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10 músicas para contemplar sua existência no dia do seu aniversário

10 músicas para contemplar sua existência no dia do seu aniversário

It’s my party and I’ll cry if I want to
— Lesley Gore
 A Persistência da Memória, de Salvador Dalí

A Persistência da Memória, de Salvador Dalí

Expectativa e desapontamento. Sabedoria e frustração. Progresso e morbidez. Aniversários são a pior coisa maravilhosa que existe, pois podem significar todos esses sentimentos e muito mais do que gostaríamos de admitir, na maior parte das vezes.

Pessoalmente, meu aniversário é sempre acompanhado de uma ideia agridoce de que estou deixando para trás pesos que já não quero mais carregar, porém me vendo sem tantas coisas que gostaria de ter. Também é um dia em que penso nos meus pais, e em onde eles estavam quando completavam a minha idade, e em como eles estavam.

No entanto, realmente, são inúmeras as catarses e reflexões que esse específico dia do ano pode causar num indivíduo, e uma boa forma de traduzi-los em palavras é a música! Pensando nisso, organizamos uma lista com 10 músicas que te farão/nos fazem refletir e viajar e choramingar no dia do nosso aniversário (e, para ser justo, nos outros dias do ano também). Dá uma conferida:

 

 

  • Fleet Foxes - Montezuma

A faixa de abertura do épico Helplessness Blues (2011) do Fleet Foxes começa com Robin Pecknold se perguntando sobre o significado de, agora, ser mais velho que seu pai e sua mãe quando eles tiveram sua primeira filha. Daí pra frente, a faixa medita quietamente sobre a existência do eu lírico, circulando temas como fé, amor, família e morte. Há algo de pesado no tom romântico em que Pecknold canta seus versos, passando a urgência do tema e o estado em que a mente desse narrador se encontra.

 
  • Belle & Sebastian - The State I'm In

Em 1996, o Belle & Sebastian tornou bonito e descolado ser sensível e não ter medo de expor isso. Com "The State I'm In", de seu álbum de estreia Tigermilk, Steve Murdoch canta, com sua delicada e poderosa voz, sobre os tropeços que se dá no caminho para um entendimento mais amplo da vida, das instituições do mundo, e na luta diária para ser uma pessoa boa, se é que isso existe. Ele demonstra uma rebeldia sutil enquanto olha com questionamento para as tradições da sociedade como religião, casamento e sexualidade: "My brother had confessed he was gay / it took the heat off me for a while". O que prevalece é uma obra definitiva sobre sofrer, às vezes, sem nem saber o porquê.

 
  • Fiona Apple - Better Version of Me

O mais extraordinário em Fiona Apple é que ela realmente se conhece, inclusive a ponto de admitir que não dá pra sabe no que ela vai ser tornar em seguida. Em "Better Version of Me", uma incrível faixa upbeat do álbum Extraordinary Machine (2005), os intensos acordes de piano refletem os tropeços que Fiona dá em sua própria personalidade antes de prometer que "aí está vindo uma melhor versão de mim". Sim, não temos como saber se a promessa será cumprida, mas a vontade de ser melhor, de estar bem, e a autopreservação que está sendo valorizada refletem demais a vontade de nos superarmos a cada etapa concluída, a cada fase que acaba.

 

 

  • David Bowie - Love is Lost

Um cara aos 65 anos cantando sobre a famosa "crise dos vinte e poucos" em seu 25º álbum. "Love is Lost" reflete sobre as constantes transformações na vida e a constatação de nunca está tudo totalmente ok. No auge de sua maturidade, Bowie explora o "lado escuro" do sucesso que ele alcançou, confessando que ser um dos artistas mais influentes da história pode ser solitário.

 
  • Madonna - Mer Girl

Em Ray of Light, seu álbum mais maduro e introspectivo, Madonna explorou temas como espiritualidade, relacionamentos e seu lugar no mundo. No fim do disco, Madonna nos leva por uma jornada onírica através de bosques, colinas e lagos, igrejas antigas, pomares e cemitérios. No fim, a fuga surrealista de "Mer Girl" é uma profuda meditação sobre mortalidade e renovação, na qual Madonna se coloca cara a cara com a morte, memória e amadurecimento. Não há nada como Ray of Light na história da música pop, e não há nada como "Mer Girl" na história de Madonna.

 
  • Pink Floyd - Time

O épico oitavo disco do Pink Floyd é uma obra tematicamente ambiciosa e diversa que amarra todas as suas faixas com um toque onírico e psicodélico. No centro de todo o caos, está o tempo. "Time" examina a passagem do tempo e como ela reflete a inerente falta de controle sobre nossas vidas, relacionando a faixa ao tema central do álbum, a loucura e a alienação. "Ten years have got behing / no one told you when to run / you missed the starting gun".  O que combina mais com um dia de aniversário do que a lembrança da constante e irrefreável passagem dos anos?

 
  • Kendrick Lamar - Momma

"I've been looking for you my whole life / an appetite for a feeling I can barely describe". Kendrick Lamar, no clímax de "Momma", tenta falar de um vazio inexplicável que ele sente, fruto de um desejo por alcançar algo que ele ainda não conhece. Na mesma música, ele canta sobre "voltar pra casa", num movimento que pode significar muitas coisas a partir de sua posição de fama e sucesso. É uma complexa reflexão sobre memória, identidade, pertencimento e a estranha sensação que permeia tudo isso de saber que sempre haverá algo faltando.

 
  • Gilberto Gil - Aqui e Agora

Essa me lembra da minha mãe. A filosofia de Gilberto Gil em "Aqui e Agora" é tão apurada e acessível, que é como olhar a obra de um grande pintor que resiste por gerações no imaginário popular. Colocando-se em perspectiva num mundo de mudanças e impermanências, Gil acalenta nossas inquietações sobre a morte, a vida e o sofrimento inerente a tudo. Reflete muito da maturidade que almejamos atingir a cada aniversário completado e nos leva à mais simples e poderosa máxima da música brasileira: "O melhor lugar do mundo é aqui e agora"

 
  • 22 - Lily Allen

As verdades que Lily Allen fala em "22" são tão duras e ácidas que doem. Ironicamente, elas refletem exatamente o que dizemos a nós mesmos nos nossos piores momentos. A percepção de que nossos sonhos vão se afastando cada vez mais conforme crescemos e que, talvez, o melhor seja desistir é uma das mais difíceis lições da vida, e Allen reflete exatamente isso no seu hit de It's not me, it's you (2009).

 
  • Marcelly - Bigode Grosso

Porque, às vezes, o aniversário não é pra refletir, mas pra ficar susu, comprar 300 Kg de carne e o dobro de linguiça,  ficar louco como de costume, com a equipe de som no último volume.

Sideral - Os Dentes

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