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Para Dias Ruins - Mahmundi

Para Dias Ruins - Mahmundi

Para Dias Ruins

Mahmundi
Universal Music
Agosto / 2018
Pop, R&B
O que achamos: Bom

Estou tendo dias difíceis no trabalho. No meio de um pico altíssimo de demandas e problemas, minha chefe pede demissão e eu estou tendo que treinar a minha nova superior. Há dois meses o tempo parou de significar muita coisa e parece que tudo o que eu faço é trabalhar. Tá bem difícil, não exatamente ruim, mas bem complicado. Então eu ouvi o novo disco da Marcela Vale, cantora carioca (alô baixada!) mais conhecida como Mahmundi, e entendi o que o título de seu trabalho quer dizer. Para Dias Ruins traz uma coleção de músicas sobre amor, sobre querer amar, e sobre caminhar procurando ser amado por tudo aquilo que é belo, como as ruas de Santa Teresa. Acabou que a Mahmundi conseguiu me trazer uma calma que eu nem sabia que tava precisando nesses dias, e por isso acho que ela conseguiu um feito notável com esse trabalho.

Com baladas pop envolvidas numa produção minimalista, beirando o sophistipop, Marcela canta melodias simples, sem muitas ambições, com sua voz inconfundível, deixando o trabalho se construir quase que sozinho. As faixas possuem certa diversidade entre si, a faixa inicial "Alegria" traz um sopro de reggae delicioso, enquanto "Tempo para Amar" segue pela vibe mais do R&B brasileiro dos anos 90 (lembro de Ed Motta, Luciana Melo e até de Marisa Monte).

É tudo bem gostoso, mas eu sinto que tinha espaço ali para escolhas mais interessantes e ousadas... Afinal, é a mesma cantora que nos trouxe "Azul" em 2016, e é meio que um anticlímax que Para Dias Ruins não tenha muitas oscilações de tom, tema e texturas. Apesar de todas as faixas terem identidade definida e, por consequência, o disco em si, ainda parece que falta alguma coisa que causasse um impacto maior.

No fim das contas, esse é um trabalho que transborda talento. A faixa final "Eu Quero Ser o Mar", um jazz bem brazuca e elegante, é a excelência de Mahmundi muito bem apresentada, pois cria um movimento de expansão ao longo de sua duração e encerra num devaneio quieto de pianos, synths e os vocais lindos da cantora. É o disco em uma faixa, por sua natureza calma, sonhadora e apaixonada.

CRU - Felipe Antunes

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Double Rainbow - The Babe Rainbow

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