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Hive Mind - The Internet

Hive Mind - The Internet

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Hive Mind

The Internet
Columbia
Julho / 2018
R&B, Funk
O que achamos: Excelente

E finalmente The Internet lança um novo álbum! Desde Ego Death, de 2015, literalmente todos os membros da banda lançaram álbuns solo. Matt Martians, o tecladista, lançou o relaxado Drum Chord Theory, a vocalista Syd lançou o ótimo Fin, Patrick Paige II, o baixista, lançou Letters of Irrelevance e Christopher A. Smith, o baterista, lançou Loud. Isso sem falar de Steve Lacy, que produziu alguns EPs e faixas de outros artistas, como Ravyn Lanae (merchant resenha nossa aqui), e lançou seu EP independente, Steve Lacy's Demo, feito com uma guitarra e um iPhone.

Cada lançamento antes de Hive Mind mostrou uma faceta dentre as cinco partes que compõem The Internet, permitindo que cada membro da banda explorasse os seus impulsos artísticos individuais. A diversidade desses impulsos acabou despertando inevitável curiosidade sobre o que viria após Ego Death, este que já deu muito hype pra banda por conta da indicação pro Grammy de Melhor Album Urbano Contemporâneo (aquela categoria racista do Grammy). A banda, sabendo de tudo isso, reforçou que The Internet é realmente um expressão coletiva e unificada de todos esses impulsos, que apesar de fortes, não resultam na fragmentação do coletivo, da colméia (hive, em inglês), que pensa como uma só. 

Hive Mind cumpre seu propósito de união. Desde "Come Together", a primeira faixa, esse conceito é reforçado. O funkeado incrível dos baixos de Patrick Paige II está lá, as guitarras descoladas de Steve Lacy estão lá, o vocal romântico e sedutor da Syd está lá, todos entrelaçados em arranjos suaves e polidos por uma produção inteligente feita pela própria banda. Apesar da mudança/expansão da direção criativa dos seus membros, The Internet nunca deixou dúvida de que, no mínimo, entregaria um trabalho muito bem produzido e grooveado.

Mas não é só isso que eles entregam. A qualidade das músicas se mantém constante, de forma invejável para qualquer banda, combinando a participação nos créditos de composição de todos os membros do grupo (em vez de só Syd e Steve Lacy, os principais compositores). Batidas (suavemente) dançantes se mesclam com baixos que resgatam o melhor do funk americano, como em "Roll (Burbank Funk)", enquanto a guitarra e backing vocal inconfundível de Steve Lacy em "La Di La" permite que Syd seduza o ouvinte, em letras basicamente sobre o seu charme ("Ladies, ladies, ladies, ladies. Please. There's enough of me to go around. I don't bite."). 

Em toda sua coesão e riqueza, Hive Mind sofre de apenas uma falha. Em alguns momentos a banda abusa da temática romântica/flertativa, tratando-a de forma simples, um tantinho impessoal e superficial, claramente voltando o seu foco para os aspectos melódicos e instrumentais das canções, deixando a desejar nas letras e na falta de uma mensagem mais aprofundada. Mas isso é perdoado pela sofisticação das outras camadas que compõem Hive Mind.

Além dos momentos mais animados, há ainda momentos mais introvertidos e delicados como "Next Time/ Humble Pie", que mostram a versatilidade emocional de Syd e do grupo para saber fazer do seu som tanto uma experiência expansiva quanto um palco sutil para as melodias de Syd. Hive Mind é um álbum orgânico, rico e coletivo, marcado pela por suas melodias e arranjos distintos e memoráveis, que dificilmente se confundem, mas claramente pertencem juntos em torno do groove.

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