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Dirty Computer - Janelle Monáe

Dirty Computer - Janelle Monáe

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Dirty Computer

Janelle Monáe
Atlantic
Abril/2018
Pop/R&B
O Que Achamos: Muito Bom

Dirty Computer é um registro importante na vida de Janelle. Lançado em conjunto com uma entrevista bombástica e sincera da artista para a Rolling Stone, em que revelou (após muitas especulações desnecessárias - até quando, gente?) não só ter tido relacionamentos com homens e mulheres, como também ser pansexual, Dirty Computer se revela como uma amostra do todo que compõe Janelle, na forma das suas opiniões sobre sexualidade, política, raça, amor e o que ela quiser. 

Em um dos melhores momentos da entrevista, Janelle declarou: "Como uma mulher negra queer, me considero uma filha da puta livre."(tradução livre, trecho original aqui). De fato, em Dirty Computer, seu primeiro álbum em longos 5 anos, Janelle transparece liberdade e o calor do conforto de amar quem se é. Brincando com o tema da tecnologia em sua abertura (com a lenda Brian Wilson dos Beach Boys), de mesmo nome do álbum, Janelle compara humanos a computadores e bugs às suas turbulências pessoais, se identificando finalmente como um computador quebrado.

Mas as confissões de falhas na persona de Janelle raramente se expressam fora de um tom esperançoso, sendo o único outro momento "So Afraid", em que Janelle confessa seu medo de perder tudo de forma vulnerável. Após a mais lenta faixa introdutória, o álbum se ilumina em cores e influências bem combinadas, em canções pop interessantes, prazerosas e bem construídas. A radiante faixa seguinte, "Crazy, Classic, Life", que já engata com um trecho de um discurso pró igualdade de Martin Luther King, inaugura a exaltação de Janelle, que canta logo no primeiro verso: "Young, Black, Wild and Free". 

Assumindo a controvérsia da sua existência como mulher negra e queer, seus anseios ("I want a crazy, classic, life") e suas fantasias e aventuras ("We was both on shrooms praying face down, waist down"), Janelle se revela de forma doce e aberta, sempre em celebração. Abusando dos teclados, das guitarras dramáticas e das batidas, emplaca explosão atrás de explosão, expressando sua sexualidade ao longo de todo o álbum.

Em "Screwed", dançante e açucarada ao som de guitarras anos 80 e sintetizadores energizados, Janelle faz uma brincadeira com a palavra 'screwed', convidando geral pra transar, enquanto descreve o quanto os EUA estão ferrados. A música continua sem percalços em "Django Jane", em que Janelle faz um rap divertido com referências a séries de TV, enquanto a temática central de sexo e paixão se expande na sequência de "Pynk", com a participação da Grimes, e o destaque "Make Me Feel", com um groove incontestável e clássico que faz jus à presença do mestre Prince na faixa.

Recheado de convidados ilustres, batidas e melodias contagiantes, produção e arranjo criativos, Dirty Computer não é nem um pouco entediante. Cada música é uma novidade que Janelle segura com suas letras orgulhosas, em alto astral, mesmo até em momentos como "Americans", uma crítica esperançosa que erra na quantidade de açúcar e patriotismo na fórmula, se tornando um tanto esquisita com versos como "I'll defend my land" e "I keep my two guns on my blue nightstand", sendo facilmente a pior faixa do álbum.

Com poucos tropeços, Dirty Computer é uma jornada dentro da cabeça da semi-androide Janelle Monáe, que diverte e refresca mesmo em crítica, contagiando o ouvinte com seu orgulho, empoderamento e honestidade.

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