, traduz um aspecto da música folk difícil de definir, mas muito óbvio quando se está em contato com o gênero. Tirando certas bandas que adicionam 1kg de açúcar a cada estrofe de suas canções e as chamam de folk, ele ainda permanece encontrando espaço no mainstream atual através de grandes artistas como Fleet Foxes, Bon Iver e Laura Marling, que curiosamente se reinventam ao longo de suas discografias, mas mantendo esse elemento atemporal que o folk carrega.

Enquanto metade da lendária dupla Simon & Garfunkel, Paul Simon compôs belíssimas e canções que, até hoje, parecem se situar num lugar fora do tempo, nessa atemporalidade acima mencionada. Entre elas, as lendárias "The Sound of Silence", "Mrs. Robinson" e "Bridge Over Troubled Water". Os sons são meigos, introspectivos, nunca apressados, mesmo quando acelerados, e colocaram a dupla entre os artistas mais ouvidos do mundo. O fato de que, em sua carreira solo, Paul Simon levou consigo o aspecto "atemporal" e conseguiu alcançar um refinamento mais inovador de artistas mais contemporâneos ainda na década de 1970 mostra sua importância para a dupla e para o movimento artístico de contra cultura dos anos 60.

Em 1972, Paul lança seu segundo álbum sem Art Garfunkel e o primeiro após o término da dupla, o homônimo Paul Simon. E a razão pela qual esse é um trabalho tão importante é que ele permitiu que o artista mostrasse que possuía um brilho tão próprio e intenso enquanto indivíduo quanto o que a dupla irradiava. As belas letras, belas histórias e o folk tradicional foram mantidos, com a maioria das músicas contando apenas com violões em acordes delicados, algumas flautas e os vocais serenos de Paul. No entanto, o trabalho surpreende logo em sua primeira faixa e single de maior sucesso.

"Mother and Child Reunion" é um hit cheio de elementos de reggae, gravado na própria Kingston e inspirado por lendas como Jimmy Cliff e Byron Lee. Embora eu não me empolgue tanto com uma música de reggae, é incrível pensar que Simon conseguiu alcançar um sucesso tão grande numa época em que poucos artistas não-jamaicanos se aventuravam pelo ritmo. Mais impressionante ainda pensar que o reggae foi ser levado ao mainstream quase uma década mais tarde por bandas como The Police e Men at Work, com hits bem mais irritantes e que não envelheceram tão bem quanto o sucesso de Paul Simon. A canção ajuda a compor a proposta do álbum de circular temas como luto, amor e casamento.

E como é delicioso ir viajando com o cantor pelas histórias que ele conta. "Duncan", com sua melodia doce e instrumentos de sopro apoiando o violão, é uma história de amor florescendo em um jovem tímido. E é interessante notar como Paul confere profundidade a uma história que não mão de muitos se tornaria boba e limitada a algo fofo. Na lindamente suave "Everything Put Together Falls Apart", ele reflete sobre a efemeridade de tudo, da vida e seus sentimentos, como alguém que toma café de pernas cruzadas à meia luz e sorri diante da tragédia universal. "Armistice  Day", de contornos políticos e um instrumental com nuances mais pesadas, nos lembra da contra cultura que Simon representa. "Me and Julio Down by the Schoolyard", um dos destaques do álbum, é a canção mais acelerada e bem humorada do registro, com assovios e um conjunte de acordes que, sobrepostos, evidenciam a atenção aos detalhes do disco.

É preciso dizer, no entanto, que a maior conquista de Paul Simon está na quieta e contemplativa "Run that Body Down". É como uma rápida e profunda viagem à mente de Simon e seus pensamentos sobre o seu casamento decadente. Econômico nos versos, ele acaba pintando um retrato de sua situação psicológica e matrimonial endereçando os mesmos versos a pessoas diferentes, inclusive a si próprio, como uma honestidade seca ao estilo Kurt Vonnegut. É uma maturidade bonita, que expõe a melancolia presente em envelhecer, e, acima de tudo, envelhecer junto. É bonito e é triste, como costumam ser as coisas importantes. 

 

 

 

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