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Call The Comet - Johnny Marr

Call The Comet - Johnny Marr

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Call The Comet

Johnny Marr
New Voodoo
Junho/2018
Rock alternativo
O que achamos: Fraco

Call The Comet, o terceiro álbum da carreira solo de Johnny Marr, traz, parafraseando o músico, uma espécie de realismo mágico, abordando um futuro não tão distante, no qual as personagens buscam um “novo idealismo”. Junto a isso, é claro, também aparecem, em algumas faixas, reflexões e questões pessoais de Marr. Com uma sonoridade predominantemente pouco inventiva, Call The Comet, apesar da temática, algo novo na obra do músico, traz uma espécie de conforto esperado, que surge de um som que não deixa de ser Johnny Marr e não deixa de ser um bom rock, mas acaba se tornando cansativo ao longo do álbum. Não que seja algo exigido e necessário de um músico brilhante como Marr - ou de qualquer músico, diga-se de passagem - que ele se transforme a cada novo lançamento, mas a existência, na obra, de riffs bastante repetitivos e estruturas homogêneas e similares nas faixas confere ao lançamento alguns momentos tediosos. Por outro lado, há algo de brilhante em Johnny Marr, que aparece em tudo que ele toca, e que não poderia deixar de se destacar em um álbum solo seu: as composições extremamente vivas, as letras sensíveis e os pequenos presentes instrumentais formam um conjunto interessante, como não poderia deixar de ser.

“Rise”, uma faixa agitada e sombria de pouco mais de cinco minutos de duração, abre o álbum, seguida por “The Tracers”, que escancara a temática futurista, trazendo reflexões a respeito de um cenário caótico e indelicado da sociedade: “Silver and gold pulls all the weight/ They come to calm us all down/ Take all the love, we're lost here/ It's all because we're lost here”. Após “Hey Angel”, com solos de guitarra divertidos e temática ambígua, misturando referências de amor e drogas, há a estrela do álbum, “Hi Hello”. Com estrela do álbum, devo esclarecer o lugar de onde falo - uma declarada fã de Smiths -, já que o apelo da faixa é extremamente nostálgico, com melodia, timbres de guitarra e riffs que remetem instantaneamente aos grandes sucessos da banda - como “There is a Light That Never Goes Out” e “Ask”. O que talvez incomode - essa construção melódica que é inegavelmente semelhante aos sucessos anteriores de Marr no Smiths -, pode também ser uma boa surpresa: “Hi Hello”, nas mãos delicadas e no vocal suave do músico, une o passado ao presente e, por quê não, ao futuro.

“New Dominions” começa com um beat acelerado e seco, com sobreposições de outros sons eletrônicos que perduram ao longo da faixa. As guitarras aparecem um pouco depois, pontuais e barulhentas, crescendo progressivamente, junto com os vocais, que adquirem um tom bastante melancólico (“If I could do anything/ I’d burn up faster”) e reflexivo, características bastante expressivas no refrão: “I don’t know why/ It’s understood/ Fear and hate turn to lust/ Only lovers left alive”. “Day In Day Out” traz também uma lembrança clara de Smiths, com um instrumental mais simples e violões que embalam o que talvez seja uma das melhores letras do álbum: “Born with a question/ Born with a future past/ In my invention/ Call me a natural act/ Now is forever/ Now is an old re-run/ Call me too far gone/ To the point of no return”.

Em “Walk Into The Sea”, nota-se mais uma vez a influência eletrônica do álbum. O início da faixa é marcado por sons etéreos de sintetizadores e simulações de batimentos cardíacos, que dão lugar a uma melodia e vocais também melancólicos. “Actor Attractor” retoma o tema das primeiras faixas do álbum, com a diferença de ter uma sonoridade oitentista, talvez pelas teclas mais aparentes. “My Eternal”, a faixa mais curta de Call The Comet, lembra instrumentalmente New Order, com uma levada dançante e sintetizadores compondo a melodia junto a guitarras distorcidas.

Por fim, “A Different Gun” fecha o disco, aprofundando as questões e temáticas abordadas ao longo do álbum: “Our sparks dream and fall/ Fireworks explode/ Do we fall on the beach?/ Do we fall all alone?” Essas perguntas, que podem ficar sem resposta, demonstram a maestria de Marr em tratar com delicadeza e profundidade de questões existenciais, imagens oníricas complexas e reflexões pessoais. Call The Comet tem, por um lado, uma homogeneidade que se torna cansativa em alguns momentos da obra. Entretanto, por outro lado, há no álbum a inegável magia de um dos grandes músicos do rock de todos os tempos: uma sonoridade extremamente característica e nostálgica, além de uma temática interessante,  que só poderia ser fruto da mente de Johnny Marr.

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