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Brasileiro - Silva

Brasileiro - Silva

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Brasileiro

Silva
Slap
Maio / 2018
MPB, Pop
O que achamos: Muito Bom

Falar de Silva é sempre um grande prazer para mim. Acompanho a carreira do capixaba desde 2014 (lançamento do saudoso Vista Pro Mar) e a cada novo projeto sou surpreendido com um trabalho incrível realizado por ele e toda sua equipe. Estávamos desde 2015 sem um trabalho autoral e depois da era interminável de Silva Canta Marisa (que ninguém aguentava mais), finalmente a espera estava acabando.

Nosso primeiro contato com o que estava por vir em Brasileiro foi com a faixa “A Cor É Rosa”, primeiro single do álbum. Como de costume, fui surpreendido com o que ouvi, mas fiquei animado. A música é pra cima, misturando instrumentos de percussão alá congo capixaba, palmas e elementos eletrônicos que são a marca do cantor. Depois começou a circular fotos de Silva e Anitta gravando um clipe, aí eu pensei “ferrou, isso vai dá muito errado”.

Mas foi só dar play em “Nada Será Como Antes” para meu coração acalmar. A abertura do álbum mostra um Silva diferente, sim, mas os seus sintetizadores estavam presentes. Foi uma forma de preparar o público a jornada que estava apenas começando. E que jornada, meus amigos, porque do nada, em “Duas da Tarde” tá o capixaba fazendo Bossa Nova. Não foi tão estranho me deparar com esse tipo música, tendo em vista tantas coisas que ele já vinha trabalhando em seus shows, como covers e até mesmo a releitura do trabalho de Marisa Monte. “Caju” é aquela faixa que te conquista fácil, mesmo que você nunca tenha visto um cajueiro na sua frente. Toda essa regionalidade presente nas melodias a crítica social na letra fazem com que você crie essa identificação com o que tá sendo contado. O meme “militou toda” é muito pertinente na estrofe “Guerra é panela sem feijão”. E claro que não vou deixar passar o “Eu vou escrever as novas regras” Dua Lipa fazendo escola né meus amigos?!

Chegamos ao hit “Fica Tudo Bem”, sendo uma escolha da gravadora ou do próprio Silva, isso não importa, o que não podemos negar é que essa parceria foi um verdadeiro check mate. A maior estrela pop do Brasil da atualidade, ela mesma, Anitta chegou de mansinho com uma voz leve na mesma pegada de "Will I See You" que funcionou muito bem. Eu tava realmente com medo dessa colaboração, mas até que ficou bom. Com o lançamento do videoclipe eu já consigo ver a faixa no top dos charts fácil, fácil. Em "Let Me Say" eu já tava julgando antes mesmo de escutar (mas o nome do álbum num é Brasileiro? Respeita o conceito!), porém a música é em português e com fortes traços dos seus trabalhos antigos. ‘Sapucaia’ é aquela faixa que você escuta e mesmo sabendo que é instrumental você fica esperando a voz aparecer, aí aparece uns ‘laiá laiá laiá’ e tu fala, 'ok, aceito'.

"Prova dos Nove", única faixa que não foi escrita por Silva e seu irmão, é aquele sambinha melancólico, cantando de um amor (entre muitas aspas) "superado". Tem um rancorzinho ali guardado “Espero que em algum dia apesar da distância/Alguém mande notícias minhas pra você”. ‘Palmeira’ é mais um instrumental, que dessa vez acalma, fazendo uma transição para “Milhões de Vozes”, parceria de Lúcio com Arnaldo Antunes, cantada só na voz e violão. Agora temos mais uma colaboração, dessa vez com Ronaldo Bastos, “Ela Voa” é leve, apaixonada e estaria facilmente no tracklist de Claridão ou Vista pro Mar, com seus sintetizadores a faixa te faz flutuar e cria aquele sentimento de se jogar no mundo. Guerra de Amor é mais sambinha gostoso e leve, assim como a faixa anterior. "Brasil, Brasil" encerra o álbum com um eu lírico estrangeiro, enaltecendo as belezas do nosso país e mostrando todo o amor do povo brasileiro por nossa terra, nossos costumes e tradições.     

Li em uma entrevista de Silva ele falando que estava cansado de “ser gringo”, se referindo ao tipo de música que ele fazia. Nesse álbum fica evidente essa vontade de identificação nacional, explorando tantos ritmos e nuances diferentes. É bonito ver essa busca por algo mais brasileiro. É fácil identificar o cantor em cada faixa de Brasileiro, da mais pop pronta pra ser hit e ser tema de novela, à mais intimista que remete a gente aos seus trabalhos anteriores. Meu maior receio era de que Lúcio estivesse trilhando o caminho do mais do mesmo, mas a assinatura dele está alí, faixa a faixa, mesmo tendo mergulhado de cabeça nesse oceano de brasilidades ainda não explorados por ele, é evidente o seu amadurecimento e poder de trazer algo novo sem perder a sua essência.        

CAVALA - Maria Beraldo

CAVALA - Maria Beraldo

Still - Mazzy Star

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