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Twerp Verse - Speedy Ortiz

Twerp Verse - Speedy Ortiz

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Twerp Verse

Speedy Ortiz
Carpark Records
Abril/2018
Indie Rock
O que achamos: Bom

Em uma mistura de indie rock, rock de garagem e pop, Speedy Ortiz lança Twerp Verse, terceiro álbum da banda de Massachusetts (EUA). Inicialmente um projeto da vocalista, compositora e guitarrista Sadie Dupuis, conta hoje também com Darl Ferm (baixo), Mike Falcone (bateria) e Andy Molfolt (guitarra). Dupuis conta com uma trajetória acadêmica bastante interessante, que condiz com sua habilidade artística e seus versos certeiros. Por dois anos, a musicista foi aluna do MIT (Massachusetts Institute of Technology), estudando matemática e música simultaneamente. Depois, passou a se interessar pelo jornal da universidade, trocando a matemática pela escrita. Após deixar o MIT, completou sua formação no Barnard College (Nova York, EUA) com foco em poesia e por algum tempo, trabalhou como escritora e como professora, antes de se dedicar integralmente à música.

O álbum, repleto de tiradas bem humoradas sobre assuntos potencialmente sérios, é bastante fácil para os ouvidos. Letras cruas e compreensíveis, ritmos alegres e riffs convencionais misturam-se a elementos singulares. Assim, o que interessa mais é uma perversão do previsível: sintetizadores pincelados e bem colocados, chiados e gravações com cara de noticiário complementam as faixas, resultando em um conjunto peculiar e interessante. Há quebras de expectativa, que podem ter sido até cuidadosamente calculadas, mas que culminam em momentos de meticuloso estranhamento.

Twerp Verse começa com “Buck Me Off”, com sonoridade de indie nostálgico, lembrando Liz Phair, e letras honestas, que mostram o talento de Sadie Dupuis para mesclar palavras simples e metáforas obscuras. No refrão, Dupuis brinca, de um jeito atipicamente divertido, com o diabo: “I compete with the devil/ He better stop me/ Devil, you better stop me/ Better find a way to top me”. Em “Lucky 88”, batidas se repetem e se misturam à voz de cantora pop de Dupuis e a sintetizadores espaciais. Na música fica no ar um certo descaso, nítido com as palavras “I don’t care anymore”, que aparecem algumas vezes. Em “Backslidin’”, brilha a melodia da voz logo no início, com uma certa despretensão que vemos em outras mulheres-adolescentes do indie, como Frankie Cosmos e Soccer Mommy. A faixa, porém, assim como a própria banda, pende bem mais para o lado rock, com guitarras bastante presentes e pesadas e pratos de bateria que não param.

“Villain” tem uma presença marcante de sintetizadores, que dão um tom interessante, psicodélico à faixa. As letras, mais uma vez, têm uma sinceridade bastante cômica, falando sobre um sujeito sem limites e uma reação que equivale a revirar os olhos : "I want to know what kind of porn you like/ I want to know what kind of porn you like"/ He asks me these questions/ Did he earn the right?/ No way”. Em seguida, “I’m Blessed” segue a mesma lógica: sintetizadores presentes e um início de música desacelerada com versos bem escritos (“I'm blessed, I am a witch/ And I float above everyone who would do harm on me”), que progressivamente cresce para um indie rock bastante característico. Entretanto, em seus minutos finais, barulhos macabros e guitarras distorcidas se unem, construindo um momento de poderoso estranhamento, e voltando, logo em seguida, para o indie charmoso da banda, entoando versos dignos de um momento de boa auto-estima: “I'm blessed with perfect pitch/ I waste it on songs that you never even heard of”.

O álbum termina com “You Hate the Title”, que mostra mais uma vez a facilidade de Sadie Dupuis para falar de si, falar dos outros, e tratar basicamente tudo com bastante ironia, rebeldia e senso de humor: “You hate the title/ But you're digging the song/ You like it in theory/ But it's rubbing you wrong”.  E sobre isso, nada melhor do que usar as próprias palavras de Dupuis, que constam no Bandcamp da banda: “Você precisa ter um senso de humor como autopreservação para falar a verdade em um mundo crescentemente desconcertante. Eu chamo de ‘twerp verse’ quando um músico participa de uma faixa e diz algo totalmente bizarro - como um verso do Lil Wayne - mas ele se torna a parte mais crucial. Esse álbum é nosso próprio ‘twerp verse’, para aqueles momentos em que você precisa desesperadamente se levantar e mostrar seus dentes.”

Laura Veirs - The Lookout

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Giovanna Moraes - Show de lançamento de Àchromatics - JazznosFundos 26/04

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