Olá!

Somos o Timbre. Um espaço de opinião sobre música vibrando em novas frequências.

Double Rainbow - The Babe Rainbow

Double Rainbow - The Babe Rainbow

thebaberainbow-doublerainbow.jpg

Double Rainbow

The Babe Rainbow
30th Century Records
Julho/2018
Rock psicodélico, Indie rock
O que achamos: Muito bom

The Babe Rainbow, formado em 2015 por Angus Dowling, Kool Breeze e Dr. Elliot Love-Wisdom (isso mesmo que você leu), é um grupo de rock psicodélico de New South Wales, Austrália. Australianos que são, tornaram-se uma das incríveis bandas do país a se responsabilizar por um revival da cena psicodélica, tanto no indie quanto no mainstream. No caso do Babe Rainbow, parece haver uma conexão profunda com os lindíssimos anos 1960, pairando constantemente o espírito Sgt. Pepper’s na obra dos músicos. Com Double Rainbow, segundo álbum do grupo, os artistas se reafirmam como uma banda para se acompanhar no cenário do indie rock atual. Com faixas mais palatáveis do que o disco anterior (2017) - gravado por Stu Mackenzie, frontman do King Gizzard & The Lizard Wizard -, o trio constrói divertidas narrativas, utilizando, além de guitarra, baixo e bateria, teclados, sintetizadores e, possivelmente, cítaras, que conferem uma aura fantástica e agradável à obra.

O álbum abre com “The Magician”, uma faixa serena e psicodélica, que circula por um ambiente pacato e onírico, semelhante ao som do Boogarins. Em seus momentos finais, o instrumental se mistura a vozes, em um conjunto de sons realmente mágico: uma constância de vibrações espaciais, que crescem progressivamente, até o término da faixa. Em seguida, a divertida “Supermoon” - escrita, aliás, após o fenômeno da superlua de 14 de novembro de 2016 - traz uma sonoridade de rock psicodélico clássico, característica do Babe Rainbow, que tem talvez os dois pés na nostalgia. Em “Gladly”, misturam-se ao som da banda referências de surf rock (que marcam também outras faixas, como “Darby and Joan”),  junto a uma letra cheia de descontração e declarações de amor: “Gladly I'll burn up for you/ If you burn up for me/ I will love you for ever and ever/ And it'll all come for more”.

“Cool Cat Vibe”, com muito groove e sintetizadores, é uma faixa espirituosa, com a repetição do verso “cool cat vibe/ yeah yeah yeah” alternando-se com outras poucas palavras. A bateria, mais presente, se une a um riff sutil de guitarra em loop. “Bella Luna”, um pouco mais melancólica que as outras faixas, tem um instrumental homogêneo e repetitivo, com o acréscimo uma flauta que é a verdadeira vocalista da música, já que as palavras de Dowling são poucas: “Just a little bit of your love/ Will get me through the night”. Algo interessante, aliás, é o fato de que Dowling é não só o vocalista, mas também o baterista, o que torna mais fácil compreender o uso de frases curtas e repetitivas como recurso nas faixas, conferindo um entrosamento interessante entre a voz e os instrumentos.

“2nd of April” é uma faixa instrumental, com uma bela e doce melodia, dedilhada em um violão. Depois dela, surge a balada “Running Back”, e é possível afirmar que quase nada, em 2018, é mais Beach Boys do que essa faixa. Com vozes em coro entoando versos de um apaixonado coração partido, o eu lírico se confunde nas dúvidas e paradoxos do amor: “I’ll come running back/ Don’t come running back”. Em seguida, a faixa final, “New Attitude”, tem grande parte de sua magia proveniente de um teclado com pinta de Doors. Bastante clean, é possível identificar, além da voz, a presença de apenas dois teclados. A letra explora, através de uma atitude otimista, temáticas lisérgicas e reflexões amorosas: “Firm flower, new attitude/ What a winter/ What a good time to/ Dare to lay down when magic is found/ And a cute little world for us to see”.

Double Rainbow traz, em suas letras e melodias, sentimentos genuínos, que transbordam paz, amor e ingenuidade, algo que, sem dúvidas, é grande parte do charme dos músicos australianos. O instrumental, ao contrário de muitas bandas psicodélicas - modernas ou não -, é equilibrado, sutil e cuidadoso, optando-se pelo maior destaque de notas soltas e melodias do que pelo uso de inúmeros efeitos e pedais. Escolhas, apenas, mas essa característica confere ao álbum um conforto sublime e, ao longo de seus quase 40 minutos, permanece no rosto um sorriso e um brilho nos olhos de quem o escuta. Assim, Double Rainbow não tem a pretensão de ser extremamente profundo e existencial: é apenas um lembrete de que há coisas na vida que são singelas, belas e apaixonantes. Como um passeio sem pressa por um bosque encantado, em pleno 2018, o Babe Rainbow nos traz um gostinho do jeito hippie de ver o mundo.

O Tempo é Agora - Anavitória

O Tempo é Agora - Anavitória