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Bad Witch - Nine Inch Nails

Bad Witch - Nine Inch Nails

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Bad Witch

Nine Inch Nails
The Null Corporation
Rock
O que achamos: Excelente

Existem poucos artistas capazes de criar um clima (ou um climão) como o de Trent Reznor. Praticamente uma lenda viva, com uma discografia fortíssima e longa de álbuns, trilhas sonoras, polêmicas e críticas ácidas ao mundo a sua volta, é impossível não reconhecer a mão (ou até o dedo mindinho) do artista em qualquer coisa que ele encoste. Uma mistura de raiva, angústia, ansiedade, sexualidade, noise, ambient, tensão e libertação dançam, gritam e fazem headbangs inconfundíveis, sob a cuidadosa e detalhista maestria de Trent.

Bad Witch, seu mais recente lançamento, é o mais longo dos 3 trabalhos lançados nos últimos dois anos. Curiosamente, enquanto Add Violence, lançado em 2017, é considerado um EP, Bad Witch vem sendo considerado o primeiro LP do artista lançado desde Recoiled, de 2014. E isso não é por acaso, ou por ter meros 3 minutos a mais que Add ViolenceBad Witch é uma obra que se sustenta como um álbum sozinho, com começo, meio e fim. 

Em um começo explosivo, a primeira faixa, "Shit Mirror", já entrega a qualidade das composições do pequeno álbum. Com uma guitarra super distorcida e com um saxofone interessantíssimo intercalando os gritos de Trent, o artista fala de forma condescendente e irônica sobre as mudanças do mundo. Será que mudanças estão acontecendo para melhor mesmo? Será que a humanidade está se degradando lentamente e nós estamos apenas nos adaptando? (Hey look / what’s staring back at you/ Caught reflecting in your eyes/ I’m becoming something new/ It’s getting hard to recognize).

"Ahead of Ourselves" não deixa a peteca cair. Transitando perfeitamente do rock de "Shit Mirror" para uma batida eletrônica frenética e um baixo frenético, Trent reforça a mensagem de "Shit Mirror". Estamos a beira do precipício, achando que desvendamos tudo "Everything all figured out/ Like it was meant to be/ We’re on the precipice (I can feel it)". Estamos vivendo em um culto de ignorância e não há nada a se fazer "Celebration of ignorance/ Why try change when you know you can’t?". A tensão é palpável, mas eletrizante.

Em "Play the Goddamn Part", o álbum transita para o ambient, focando na exploração do saxofone tocado por Trent, que é uma adição refrescante à instrumentação do álbum. Já em "God Break Down the Door", o saxofone instaura um clima sombrio, ao som de uma batida que parece uma outra versão de "Ahead of Ourselves".

Durante uma entrevista, Trent disse que os seus últimos lançamentos, incluindo Bad Witch, visavam a busca pela verdade sobre como nos encaixamos no mundo e quem somos nele. Curiosamente, a penúltima faixa do disco, a viajante e pulsante "I'm Not From This World", parece responder essa pergunta com seu título. Por outro lado, em"Over and Out", um dos destaques do disco, também mais puxado para o ambient, Trent parece estar preso e perdido em um ciclo repetitivo, sem saber onde ir. ("I think this keeps happening/ Over and over again/ Feel like/ I’ve been here before/ Over and over again"). Bom, independente da conclusão de Trent, Bad Witch não visa trazer respostas, e sim provocar, incitar e estimular qualquer discussão.

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